Watch FIFA World Cup 2026™

LIVE, FREE and EXCLUSIVE starting June 12 2026

'Nas pessoas que têm ligação à Austrália, aparece sempre a SBS': 30 anos de Sena Santos na SBS em Português

FSS Baucau a cores.jpg

Francisco Sena Santos em segundo plano, à esquerda, em reportagem em Baucau (Timor-Leste), na primeira visita do então Presidente de Portugal, Jorge Sampaio, em grande plano na imagem (2002 - dias depois, Jorge Sampaio daria uma entrevista nos estúdios da SBS em Português, em Sydney).

Francisco Sena Santos é um dos grandes nomes do jornalismo em Portugal. Francisco é, além disso, correspendente da SBS em Português desde 1995. Este mês de junho, a SBS completa 50 anos. Em jeito de celebração deste grande marco, convidamos Francisco a refletir sobre o trabalho realizado nos últimos 30 anos. Nesta conversa, o jornalista revisita momentos marcantes da sua colaboração com a Rádio SBS e discorre sobre os pilares e missão do jornalismo nos dias de hoje.


Published

Updated

By Joana Pereira

Presented by Joana Pereira

Source: SBS


Share this with family and friends


Francisco Sena Santos é um dos grandes nomes do jornalismo em Portugal. Francisco é, além disso, correspendente da SBS em Português desde 1995. Este mês de junho, a SBS completa 50 anos. Em jeito de celebração deste grande marco, convidamos Francisco a refletir sobre o trabalho realizado nos últimos 30 anos. Nesta conversa, o jornalista revisita momentos marcantes da sua colaboração com a Rádio SBS e discorre sobre os pilares e missão do jornalismo nos dias de hoje.


SBS em Português é o seu canal de notícias. Confira nossos podcasts.

Francisco Sena Santos é um incontornável nome do jornalismo em Portugal. É lisboeta e formou-se em medicina, mas viria a render-se à sua grande paixão: o jornalismo. Em especial, a rádio.

Com uma longa carreira marcada pelo rigor, compromisso e um profundo sentido de serviço público, Francisco é conhecido, não só por contar histórias com paixão, mas também pela sua voz, empática e emotiva, que acolhe o ouvinte seja qual for o tema.

Veterano respeitado — e, por muitos, idolatrado —, Francisco é também professor universitário de jornalismo radiofónico, função que desempenha com entusiasmo, já que valoriza, e muito, o contacto com as gerações mais jovens.

Não é de agora o estatuto de Francisco Sena Santos como incontornável nome do jornalismo em Portugal, por isso, há 30 anos, quando a SBS em Português procurava um correspondente em Lisboa, não houve dúvidas. Na altura, Francisco aceitou a proposta, e assim, a partir de 1995, passou a enviar duas crónicas por semana, para serem transmitidas na SBS em Português. Hoje, 30 anos depois, os ouvintes SBS em Português, continuam a poder ouvi-lo religiosamente.

Este mês de junho de 2025, a SBS completa 50 anos. Aproveitamos as celebrações deste grande marco para convidar Francisco Sena Santos para uma conversa sobre o trabalho realizado com a SBS em Português ao longo das úlimas três décadas.

Apresentamos, em seguida, excertos desta conversa. Para a ouvir na íntegra, clique no botão 'play' desta página, ou consulte o perfil da SBS Portuguese, na sua plataforma de podcasts favorita.

Francisco Senta Santos
Francisco Sena Santos em estúdio.
É uma sedução, é um encantamento trabalhar desde o primeiro dia com a equipa, porque na SBS sente-se esta unidade, esta coesão.
Francisco Sena Santos, Jornalista e Correspondente da SBS em Português em Lisboa

"1999 é o ano de Timor, é o ano do referendo, é o ano da brutal violência a seguir ao referendo. Eu cheguei a Timor pela primeira vez no final de setembro de 1999. Já estavam lá as forças multinacionais. Percebi a importância da rádio, a importância da SBS em Português para Timor-Leste."

"Há meses, estive a entregar prémios de uma organização portuguesa (...) e veio ter comigo uma mulher, talvez não tenha ainda 30 anos, muito simpática. Tinha estado a estudar em Melbourne e ouvia os boletins que eu enviava, a partir de Lisboa, para a SBS Portuguese. Para ela era tocante haver uma voz em português a contar para quem está por aí, na Austrália. Isso é marcante."

"Falo todos os dias na Rádio Pública Portuguesa e chego a ter mais feedback de ouvintes da SBS aqui, pessoas que mandam uma correspondência a partir da Austrália."

"Eu dou aulas na Universidade de Coimbra e um dia, estava no café, em Coimbra, e veio ter comigo uma pessoa (...) que disse: Sabe que eu ouço as suas crónicas? E teve um raciocínio interessante. [Para ela] era interessante ouvir a forma como o que se passa em Portugal é contado — porque tem detalhes que não tem o que é contado em Portugal, porque faz parte da atualidade diária — ou seja, tem o enquadramento mais ajustado. Ela dizia que gostava de ouvir as crónicas de Portugal, gostava de saber como Portugal era contado, neste caso, na Austrália."

