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"Estou de cabeça erguida, não vou desistir nunca, vamos vencer essa pandemia": estudantes brasileiros em Melbourne

Community groups are helping Brazilian and Colombian students with food donation. Source: Manoel Felipe

A pandemia do coronavírus mudou radicalmente os planos de muitos estudantes internacionais na Austrália. As aulas agora são online, o trabalho é escasso, e fazer fila para coleta de cesta básica virou a realidade de muitos.

No estado de Victoria, muitos estudantes já se inscreveram para o auxílio emergencial de $1100 do governo e disseram, que se a ajuda vier, será em boa hora.   

Mas como eles estão fazendo para sobreviver ao fechamento da economia trazido pelo coronavírus, como é vir para a Austrália e se achar em uma fila para coleta de alimentos, como estão pagando as contas e como pretendem gastar o auxílio emergencial do governo?  

Conversamos com Karla Dayane Gomes, Douglas Froes da Silva, Gabriela Sarmento, Beatriz Nogueira de Castro e Claudia Tamayo Ikari que compartilharam suas histórias e que em comum mostraram um espírito de luta, otimismo e expressaram gratidão pela ajuda ‘de todos’. Vários falaram que "quando tudo isso acabar" querem voluntariar e ajudar outras pessoas.

Conversamos também com Priscila Souza, empresária em Melbourne e voluntária, que viu outras comunidades se ajudando e ‘achou que tinha que fazer alguma coisa’. Priscila criou o COVID/19 Brasileiros em Melbourne, um grupo de doação de cestas básicas, agasalhos e até bicicletas para brasileiros fazerem uma renda extra com serviços de entregas como o Ubereats.  

Priscila Souza
Mais de 400 estudantes foram beneficiados com cestas básicas doadas pela comunidade em Melbourne
Priscila Souza

"Pessoal está ajudando a gente com alimentacão, estou de cabeça erguida, não vou desistir nunca"

Douglas Froes, chegou em Melbourne em fevereiro, pouco antes do lockdown. "Vim para aprimorar meu inglês, aula presencial, estava com intenção de poder trabalhar," diz.

Como muitos estudantes internacionais suas aulas agora são online e o trabalho principalmente na área de hospitalidade, não vingou. Como pagar as contas virou o principal desafio, a coleta de cestas básicas tem sido uma grande ajuda.

Douglas Froes
Douglas se mantém otimista: "A nação brasileira é vista muito por aqui por pessoas que gostam de se ajudar. A gente consegue se manter aqui sim e vamos enfrentar essa pandemia até o fim. O importante é manter a calma," aconselha.
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"Graças a Deus tem um pessoal ajudando a gente com alimentacão e estou fazendo UberEats para me manter," disse ele de dentro do carro, durante um intervalo no trabalho.

"Venho pegando todas as sextas-feiras as cestas básicas, só perdi um dia pois consegui um job, isso ajuda bastante, economiza dinheiro com feira, supermercado." 

Douglas também se inscreveu para receber o auxílio emergencial do governo de Victoria. "Pretendo usar esse dinheiro para renovar meu visto, em busca dos meus sonhos."

Muitos de seus amigos brasileiros voltaram ao Brasil por causa da pandemia, mas ele resolveu ficar e não se arrependeu. 

"Na escola agora é tudo online. Fomos prejudicados, dinheiro jogado no lixo"

Karla Dayane, 30 anos, de Minas Gerais chegou na Austrália dois meses antes do ‘lockdown’ do governo australiano. "Perdi todos os meus shifts, trabalhava em uma escola e fazendo faxina de escritório, agora estou vendendo bolo e voltando aos poucos a fazer trabalho de limpeza," conta.

Para Karla, que investiu tempo e dinheiro em um curso de inglês na Austrália, a maior decepção foi com a escola. "Agora é tudo online. Fomos prejudicados, dinheiro jogado no lixo."

Karla também tem recorrido à doação de cestas básicas. "Tem sido uma grande ajuda, já que com a alimentação garantida eu não gasto com comida e pago o aluguel. A gente precisa de um teto para morar, esses brasileiros voluntários estão nos ajudando demais."

Karla Dayane
Apesar das dificuldades, Karla Dayane diz que não considera volta ao Brasil, já que investiu muito para aprender inglês na Austrália
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Quanto à ajuda do governo estadual de Victoria, Karla disse que o dinheiro virá em boa hora. "Me inscrevi, vai ser de grande ajuda. Com toda essa situação, toda essa crise. Por urgência estou renovando o visto, prioridade é o aluguel e a escola."

"Está sendo bem difícil perder a experiência completa do intercâmbio por causa do corona"

Para a paulista Beatriz Nogueira que chegou à Austrália há dois meses, pouco antes do ‘lockdown’, o mais difícil foi se adpatar à nova, inesperada realidade trazida pela coronavírus. "Está sendo bem difícil perder a experiência completa do intercâmbio por causa do corona. Eu adoro arte e por isso escolhi Melbourne, mas não tem como sair conhecer gente, fazer amizade."

