Seguro ou Ventura: uma escolha entre moderação e extremismo?

Antonio Jose Seguro

António José Seguro faz um apelo aos “democratas e humanistas” para “derrotarem o extremismo e os que semeiam ódio entre os portugueses”. Credit: JOSÉ COELHO/EPA

Os resultados da primeira volta das eleições presidenciais em Portugal produziram duas estreias históricas.


Os portugueses vão precisar de uma segunda volta para eleger o seu presidente da República, algo que não acontecia desde 1986; e, pela primeira vez, essa segunda volta inclui um candidato de extrema-direita, André Ventura, líder do partido Chega.

Ventura obteve 23,5% dos votos – tendo sido o mais votado na diáspora.

Frente a Ventura, António José Seguro, antigo líder do Partido Socialista que se retirou da política há dez anos, venceu a primeira volta das eleições presidenciais portuguesas realizadas este domingo.

O candidato socialista ficou em primeiro lugar com 31,1% dos votos.

O socialista António José Seguro foi o candidato mais votado em 223 dos 308 concelhos de Portugal.

Foi uma vitória com dimensão contra as expectativas e quase contra todos. Seguro, um político ponderado que inicialmente não contava com um forte apoio dentro do seu próprio partido, mas impôs-se pela determinação.

Os portugueses terão então de escolher entre um político de um novo partido com um discurso radical contra as minorias e os imigrantes, ou um moderado do centro-esquerda, para liderar o país.

A disputa mais renhida e imprevisível dos últimos 50 anos está assim a ganhar forma.

No seu primeiro discurso após a votação, António José Seguro convidou todos os democratas a juntarem-se ao seu projeto de “derrotar o extremismo e aqueles que semeiam o ódio” e insistiu que lidera uma candidatura pluralista.

Referiu o seu adversário apenas uma vez: “Há um oceano entre o André Ventura e eu”. Enquanto Seguro enquadra a segunda volta como um duelo entre democracia e extremismo, Ventura apresenta-a como um confronto, uma luta para livrar Portugal do socialismo.

O maior derrotado da primeira volta foi Luís Marques Mendes, antigo líder do Partido Social Democrata (PSD, centro-direita), que terminou em quinto lugar com 11,3% dos votos, ficando mesmo atrás do liberal João Cotrim de Figueiredo (15,9%) e de Henrique Gouveia e Melo (12,3%), um almirante reformado que concorreu como candidato independente, impulsionado pela sua popularidade como chefe da campanha de vacinação durante a pandemia.

A derrota de Marques Mendes representa também uma perda pessoal para o primeiro-ministro Luís Montenegro, que o apoiou incondicionalmente e vai agora enfrentar um Ventura mais forte no Parlamento.

No seu discurso de aceitação da derrota, Marques Mendes assumiu a "total responsabilidade" pelo resultado e deu liberdade aos seus eleitores para decidirem na segunda volta. Montenegro, por sua vez, atribuiu o fraco desempenho do PSD à fragmentação da direita e afirmou que não daria aos membros do seu partido qualquer "instrução" sobre como escolher entre Seguro e Ventura.

Mas várias figuras destacadas do PSD estão a anunciar que vão votar em António José Seguro,que classificam um homem da esquerda moderada confiável.

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