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Portugueses confirmam governo conservador de Montenegro, mas extrema-direita é quem mais ganha

Legislative elections campaigns across Portugal	

Primeiro-Ministro de Portugal, Luís Montenegro Credit: MIGUEL A. LOPES/EPA

Eleições Legislativas em Portugal: a coligação de centro-direita AD, liderada por Luís Montenegro, obteve 32,7% dos votos e elegeu 86 deputados, mas não alcançou a maioria absoluta. A oposição está empatada entre o PS e o Chega, ambos com 58 deputados. A noite eleitoral foi dramática para os socialistas, que tiveram o segundo pior resultado desde o início da democracia.


Published

By Francisco Sena Santos

Presented by Joana Pereira

Source: SBS


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Eleições Legislativas em Portugal: a coligação de centro-direita AD, liderada por Luís Montenegro, obteve 32,7% dos votos e elegeu 86 deputados, mas não alcançou a maioria absoluta. A oposição está empatada entre o PS e o Chega, ambos com 58 deputados. A noite eleitoral foi dramática para os socialistas, que tiveram o segundo pior resultado desde o início da democracia.


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A AD de centro-direita vence mas com pequena maioria de 32,7% dos votos e falta conhecer o resultado dos votos das comunidades portuguesas fora do país (4 deputados) para, provavelmente, decidir se é o PS ou a surpresa Chega quem lidera a oposição — estão empatados a 58 deputados enquanto a AD está com 86.

 A política portuguesa viveu este domingo um abalo no modelo partidário vigente desde 1974, após a queda da ditadura. A coligação conservadora AD, liderada por Luís Montenegro, venceu as eleições e reforçou a maioria que continua a não ser absoluta, mas o grande vencedor da jornada eleitoral é o líder do Chega, André Ventura, que se colocou ombro a ombro com o histórico PS na disputa de posição como o segundo maior partido. O PS está com probabilidade de cair, embora à tangente, para terceiro partido no país.

É a perspetiva de fim do sistema bipartidário que caracterizou a política portuguesa desde a Revolução dos Cravos em 1974, mas também o abandono da ideia de que a sociedade portuguesa estava a pender para a esquerda. Agora, a soma das forças de esquerda (cerca de 32%) é a mais irrelevante da história da democracia do país.

Até estas eleições, o conjunto das esquerdas rondava os 40% do eleitorado, enquanto a direita apresentava cerca de 60%. Agora, a esquerda cai de 40% para 32% e, à direita, o Chega consegue o seu melhor resultado de sempre. O Chega, que parecia confinado aos 20%, está agora acima dos 23%. Por sua vez o PSD, na coligação AD, tinha expectativa de crescer bem acima dos 30%, mas não chega aos 33%.

Pela primeira vez, entrou no parlamento um deputado de um partido fundado na Região Autónoma da Madeira, um partido regionalista: Juntos Pelo Povo.

O populismo marcadamente nacionalista, que ganha força em muitos países europeus, demorou mais tempo a chegar a Portugal, mas demonstrou este domingo que os ultranacionalistas, anti-migrantes de Ventura, o Chega, conseguiu um importante sucesso em todo o país em tempo recorde, tendo em conta que é um partido fundado em 2019. Seis anos depois é, muito provavelmente, o segundo maior partido em Portugal, e com 23%, é o partido à direita, na direita ultra, com maior expressão entre os 27 países da União Europeia.

Sobretudo na zona Sul do país, até agora território ocupado pelo Partido Socialista e pelo Partido comunista, o avanço da extrema-direita é inegável, o que confirma a facilidade com que se transferem votos da esquerda para a extrema-direita. O Chega confirma-se primeiro partido no Algarve. Ganha também no Baixo Alentejo, em Beja, e também na cintura operária de Lisboa, em Setúbal.

A noite eleitoral está a ser dramática para os socialistas, que tiveram o seu segundo pior resultado desde o início da democracia. Em apenas um ano, do ano passado para agora, o PS perdeu cinco pontos percentuais de apoio: de 28,5 para cerca de 23%. Principalmente, deixou de ser visto como a única alternativa ao centro-direita.

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