Viver bem e longe de casa: o que significa envelhecer com saúde na Austrália

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Luciana Fraguas, Alba Chliakhtine, Silvia Renda e Andrea Pereira Rabelo na Conferência Nacional de Saúde 2025.

Três vozes femininas; Silvia Renda, presidente da Presidente da Associação de Mulheres Portuguesas na Austrália (PAWA), Alba Chliakhtine, diretora da Abrisa (Associação de Brasileiros em VIctoria) e Andrea Pereira Rabelo, especialista na área de Cuidados aos Idosos, falam sobre o que significa cuidar da saúde e envelhecer com dignidade, equilíbrio e pertencimento em um país diverso como a Austrália. Direto da Conferência Nacional de Saúde e Bem-Estar Multicultural 2025.


Como brasileiros e portugueses estão a contribuir para a saúde, e o bem-estar dos imigrantes na Austrália. Direto da FECCA 2025, trazemos conversas inspiradoras sobre saúde, inclusão e comunidade. Nesse episódio celebramos cultura, pertencimento e o poder de construir o amanhã juntos.

Quem são os nossos idosos? Dois perfis distintos

Segundo Silvia Renda, presidente da PAWA, a comunidade portuguesa apresenta um grupo expressivo de pessoas mais velhas que migraram nas décadas de 60, 70 e 80.

“Os nossos idosos portugueses estão, anedoticamente, entre 70 e 75 anos. Muitos construíram a vida inteira aqui, mantêm a língua, a comida e as tradições. É uma comunidade pequena, mas muito unida”, disse.

A comunidade brasileira exibe outra dinâmica.

“A média de idade entre brasileiros é 35 anos”, explicou Alba Chliakhtine, diretora da Abrisa, citando dados recentes do censo. Ela destacou que houve mudança metodológica: antes, estudantes temporários não eram contabilizados.

“Hoje temos um grupo maior de jovens, mas já começamos a ver também brasileiros que chegaram nos anos 70 e agora estão na faixa dos 80 anos, enfrentando desafios de mobilidade e idioma.”

As preocupações de saúde: menopausa, prevenção e estigma

Entre as mulheres portuguesas, temas como menopausa, perimenopausa, saúde hormonal e prevenção do câncer surgem com força.

“Muitas mulheres dizem que falta informação. Seus sintomas são desvalorizados e é difícil encontrar profissionais que entendam o impacto dessas condições”, afirmou Silvia. Outubro Rosa e outras iniciativas comunitárias ajudam a incentivar exames preventivos.

A saúde mental também aparece como preocupação crescente. “Ainda existe muito estigma. Muitas mulheres acham que pedir ajuda é fraqueza e carregam tudo em silêncio”, completou Silvia.

Alba confirmou esse cenário entre mulheres imigrantes de diversas origens. “A falta de informação em português e o estigma afastam muita gente de serviços essenciais”, disse.

O desafio de envelhecer longe do país

Para a Dra. Andrea, envelhecer fora do país de origem reúne três grandes obstáculos: falta de rede de apoio, tecnologia e idioma. “No Brasil, é comum viver cercado de filhos e netos. Aqui predomina a independência, e muitos idosos ficam sozinhos”, explicou. A barreira tecnológica também pesa: “Checar e-mail, baixar um aplicativo, tudo isso vira um desafio.”

Oportunidades na Austrália: prevenção, infraestrutura e autonomia

Apesar das dificuldades, há aspectos positivos no envelhecimento em território australiano. “A Austrália oferece acesso amplo à medicina preventiva, transporte público eficiente e espaços seguros para atividade física gratuita”, afirmou Andrea. Para ela, essas condições contribuem para a autonomia e a longevidade.

Alba acrescentou que começar cedo é essencial. “É preciso entender o sistema, conhecer os serviços e se conectar com a comunidade antes de precisar dela”, alertou. A tecnologia, segundo ela, poderá ser aliada no futuro, especialmente com o avanço da inteligência artificial nos cuidados a idosos.

Apoio comunitário: onde buscar ajuda

As associações portuguesas e brasileiras desempenham papel vital no acolhimento.

Segundo Alba, Associações Comunitárias como Abrisa e PAWA organizam convívios, rodas de conversa e ajudam mulheres a navegar o sistema de saúde, especialmente quando idioma e burocracia criam barreiras. “Muitas vezes basta alguém dizer ‘vá por aqui’ para mudar toda a experiência”, disse.

Alba destacou que a ABRISA oferece programas de informação, apoio social e orientação sobre serviços. “É fundamental saber como o país funciona. A independência financeira também faz parte da saúde. E, acima de tudo, é preciso criar conexões com pessoas de várias idades.”

Construir comunidade para não envelhecer sozinho

O recado final foi unânime: ninguém deveria envelhecer isolado. “Apoiem-se na comunidade antes de precisar dela. Participem, perguntem, se conectem”, resumiu Alba.

A longevidade, segundo as três entrevistadas, não é apenas viver mais — é viver com dignidade, informação, saúde e relações que sustentem a vida. E isso, como reforçaram, só se constrói juntos.

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