Como brasileiros e portugueses estão a contribuir para a saúde, e o bem-estar dos imigrantes na Austrália. Direto da FECCA 2025, trazemos conversas inspiradoras sobre saúde, inclusão e comunidade. Nesse episódio celebramos cultura, pertencimento e o poder de construir o amanhã juntos.
Quem são os nossos idosos? Dois perfis distintos
Segundo Silvia Renda, presidente da PAWA, a comunidade portuguesa apresenta um grupo expressivo de pessoas mais velhas que migraram nas décadas de 60, 70 e 80.
“Os nossos idosos portugueses estão, anedoticamente, entre 70 e 75 anos. Muitos construíram a vida inteira aqui, mantêm a língua, a comida e as tradições. É uma comunidade pequena, mas muito unida”, disse.
A comunidade brasileira exibe outra dinâmica.
“A média de idade entre brasileiros é 35 anos”, explicou Alba Chliakhtine, diretora da Abrisa, citando dados recentes do censo. Ela destacou que houve mudança metodológica: antes, estudantes temporários não eram contabilizados.
“Hoje temos um grupo maior de jovens, mas já começamos a ver também brasileiros que chegaram nos anos 70 e agora estão na faixa dos 80 anos, enfrentando desafios de mobilidade e idioma.”
As preocupações de saúde: menopausa, prevenção e estigma
Entre as mulheres portuguesas, temas como menopausa, perimenopausa, saúde hormonal e prevenção do câncer surgem com força.
“Muitas mulheres dizem que falta informação. Seus sintomas são desvalorizados e é difícil encontrar profissionais que entendam o impacto dessas condições”, afirmou Silvia. Outubro Rosa e outras iniciativas comunitárias ajudam a incentivar exames preventivos.
A saúde mental também aparece como preocupação crescente. “Ainda existe muito estigma. Muitas mulheres acham que pedir ajuda é fraqueza e carregam tudo em silêncio”, completou Silvia.
Alba confirmou esse cenário entre mulheres imigrantes de diversas origens. “A falta de informação em português e o estigma afastam muita gente de serviços essenciais”, disse.
O desafio de envelhecer longe do país
Para a Dra. Andrea, envelhecer fora do país de origem reúne três grandes obstáculos: falta de rede de apoio, tecnologia e idioma. “No Brasil, é comum viver cercado de filhos e netos. Aqui predomina a independência, e muitos idosos ficam sozinhos”, explicou. A barreira tecnológica também pesa: “Checar e-mail, baixar um aplicativo, tudo isso vira um desafio.”
Oportunidades na Austrália: prevenção, infraestrutura e autonomia
Apesar das dificuldades, há aspectos positivos no envelhecimento em território australiano. “A Austrália oferece acesso amplo à medicina preventiva, transporte público eficiente e espaços seguros para atividade física gratuita”, afirmou Andrea. Para ela, essas condições contribuem para a autonomia e a longevidade.
Alba acrescentou que começar cedo é essencial. “É preciso entender o sistema, conhecer os serviços e se conectar com a comunidade antes de precisar dela”, alertou. A tecnologia, segundo ela, poderá ser aliada no futuro, especialmente com o avanço da inteligência artificial nos cuidados a idosos.
Apoio comunitário: onde buscar ajuda
As associações portuguesas e brasileiras desempenham papel vital no acolhimento.
Segundo Alba, Associações Comunitárias como Abrisa e PAWA organizam convívios, rodas de conversa e ajudam mulheres a navegar o sistema de saúde, especialmente quando idioma e burocracia criam barreiras. “Muitas vezes basta alguém dizer ‘vá por aqui’ para mudar toda a experiência”, disse.
Alba destacou que a ABRISA oferece programas de informação, apoio social e orientação sobre serviços. “É fundamental saber como o país funciona. A independência financeira também faz parte da saúde. E, acima de tudo, é preciso criar conexões com pessoas de várias idades.”
Construir comunidade para não envelhecer sozinho
O recado final foi unânime: ninguém deveria envelhecer isolado. “Apoiem-se na comunidade antes de precisar dela. Participem, perguntem, se conectem”, resumiu Alba.
A longevidade, segundo as três entrevistadas, não é apenas viver mais — é viver com dignidade, informação, saúde e relações que sustentem a vida. E isso, como reforçaram, só se constrói juntos.
Para ouvir, clique no botão 'play' desta página.
Ouça os nossos podcasts. Escute o programa ao vivo da SBS em Português às quartas-feiras e domingos ao meio-dia.
Assine a 'SBS Portuguese' no Spotify, Apple Podcasts, iHeart Podcasts, PocketCasts ou na sua plataforma de áudio favorita.