Nas pessoas que têm ligação à Austrália, sinto que aparece sempre a SBS. São muitas pessoas, ao longo deste tempo, mais nestes últimos anos.
Francisco Sena Santos, Jornalista e Correspondente da SBS em Português, em Lisboa

"A princípio com ligações a Timor, agora não. Há muitos portugueses que estão na Austrália. É interessante como estamos a falar, Joana, separados por uns 20 mil quilómetros e, no entanto, há essa ligação. Há um Portugal-Austrália que funciona."

"[Quando não havia internet, esta colaboração jornalística concretizava-se através de] dois formatos. Um era o de telefonemas feitos pela Beatriz, com sábia gestão que fazia do tempo, e envio de crónicas telefonadas, pré-gravadas aqui em Lisboa. Era um tempo em que não havia ainda redes sociais.”

''[Quando se deu] o anúncio de que Portugal-Indonésia tinham acordado, sob patrocínio das Nações Unidas, o referendo, em agosto, em Timor, lembro-me que houve um especial na Rádio Portuguesa, e liguei também à Beatriz. É inesquecível o entusiasmo dela. Com as perguntas certeiras, como sempre, acutilantes. A querer saber todos os pormenores".

fss sampaio ordem infante 10jun.jpg
Francisco Sena Santos (à esquerda) e o Presidente Jorge Sampaio (à direita), quando Francisco foi condecorado por Jorge Sampaio pelo serviço público prestado como jornalista.
Este é um outro lado que eu encontro sempre nas pessoas da SBS: a cultura da exigência e do rigor jornalístico. A segurança de tudo.
Francisco Sena Santos, Jornalista e Correspondente da SBS em Português, em Lisboa

"A múltipla confirmação de todos os factos, as fontes. Quem é que disse e como. É a grande fiabilidade do jornalismo da equipa."

"Hoje há uma tão grande distorção da realidade, por isso, é essencial o trabalho de empresas, públicas ou privadas, mas com especial responsabilidade para o serviço público. E a SBS é um exemplo disso. Sinto que, em Portugal, a RTP também. São referências de confiança."

"A voz que conta com rigor, parece-me que é essencial. Estou a falar do jornalismo que se faz na web, na radio, na televisão, nos jornais. Eu confio que os jornais continuarão sempre, mesmo que venham a ser, futuramente, um produto de luxo, nós precisamos de um jornalismo sério. O jornalista é a pessoa que é remunerada, que é paga, para contar com rigor, para servir as pessoas."

"É preciso que os jornalistas sejam mediadores e que sejam as testemunhas profissionais que contam às pessoas aquilo que importa saber, aquilo que dá conhecimento, aquilo que permite o entendimento do que está a acontecer no mundo."

fss-grandplace2 (002).jpg
Francisco Sena Santos em Emissão na Grand Place, em Bruxelas.

"Eu entendo que o jornalista não deve ter opinião, exceto sobre questões fundamentais de liberdade e democracia, mas o papel do jornalista é dar às pessoas as pistas necessárias de informação rigorosa para que as pessoas possam decidir, possam julgar, em suma."

"Em Portugal, tenho vivido entre duas rádios: sempre na RDP, que agora é a RTP (a RDP e a RTP fundiram-se numa só empresa). Saí por duas vezes, primeiro para fundar uma outra rádio, a TSF, e depois ainda voltei à TSF. Logo a seguir ao massacre de Santa Cruz, em Dili, foi criado um programa, em canal específico, com antenas orientadas para Timor (antenas da RDP Internacional): o Timor Lorosae."

Na altura, analisava-se que fontes havia sobre Timor, como é que os media internacionais lidavam com Timor. E houve a pista de que a SBS Australiana era uma das referências que importava seguir.
Francisco Sena Santos, Jornalista e Correspondente da SBS em Português, em Lisboa

"A partir de 1991, juntamente com outros jornalistas portugueses, o Adelino Gomes e o Manuel Acácio, fui seguindo sempre, com sensibilidade especial, o que acontecia em Timor. E, mais do que uma vez, o José Ramos Horta, — que tinha frequentes passagens por Lisboa no combate pelos direitos do Povo de Timor —, chamou a atenção para a importância da emissão da SBS."

"Ter a noção de que a SBS era um meio para fazer chegar informação rigorosa, livre, independente a Timor, isso foi um fator decisivo. Esse é um elemento que, quando a Beatriz me falou, confesso, não hesitei. Senti que isso faz parte da obrigação profissional. O jornalista tem que fazer o que sente que é preciso. Senti que era necessário.”

SS_castelodepaiva05mar2001.PNG
À direita, ao fundo, Francisco Sena Santos, em reportagem na tragédia da queda da ponte de Entre-os-Rios, em Portugal (2001). Em primeiro plano, António Guterres, então Primeiro-Ministro de Portugal.

