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Sydney terá festival de forró em maio

Sydney Forró Club

O grupo comunitário Sydney Forró Club organiza o festival entre os dias 14 e 16 no Brazilian Cultural Centre em Marrickvile entre 14 e 16 de maio.

Organizado pelo Sydney Forró Dance entre 14 e 16 de maio, os fãs do ritmo brasileiro terão shows, workshops com artistas vindos do Brasil e dança para todos os níveis de praticantes. Conversamos com a voluntária Júlia Bier, uma das organizadoras do evento, que ressalta o senso de comunidade e pertencimento da empreitada.


Nem todo brasileiro sabe dançar forró, mas, os que dançam, costumam gostar demais e fazer do ritmo um estilo de vida. Quem mora em Sydney e se encaixa na categoria não precisa passar vontade: o Sydney Forró Dance é um grupo de voluntários que se reúne semanalmente pra ensinar novatos, dançar e confraternizar em torno do arrasta-pé.

Júlia Bier
Júlia Bier é uma das voluntárias do Sydney Forró Dance: "Quando a pessoa é 'mordida' pelo forró, não tem volta. Vira um vício mesmo, mas muito positivo. Não é só a experiência da música ou da dança, vem junto o senso de comunidade e pertencimento."

O grupo comunitário está organizando o Festival de Forró entre os dias 14 e 16 de maio no Brazilian Cultural Centre em Marrickville, que terá convidados vindos do exterior, shows, workshops e, claro, dança pra todos os níveis de praticantes.

Sydney Forró Club

Entre as atrações confirmadas estão os artistas Yse Góes, radicada no Porto, em Portugal, e Giovanna Silveira e Ícaro Abreu, que vêm do Brasil. Tambpem terá a presença de músicos já famosos pelo ritmo na Austrália, como o sanfoneiro Ricardo Bona, de Queensland.

Acho que metade dos que frequentam o Sydney Forró Club não são brasileiros. É muito impressionante ver como essas pessoas acolhem e fazem acontecer.
Júlia Bier.

Conversamos com Júlia Bier, voluntária do Sydney Forró Club e uma das organizadoras do festival. Júlia consegue viver intensamente o estilo de vida do forró mesmo vivendo em Sydney há quase 15 anos.

A bióloga de Campinas conta sobre o evento, relata que o ritmo atrai gente de vários cantos do mundo, e de como a comunidade acaba por cumprir o papel de espaço de celebração cultural brasileira e acolhimento.

Sydney Forró Club
Voluntários do Sydney Forró Club.

———

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[música de forró] Nem todo brasileiro

sabe dançar forró, mas os que dançam costumam gostar demais e fazer do ritmo um

estilo de vida.

Quem mora em Sydney e se encaixa na categoria, não precisa passar vontade. O

Sydney Forró Dance é um grupo de voluntários que se reúne semanalmente para

ensinar novatos dançar e confraternizar em torno do arrasta-pé.

O grupo comunitário está organizando o Festival de Forró entre os dias 14 e 16 de

maio, no Brazilian Cultural Center, em Marrickville, que terá convidados vindos

do exterior, shows, workshops e, claro, dança pra todos os níveis de praticantes.

Entre as atrações confirmadas estão os artistas Izzy Góes, radicada no Porto, em

Portugal, e Giovanna Silveira e Ícaro Abreu, que vêm do Brasil. Também terá a

presença de músicos já famosos pelo ritmo na comunidade brasileira da Austrália,

como o sanfoneiro Ricardo Bona, de Queensland.

Conversamos com Júlia Bier, voluntária do Sydney Forró Club e uma das organizadoras

do festival.

Júlia consegue viver intensamente o estilo de vida do forró, mesmo vivendo em Sydney

há quase 15 anos.

Nessa entrevista, a bióloga de Campinas conta sobre o evento, relata que o ritmo

atrai gente de vários cantos do mundo e fala sobre como a comunidade acaba por

cumprir um papel de espaço de celebração cultural brasileira e de acolhimento.

[música de forró]

Júlia, muito obrigado por essa conversa. Prazer ter você aqui na SBS em Português

pra conversar sobre forró. E mais do que sobre forró,

comunidade, sobre o espírito de comunidade em volta do forró.

