A tragédia de Itaewon
- A festa de Halloween em Itaewon foi uma das maiores desde o início da pandemia.
- Estima-se que cerca de 100 mil pessoas compareceram.
- Muitas vítimas foram pisoteadas, por conta de um tumulto de causa ainda desconhecida no local.
- A brasileira Claudia conta como a rua estava e como consegeuiu escapar momentos antes do esmagamento em massa.
**Atenção esse artigo contém imagens fortes e conteúdo gráfico que leitores mais sensíveis podem achar confrontantes**
A Coreia do Sul está luto nacional pelos 156 mortos durante a celebração de uma festa de Halloween em Seul, quando uma multidão entrou numa via estreita no badalado distrito de Itaewon, e deixou a ruela tão lotada que ninguém conseguia sair do lugar ou sequer respirar.
Depois de quase duas semanas da tragédia, mais detalhes sobre o que realmente aconteceu começaram a emergir.
De acordo com os registros de chamadas de emergência da polícia, várias ligações foram feitas quatro horas antes da tragédia acontecer.

Vídeos feitos ao longo daquela noite mostram as pessoas percebendo, primeiro lentamente e depois em pânico, que a situação estava ficando fora de controle.
A polícia finalmente enviou reforços para o local naquela noite, mas já era tarde demais.
Centenas de famílias estão de luto pela perda de seus entes queridos, com a maioria das vítimas sendo adolescentes ou na faixa dos 20 anos.
Em meio à dor, a raiva e a revolta com o que aconteceu, muitos pais têm se voltado contra o governo.

Uma investigação foi iniciada.
O chefe do corpo de bombeiros de Yongsan, em Seul, Choi Seong-beom, diz que, nesta fase da investigação, há mais perguntas do que respostas.
"O acidente ocorreu por volta das 22h22 no distrito Yongsan de Itaewon. A causa do que aconteceu está sob investigação. Parece que um grande número de pessoas que estavam participando de uma festa de Halloween quando caíram no chão, resultando nas mortes dos participantes."
Park Jung-Hoon, de 21 anos, diz que viu todo o evento se desenrolar.
"Vimos o que pareciam cenas de caos de uma guerra. Eles estavam fazendo ressucitação cardíaca, um monte de gente no chão desacordada e outras pessoas correndo em todas as direções. Tudo estava completamente fora de controle."
É um dos piores acidentes em tempos de paz da Coreia do Sul e provavelmente levantará sérias questões sobre os padrões de segurança pública.
Moon Ju-Yong, de 21 anos, que também estava no local, diz que a polícia deveria estar melhor preparada.
"Acho que a polícia não estava preparada o suficiente. Havia muitas pessoas e estava tudo muito lotado. Acho que os policiais e equipes de resgate trabalharam duro, mas eu diria que faltou preparo."
O presidente Yoon, que tem sidio muito criticado, lamentou o terrível incidente.
"Uma tragédia e um desastre que não deveriam ter acontecido ocorreram no coração de Seul durante as celebrações do Halloween. Expresso minhas condolências às vítimas do incidente inesperado e espero que as pessoas que ficaram feridas se recuperem logo. Meu coração está com os familiares das vítimas, que estão sofrendo o desgosto de perder seus entes queridos."
A brasileira Claudia, 49, profissional autônoma do Rio de Janeiro, estava de férias em Seul quando tudo aconteceu.
Ela e a família escaparam do desastre por pouco e deixaram o local, após muito empurrar e até violência física.
Eles saíram de Itaewon momentos antes do esmagamento que ia tirar a vida de 156 jovens.
Claudia descreveu o ocorrido em detalhes à SBS em Português.
As coisas já estavam ‘erradas’ desde o metrô que ela e a família pegaram para chegar ao bairro de Itaewon.
Segundo Claudia, as ruas já estavam tumultuadas quando a familia chegou ao local.
“Eu disse para minha família, 'não tem condição da gente ficar aqui não, a gente vai morrer, vão derrubar a gente aqui e a gente vai ser pisoteado.
"Eu já via o terror nos solhos das pessoas querendo sair dali e não conseguiam sair. Me senti como estivesse numa teia de aranha, ninguém conseguia sair, uma sensação muito ruim,” conta Claudia à SBS em Português.
Ela disse que depois de sair do sufoco, a filha ficou num bar perto de Itaewon até as 11 da noite quando viu os bombeiros e ambulâncias no local.
Para Claudia a razão da tragédia foi falta de organização e excesso de gente.
Confira a descrição detalhada baixando o áudio que acompanha esse artigo.
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