"É uma experiência fascinante estar sempre com a SBS, é um prazer imenso. Eu acho que não me lembro de férias, mas é um prazer, mesmo quando estou de férias, estar duas vezes por semana com os ouvintes de SBS."

"[Quando gravo as crónicas para a SBS em Português] estou no meu escritório, que tem uma espécie de estúdio. Às vezes estou na rádio, outras estou na rua. Já me aconteceu telefonar da praia. Também já enviei crónicas a partir de outros países da Europa, até do Médio Oriente. O meu compromisso é, duas vezes por semana, em dias marcados, enviar as crónicas. Acontece que, às vezes por razões profissionais e, até, eventualmente pessoais, estou fora de Portugal, e há sempre uma história para enviar. Às vezes, há histórias do lugar onde estou que podem ser relevantes."

Fazer jornalismo é ir aos sítios. As notícias de agência e de outras fontes são um indicador, mas é sempre preciso ir lá, ir ver, ir sentir a atmosfera. Para poder contar.
Francisco Sena Santos, Jornalista e Correspondente da SBS em Português, em Lisboa

"Eu defendo muito um jornalismo tocado por alguma inspiração literária, ou seja, com cuidado em cada palavra. Ter uma pinça a experimentar qual é a palavra mais justa para definir esta e aquela situação que caracteriza uma história. Ir sempre aos sítios."

fssa1 (002).jpg
Francisco Sena Santos a conduzir a reportagem em direto na queda da ponte de Entre-os-Rios, em Portugal (2001).

"Já fui à Austrália, sim. A primeira vez que encontrei a Beatriz, foi numa ida à Austrália. Foi na primeira visita do Presidente José Sampaio a Timor, ainda Timor não era independente. Fui à Austrália nessa altura por duas vezes com o Presidente Sampaio. Fomos a Camberra, a Sydney e a Melbourne."

"O facto de estar na SBS leva-me a ler jornais australianos, a ser curioso sobre o que se passa na Austrália e a ouvir a SBS."

Timor creio que foi a última grande causa a unir os portugueses. Todos os casos com forte dimensão humana reforçam a paixão pelo jornalismo.
Francisco Sena Santos, Jornalista e Correspondente da SBS em Português, em Lisboa

"O prazer que é cumprir o dever de serviço público de contar. A voz que conta. Já tive que me render, mas confesso que sou um resistente às câmaras nos estúdios de rádio."

"Acho que o jornalista é uma pessoa como outra qualquer (...) é um profissional de um ofício, não é uma estrela do que quer que seja. Eu acho que o jornalista não deve dar entrevistas, a não ser isto que estamos a fazer, a conversar sobre o ofício."

"Sinto muito que o jornalista deve ser discreto e, sobretudo, o jornalista da rádio é a voz, não tem imagem. Cultivo muito a ideia de serviço público. Contar às pessoas aquilo que interessa saber. Partilhar com as pessoas aquilo que é relevante, aquilo que pode estimular o grande prazer que é a curiosidade. Eu acho que esse é muito o papel do jornalista: ser o procurador das pessoas, aquele que faz as perguntas que as pessoas têm para fazer, e aquele que conta aquilo que é interessante para a vida."

Nos tempos que correm há despedimentos nas redações. Acontece em Portugal, acontece no mundo. Neste último ano letivo, houve 300 alunos que eram candidatos a este curso que não tiveram vaga, entraram 60. Ao fim de um tempo, os alunos vão perguntando: Mas então, nós estamos a estudar para quê? Para ir fazer outra coisa? E eu insisto:

Há sempre lugar no jornalismo para quem é competente, para quem se dedica, para quem pratica o jornalismo com devoção, com paixão, a querer contar bem.
Francisco Sena Santos, Jornalista e Correspondente da SBS em Português, em Lisboa

"Quem faz formação contínua. Já fiz 60 anos e continuo a fazer formações, continuo a procurar perceber o que está a acontecer."

FF jovens.jpg
Francisco Sena Santos junto a estudantes, no Congresso dos Jornalistas Portugueses.

"O trabalho diário com estudantes, com gente de 20 e poucos anos, é excelente para irmos também percebendo o que é que passa pelas gerações mais novas, quais são os interesses. Aprendo imenso com os estudantes, que chamam a atenção para coisas que, provavelmente, me escapariam. Vou muitas vezes a concertos onde não iria se não fossem os estudantes a chamarem-me a atenção."

Para ouvir, clique no botão 'play' desta página.

Siga a SBS em Português no FacebookTwitter, Instagram e You Tube. 

Ouça os nossos podcasts. Escute o programa ao vivo da SBS em Português às quartas-feiras e domingos ao meio-dia.

Assine a 'SBS Portuguese' no SpotifyApple PodcastsiHeart PodcastsPocketCasts ou na sua plataforma de áudio favorita.


Latest podcast episodes

Follow SBS Portuguese

Download our apps

Listen to our podcasts

Get the latest with our exclusive in-language podcasts on your favourite podcast apps.

Watch on SBS

Portuguese News

Stream now