Júlia, primeiro lugar,

conta pra gente

seu nome completo, da onde você é no Brasil.

Quanto tempo de Austrália?

Obrigada, Fernando, pela oportunidade de trazer aqui um pouco desse projeto que eu

gosto tanto.

Sou Júlia Bier Nogueira, eu sou de Campinas, São Paulo. Eu tô na Austrália

hááá, nossa, quase 15 anos. Vai fazer 15 anos esse ano.

-Você é bióloga? -Eu sou bióloga, exatamente. E trabalho na

-área farmacêutica. -Júlia,

você tá aqui há 15 anos e você é uma forrozeira, a ponto de ser uma

das voluntárias do Sydney Forró Dance.

O que é o Sydney Forró Dance?

Então, o Sydney Forró Dance é uma organização, é, sem fins lucrativos, né? A

gente,

é, opera 100% de forma voluntária. Quem fundou o projeto foi o Augusto Dias, em

2015.

Eu comecei a participar bem ativamente da comunidade em 2018

e ela nasceu, cresceu e se desenvolveu no intuito de

promover o forró como dança, como música,

estabelecer uma comunidade que tivesse interesse de aprender a dançar,

trocar e propagar essa troca cultural entre o Brasil e a Austrália.

O grupo então, ele se reúne semanalmente,

como funciona?

É, atualmente a gente tem aulas semanais, que ocorrem às terças-feiras no Redfern

Community Centre, das seis da tarde até às 19h20, e daí das 19h20 às 20h45, a gente

tem um, um social dance, que seria um, um baile pra prática

do forró e que tá aberto pra qualquer pessoa que tiver interesse de dançar

durante a semana. E as aulas acontecem em três níveis e a gente sempre recebe alunos

que podem não ter experiência alguma, podem nunca ter escutado, ouvido falar

sobre o forró. Você não precisa de um parceiro pra aparecer lá. As aulas, as

primeiras aulas são sempre gratuitas pra você experimentar, mas o intuito mesmo é

acolhimento e integração na comunidade. As aulas são todas dadas por voluntários,

então não temos profissionais de forró,

mas são todas pessoas, é, brasileiros e não brasileiros, que têm o intuito de

divulgar e fomentar a cultura do forró aqui em Sydney de uma forma bem

-colaborativa e voluntária. -E vocês agora tão organizando um festival

entre 14 e 16 de maio. Conta pra gente exatamente o que vai ser esse festival.

Exatamente. A gente tem feito um festival de forró nos últimos anos e esse ano não

vai ser diferente. Então vai acontecer de 14 a 16 de maio no Brazilian Cultural

Centre, que foi um local que, na verdade, eu fiquei muito feliz que fosse lá.

E esse festival então vai ter vários workshops. Nós estamos trazendo três

profissionais de forró,

a Izzy Góes, que é uma professora super estabelecida no meio do forró, que

atualmente ela

dá aula em Porto, em Portugal,

mas é brasileira, o Ícaro Abreu e a Giovanna Silveira, que dão aula no Brasil.

Então os três professores estão vindo pra dar aulas pra gente aqui em Sydney. Então

são workshops que permitem pessoas com diferentes níveis de forró. Então você

pode ser tanto experiente quanto não experiente, você consegue aproveitar.

E além disso, nos três dias vamos ter festas.

Na quinta teremos um DJ que vai vir de Brisbane,

é, e vai tocar pra gente na abertura do festival. Na sexta e no sábado a gente vai

ter tanto DJ, mas também bandas formadas por músicos extremamente de ponta que a

gente tá trazendo de diversos locais da Austrália. Por exemplo, o Ricardo Bona,

que é um sanfoneiro renomado de Brisbane. Tem a Emily, que tá vindo de Perth, que é

uma violinista. Enfim, tem vários músicos que a gente tá trazendo pra conseguir

fazer com que o festival seja realmente muito especial.

Quantos anos faz então que vocês já fazem esse festival?

A gente teve uma quebra durante a pandemia, naturalmente, né, mas o primeiro

festival que aconteceu em Sydney foi em 2018.

Uma coisa que eu acho muito interessante do forró é que ele não é o ritmo mais

famoso do Brasil,

mas assim como acontece com o samba ou mesmo com a bossa nova, que não é uma

coisa tão dançante, mas é um ritmo muito famoso do Brasil, quando a pessoa gosta,

ela gosta muito. É essa paixão que desperta em muitas pessoas.

