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As ‘Pontes da Solidariedade’ entre Brasil e Austrália leva esperança aos indígenas venezuelanos no Pará

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DAP Venezuela Warao Brazil

O objetivo da parceria Austrália-Brasil é contribuir para assistência humanitária dos refugiados venezuelanos da etnia Warao Source: NELSON ALMEIDA/AFP via Getty Images


Published 22 June 2021 at 9:50am
By Luciana Fraguas
Source: SBS

Autoridades brasileiras estimam que 260 mil venezuelanos vivem atualmente no país. Muitos são integrantes das comunidades indígenas da etnia Warao e Criollo. Resultado de uma ‘migração forçada’, eles deixaram para trás seu país, sua família, e vêm em busca de melhores condições de vida, muitos falam apenas o dialeto. Em tempos de Covid, a situação se agravou e para ajudá-los a Cáritas Brasileira Regional Norte II criou o projeto ‘Pontes da Solidariedade’ em Belém, no Pará. O projeto beneficiou mais de 180 famílias e conta com a ajuda financeira do governo australiano. No terceiro dos cinco episódios da série 'Austrália no Brasil', de parcerias e apoio entre os dois países, falamos sobre um dos maiores êxodos da história recente da América Latina.


Published 22 June 2021 at 9:50am
By Luciana Fraguas
Source: SBS


O projeto "Pontes da Solidariedade" da , que atende famílias refugiadas vindas da Venezuela, recebeu ajuda governo da Austrália e Alemanha.

No total, com os recursos doados pelos dois países, foram distribuídas mais de mil cestas básicas para as famílias em situação de pobreza extrema.

Caritas Brasileira
Escola Estadual Marechal Cordeiro de Farias, na capital paraense: escolarização de refugiados indígenas da etnia Warao ganha apoio australiano Source: Caritas Regional Norte II

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O objetivo principal do projeto é contribuir para o auxílio na assistência humanitária prestada aos migrantes e refugiados venezuelanos, com atenção prioritária à população indígena, às mulheres e crianças.

Por causa da Covid 19, o atendimento foi revertido para assistência emergencial alimentícia para as famílias. "Fizemos distribuição de cestas básicas e campanhas de conscientização e combate à xenofobia à população das cidades que recebem os migrantes," conta Rosane Gomes, agente da Cáritas Brasileira Regional Norte II.
Caritas Brazil Australia
Indígenas venezuelanos da etnia Warao recebem assistência humanitária em Belém. Source: Cáritas Brasileira Regional Norte 2
“Hoje temos em Belém em torno de 700 pessoas Indígenas Warao. Entre venezuelanos Crioullos e outras nacionalidades que atendemos, nós chegamos a beneficiar 51 famílias com cestas básicas. E, dos Indígenas Warao nós chegamos a 130 famílias que foram diretamente beneficiadas pelos nossos programas.”

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Rosane Gomes, ao centro, conversa com refugiados venezuelanos Source: Caritas Brasileira Regional Norte II
Quase 5 mil integrantes das comunidades indígenas da Venezuela foram abrigados no Brasil, de acordo com a Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados, Acnur.

Os centenas de migrantes venezuelanos que chegam ao Brasil, chegam principalmente pela região norte. São resultado de uma ‘migração forçada’, indivíduos que deixam para trás seu país, sua família, e vêm em busca de melhores condições de vida.

Caritas Brasileira Regional Norte II
Registro de migrantes venezuelanos que chegam ao Pará: Caritas oferece programas de apoio, escolarização e cestas básicas Source: Caritas Brasileira Regional Norte II
Rosana conta que muitos foram forçados a deixar suas terras na Venezuela e migrar para as grandes cidades brasileiras, agravando a situação de vulnerabilidade.

“Nós temos relatos da extrema vulnerabilidade em que eles se encontravam lá. Os migrantes Warao foram obrigados a abandonar suas casas, porque foi descoberto ouro em suas terras e, por isso, foram expulsos de lá por grandes fazendeiros e empresários.”

Rosane Gomes
Rosane Gomes, agente da Cáritas Brasileira Regional Norte II Source: Supplied

A língua é outra barreira que muitos migrantes venezuelanos enfrentam ao chegar ao Brasil.

“No início a gente precisava de alguém para traduzir do espanhol para o português. Eles têm seus próprios dialetos, mas entendem o espanhol. Hoje, a gente até que consegue se comunicar com eles, mas algumas coisas ainda são muito difíceis de explicar.”

Os Indígenas Warao enfrentam longas e cansativas caminhadas até chegar no Brasil, viagens via transporte hidroviários arriscadas e mau acomodados, o que os deixa mais fragilizados, e há casos que alguns não resistem a viagem, sobretudo idosos e crianças.



“Eles já chegam no estado do Pará muito fragilizados dada a conjuntura social, política e econômica de seu país. Eles vêm obrigados, empurrados por esta situação de risco.”

Temos sim casos de xenofobia. Nós fizemos uma campanha de conscientização e convidamos as pessoas a conhecerem a história deles. Os moradores das cidades apoiam, mas tem muitas pessoas que têm dificuldade de aceitar que migrar é um direito e todos nós temos esse direito, conta Rosane.
Segundo Rosane, o atual momento político do Brasil dificulta conseguir maior apoio local. Por isso, a ajuda de países como a Austrália é fundamental.

“O apoio do fundo DAP da embaixada da Austrália foi muito importante para a gente. Ele nos permitiu acessar mais recursos para atender a esse público, principalmente no combate à fome. O processo foi muito direto. No final de 2019 a Caritas Regional Norte II foi convidada a participar de um edital do fundo DAP. Nós escrevemos uma proposta de projeto para atuação, prioritariamente com migrantes Indígenas da etnia Warao,” conta. 

Em 2019-20, o DAP apoiou projetos sociais brasileiros focados principalmente na resposta à pandemia da Covid-19:  nas favelas cariocas, crise de refugiados venezuelanos, e .

Caritas Brasileira Regional Norte II
Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Marechal Cordeiro de Farias, na capital paraense, para escolarização de refugiados indígenas da etnia Warao, da Ve Source: Caritas Brasileira Regional Norte II




Para mais informações sobre o projeto “Pontes de Solidariedade” clique .

Ouça a entrevista completa com Rosane Gomes, agente de Cáritas Brasileira Regional Norte II, sobre o projeto de assistência humanitária “Pontes da Solidariedade”que recebeu auxílio do governo australiano, clicando no botão play da imagem que abre essa reportagem. 

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The ‘Solidarity Bridges’ between Australia and Brazil are bringing hope to Venezuelan refugees in Pará image

Autoridades brasileiras estimam que 260 mil venezuelanos vivem atualmente no país. Muitos são integrantes das comunidades indígenas da etnia Warao e Criollo. Resultado de uma ‘migração forçada’, eles deixaram para trás seu país, sua família, e vêm em busca de melhores condições de vida, muitos falam apenas o dialeto. Em tempos de Covid, a situação se agravou e para ajudá-los a Cáritas Brasileira Regional Norte II criou o projeto ‘Pontes da Solidariedade’ em Belém, no Pará. O projeto beneficiou mais de 180 famílias e conta com a ajuda financeira do governo australiano. No terceiro dos cinco episódios da série 'Austrália no Brasil', de parcerias e apoio entre os dois países, falamos sobre um dos maiores êxodos da história recente da América Latina.

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21/06/202116:40


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