Com mais de 20 anos de atuação entre ensino e performance, Susie é discípula do pioneiro do samba Mestre José Prates (1928-2004) e uma das figuras centrais do samba na Austrália.
Com formação de mestrado em Ecologia Social e experiência em Teatro e Mídia, Sooz combina performance, narrativa e educação em sua prática, sua pesquisa faz parte de um Doutorado na Universidade de Newcastle.

O projeto Samba na Austrália, apoiado pela Umbela Brasil, envolveu mais de 40 lideranças comunitárias e reuniu respostas de 178 participantes em um questionário online, além de entrevistas filmadas com 22 líderes.
Histórias de três pioneiros do samba também foram incorporadas por meio da tradição oral, ampliando a pesquisa para diferentes gerações.
"O samba, a tradição afro-brasileira, cresce na Austrália como uma prática viva de aprendizagem, comunidade e continuidade cultural, mostrando que não se trata apenas de uma expressão artística, mas de um sistema cultural que conecta pessoas, histórias e gerações," diz Susie Smith.
Os dados mostram uma comunidade expressiva, com cerca de 5 mil praticantes ativos e mais de 55 mil pessoas conectadas ao samba. Inclui não só brasileiros, mas australianos que participam de atividades, aulas ocasionais, frequentam apresentações ou acompanham grupos locais, além de amigos, familiares e parceiros de brasileiros que se envolvem com a prática.
A gente tem 5 mil pessoas praticando, cultivando, amando samba várias vezes por semana, e 55 mil pessoas que gostam de samba e participam quando podem.Susie Smith
Também abrange pessoas de outras comunidades imigrantes e culturas, artistas, músicos, estudantes e interessados em culturas afro-diaspóricas que encontram no samba um espaço de troca e aprendizagem.

Há ainda quem participe nos bastidores, como organizadores de eventos, voluntários e apoiadores. Juntas, essas redes formam um ecossistema cultural amplo, que sustenta e expande a presença do samba no país.
O estudo também revelou que o samba está presente em todas as regiões do país, com destaque para grandes centros como Melbourne e Sydney.
O samba tem uma tecnologia social para reunir as pessoas, que auxilia elas a se expressarem e se sentirem parte de uma comunidade."Susie Smith
Cerca de 62% dos participantes nasceram na Austrália e 74% se identificam como mulheres.
Embora apenas uma parcela tenha nascido no Brasil, a conexão cultural permanece forte, com 11% declarando herança brasileira e uma presença significativa de influências multiculturais.

Mais do que números, o estudo destaca o papel do samba como espaço de aprendizagem e pertencimento.
"O samba vai muito além da música ou da dança. É uma forma de ensinar, partilhar conhecimento e afirmar identidade. É uma verdadeira pedagogia do samba, onde cada pessoa aprende através da prática, da convivência e da troca," diz Sooz.
"O samba chama todo mundo. Ele cria um espaço onde qualquer pessoa pode chegar, participar e se sentir incluída, independentemente da sua origem."
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