Quantas pessoas não brasileiras fazem parte? E eu queria entender um pouco esse

contexto dessa mistura cultural que a aula de forró propicia.

É interessante esse ponto que você tocou, porque a gente brinca que quando a pessoa

é mordida pelo forró, não tem muita volta, assim, vira um vício mesmo, um vício

muito positivo, né? Porque não é só a experiência da música ou da dança, mas eu

acho que vem muito com o senso de comunidade e pertencimento. Então, grande

parte dos nossos alunos ou membros da nossa comunidade são estrangeiros de

diversos países, da Indonésia, do Japão, da Alemanha, do Irã, enfim, tem

pessoas realmente de todas as partes do mundo.

É, outros latinos, né, colombianos, argentinos, que

encontram na nossa comunidade um lugar de acolhimento e a dança

muitas vezes acaba também, claro, sendo um pano de fundo, porque eu acho que a co--

o senso de comunidade sustenta muito. E eu posso dizer que eu acho que metade das

pessoas que frequentam atualmente a nossa comunidade não são brasileiros. É muito

impressionante ver. E como essas pessoas acolhem o, a comunidade, fazem acontecer.

Muitos dos nossos voluntários não são brasileiros também, temos australianos,

tem um menino de Israel, enfim, pessoas de outras nacionalidades que ao longo do

nosso histórico conseguiram fazer com que a comunidade se,

se sustentasse e acontecesse.

Júlia, eu já vi

gente, estrangeiros, australianos,

chocados

com o nível de sensualidade do forró. Pra gente que tá acostumado no Brasil, o

forró,

ele é sensual, mas ele não causa esse estranhamento que algumas pessoas aqui têm

com, com diferentes backgrounds de, de não só de cultura, mas também de religião,

etc. Você já vivenciou algum, algum choque desse tipo? Eu queria entender um

pouco da reação das pessoas disso, porque é uma-- o que eu já testemunhei de pessoas

ficarem chocadas como achar uma coisa muito, quase erótica.

É verdade. Eu acho que o brasileiro tá acostumado com essa proximidade

corporal, né? Acho que a nossa bolha é um pouco mais limitada em, em relação a

toque, em relação à proximidade. Eu acho que sim, que tem pessoas ali que não se

sentem tão confortáveis do espaço delas serem tão, não acho que invadida é a

palavra, mas compartilhado tão proximamente.

Mas ao mesmo tempo eu já vi muita gente, é, ao longo do tempo ficando confortável

com isso, sabe? E eu vejo que isso talvez até vire uma certa normalidade.

Lembrei de uma, de um testemunho de uma aluna japonesa

que ela fala justamente sobre isso, que o forró

pra ela foi muito importante pra ela entender até a relação com o corpo dela,

em como, principalmente com a cultura japonesa, né, ela preza muito pela

distância, né, essa coisa um pouco mais definida, eu tô aqui, você tá aí. E ela

falou que o forró permitiu que ela entrasse em, entrasse em contato até com,

com as sensações dela,

com como ela se sente de uma forma ou de outra, e de entender que a troca é

possível também de uma forma respeitosa, talvez de uma forma não tradicional pra

ela, né. Mas isso é uma coisa também que a gente tem que tomar muito cuidado pra não

confundir, né, o que que é o espaço pessoal

e o que não é, né. Então é uma coisa que é muito aberto dan-- dentro da comunidade

sobre consentimento. A gente tem zero tolerância em relação a qualquer invasão

de, de espaço não, não consentido. E a gente fala abertamente que

se qualquer pessoa se sente invadida,

que isso é, é zero tolerância, que tamos todos sempre muito atentos a qualquer

situação desconfortável e que a gente sempre vai prezar pelo conforto mesmo das

pessoas, dos membros da comunidade.

É, porque o forró ele é um, antes de qualquer coisa, ele é uma dança e vocês

tão lá pra dançar, né?

Essa confusão tá, na verdade, na cabeça das pessoas.