"Vivenciar a cidade e a cultura, conhecer gente, obviamente, nada disso está acontecendo. Eu achei que ia chegar e estar empregada em duas semanas, mas não foi o que aconteceu."

Beatriz coletou algumas cestas básicas e como os outros entrevistados para esta reportagem, disse que com a ajuda na alimentação ela consegue pagar o aluguel e as contas. "Essa ação voluntária, de doação de comida, serviu para mostrar que há humanidade no mundo, ainda bem que existem essas pessoas. Eu fiquei bem feliz, senão tivesse ninguém que pudesse ajudar talvez eu tivesse que voltar para o Brasil."

Beatriz Nogueira
Beatriz Nogueira: "Tudo pode mudar amanhã a gente não sabe mas espero retribuir a ajuda que eu estou recebendo agora."
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Claudia Tamayo Ikari e o marido estão em Melbourne há dois anos e meio, vieram estudar inglês. Por sorte, logo após o fechamento de todos os serviços não essenciais pelo governo australiano, o marido conseguiu se manter no trabalho e as contas estão sendo pagas.

Ela diz que as cestas básicas ajudam a economizar com comida e que quando coleta uma, divide com uma estudante que abrigou na própria casa. Claudia foi a única entrevistada dessa reportagem que disse que não pretende se inscrever para a ajuda do governo de Victoria.

Claudia
Claudia Tamayo Ikari e o marido estão em Melbourne há dois anos e meio: "Mudança radical da nossa rotina antes e depois da pandemia"
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"Prefiro tentar usar minha superannuation (aposentadoria) e deixar esse dinheiro para outros estudantes que precisam mais do que eu," disse, se referindo ao anúncio do governo federal que permite que estudantes internacionais retirem dinheiro da sua aposentadoria se estiverem na Austrália há mais de um ano.

Gabriela Sarmento, de Goiás, estudante em Melbourne, disse que se não fosse pelo dinheiro que economizaram do Brasil, ela e o marido teriam que voltar para o Brasil. "Por conta dessa pandemia fui demitida uma semana depois que comecei a trabalhar."

Ela conta que recorreu uma ou duas vezes às cestas básicas doadas pela comunidade e que se inscreveu para o auxílio emergencial do governo de Victoria. "Vai ajudar a pagar o aluguel e comprar comida"

Gabriela Sarmento
Gabriela Sarmento: "No começo foi um desespero, agora está mais tranquilo"
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"Eu vi que outras comunidades estavam se ajudando e sabia que tinha que fazer alguma coisa"

‘The Kindness Pandemic’, o grupo no Facebook que hoje conta com mais de 570 mil seguidores,  serviu de inspiração para a empresária Priscila Souza, de Melbourne, criar uma ação que auxiliaria os estudantes brasileiros e latinos em dificuldades.

A ação foi iniciada após o governo federal anunciar um pacote de $130 bilhões e assistência social pelo esquema JobKeeper e deixar de fora os mais de 700 mil estudantes internacionais atualmente na Austrália. "Nosso conselho é que se você não tiver como se sustentar aqui, deve voltar para casa," disse o primeiro-ministro Scott Morrison em abril.

"Eu vi que outras comunidades estavam se ajudando e sabia que tinha que fazer alguma coisa,"diz Priscila. Foi quando resolveu reunir um grupo de pessoas que, juntos, já coletaram meia tonelada de alimentos, agasalhos e agora estão doando até bicicletas (para os estudantes fazerem UberEats) e "ganhar uma grana extra".

"Vamos até sua casa," diz Priscila, cuja ação já beneficiou mais de 400 estudantes em Melbourne. "Só avisar que vamos buscar e respeitamos o distanciamento social," diz ela.

Priscila Souza
Priscila Souza (segunda da direita para a esquerda) e o grupo de voluntários com as cestas básicas
Manoel Felipe

O grupo Covi-19 Brasileiros em Melbourne, criado por Priscila, já conta com mais de 700 seguidores. "Estamos tendo uma resposta fantástica da comunidade, tivemos uma grande contribuição de alimentos, e agora estamos arrecadando bicicletas também, para os estudantes fazerem UberEats, só temos a agradecer," diz.


As pessoas na Austrália devem ficar pelo menos a um metro e meio de distância dos outros e encontros estão limitados a duas pessoas, a não ser que esteja com a sua família ou em casa.

Se você acredita que pode ter contraído o vírus, ligue para o seu médico, não o visite, ou ligue para a Linha Direta Nacional do Coronavírus no número 1800 020 080.

Se você estiver com dificuldades para respirar ou sofrer uma emergência médica, ligue para 000.

A SBS traz as últimas informações sobre o coronavírus para as diversas comunidades na Austrália.

Notícias e informações estão disponíveis em 63 línguas no sbs.com.au/coronavirus

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