Exatamente. E além disso,

a comunidade também preza muito pela,

pelo teu acolhimento a diversos grupos, né. Então a gente tem zero tolerância com

qualquer preconceito, ou seja,

é, homossexualidade, religião, background. A gente sempre faz questão de deixar

claro que todo mundo é bem-vindo e que nenhum tipo de intolerância vai ser

-tolerada. -Tem casos de não brasileiros que

resolveram, a partir de conhecer o clube do forró, foram pro Brasil dançar mais,

-conhecer mais, como funciona? -Com certeza, é engraçado, né? Tem não

brasileiros que conhecem muito mais o Brasil. Eu conheci uma, uma alemã que

através do, do Sydney Forró Dance vai literalmente todos os anos ao Brasil no

Festival de Forró de Itaúnas, que acontece no meio do ano, no fim do ano. Ela bate

cartão

e vários desses estrangeiros acabam aprendendo português, tocam a sanfona,

tocam a zabumba, tocam o triângulo. Então assim, existe realmente uma devoção, uma

emo-- imersão à cultura brasileira, à cultura do forró. E eu acho que isso tá

ficando cada vez mais vibrante. E na Europa, na verdadeDe uma forma bem

especial, o forró se tornou uma das danças partner dance mais dançadas e mais em

alta em vários países, como na Alemanha, na França, Portugal mesmo, você vê o

crescimento do forró ali.

Isso é extremamente gratificante, né, e que às vezes não é tão

celebrado nem tão reconhecido no próprio Brasil, né. Então acho que é um movimento

também importante que talvez venha um pouco de fora pra valorizar o, a nossa

própria cultura, né.

Júlia, você já era forrozeira no Brasil ou foi uma descoberta na sua vida

-australiana? -Eu sempre gostei de forró, mas eu era bem

ruim. [riso] Então era uma coisa que eu tentava, eu tinha afinidade,

gostava, mas acho que eu tinha muitas amarras, dificuldade de me entregar ali.

Então, na verdade, foi aqui na Austrália que eu me transformei e me formei como

forrozeira, com,

com, com convicção, assim. Então o Sydney Forró Dance foi muito importante nes-nesse

processo.

Eu comecei fazendo as aulas, fiz por algum tempo, depois de uns seis meses que

aquele bicho me picou. A terça-feira sempre foi o meu dia mais, assim, que eu

ficava mais ansiosa, porque era o melhor dia da semana. Daí eu comecei a

voluntariar, inicialmente ajudando nas aulas e depois comecei a, a tocar

várias das aulas, tomei a frente da comunidade em alguns momentos. Atualmente,

eu sou a, a voluntária

que lidera o grupo ali ativamente nas terças-feiras e tô liderando também a

construção desse festival de forró que a gente comentou mais cedo.

Perfeito, Júlia. Então vamo passar de novo o serviço. O festival de forró vai ser no

Centro Cultural Brasileiro, Marrickville,

-entre os dias 14 e 16 de maio. -Quinta, sexta e sábado.

Perfeito. E quais são então os eventos que vão intercalar, além da-da-da música de

-forró e da dança, tem outros eventos, né? -Vão ter workshops. Na quinta-feira, a

gente vai abrir o festival com um workshop com os três professores que tão aqui

visitando

e vai ser seguido pela uma festa de abertura com o DJ Páprica. Aí na

sexta-feira nós não temos workshops, vai ser só uma festa mesmo à noite pra

socialização. Tá aberto ao público, os ingressos tão à venda também.

No sábado vai ser três workshops durante o dia, então nossas atividades vão começar

às 10h da manhã e terminar às 16h30 da tarde com três workshops ao longo do dia.

E vai terminar o festival com o fe-- a festa de fechamento das 8h da noite até a

1h da manhã, na própria sexta-feira, com banda e DJ.

E lembrando que qualquer pessoa de qualquer nível de forró tá muito

bem-vinda. A gente preparou com muito carinho o programa aqui pra que possa

acolher qualquer nível de habilidade forrozeira

e se tudo der certo, que isso seja uma ótima porta de entrada pra nossa

comunidade, pra que as pessoas continuem a desfrutar das atividades que a gente

promove.

Perfeito. Quem sabe um dia eu me arrisco também. Eu tenho medo de encravar umas

unhas lá, porque eu sou o pior dançarino que eu já ouvi falar.

Júlia,

-muito obrigado por essa conversa. -Tá certo. Obrigada a você, Fernando.

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