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Brasileira processa Estado português por manter migrantes em 'limbo jurídico' por falta de ação

Protesto de migrantes em Lisboa

Protesto de migrantes em frente ao parlamento em Lisboa: a iniciativa da ativista brasileira Amanda Abreu, que há 9 anos segue à espera de obter do Estado os documentos que estão na lei, alarga-se a prejuízos idênticos sofridos por estrangeiros em Portugal. Credit: Horacio Villalobos/Getty Images

A ativista Amanda Abreu recorre ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos contra o governo de Portugal pela alegada inércia sistemática das instituições públicas, que mantêm milhares de cidadãos estrangeiros sem documentação correta, o que acarreta consequências sociais severas.


O Estado português vai enfrentar uma ação judicial no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). Em causa está o incumprimento sistemático das próprias leis de imigração e a alegada inércia das instituições públicas, que mantêm milhares de cidadãos estrangeiros num "limbo jurídico" com consequências sociais severas.

A iniciativa, impulsionada pela ativista brasileira Amanda Abreu, nascida em Minas Gerais e há 9 anos à espera de obter do Estado português os documentos que estão na lei. A queixa alarga-se a prejuízos idênticos sofridos por estrangeiros em Portugal. A queixa baseia-se em mais de 200 testemunhos de diversas nacionalidades. O processo, foca-se naquilo que os promotores classificam como uma "obstrução de justiça" e uma violação dos direitos fundamentais previstos na Convenção Europeia dos Direitos Humanos.

O principal alvo das críticas é a AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo). Desde a extinção do SEF, a transição administrativa tem sido marcada por atrasos crónicos. Segundo os dados mais recentes recolhidos para esta ação, a agência herdou um passivo de mais de 350 mil processos pendentes, e a falta de critérios na triagem tem colocado no mesmo "pacote" renovações urgentes e novos pedidos de residência.

"O que exigimos é que o Estado cumpra a sua própria lei interna. A ausência de documentos significa, na prática, a invisibilidade social: sem médico, sem carta de condução e com famílias separadas", sublinha Amanda Abreu.

A situação não é apenas burocrática; é humanitária. A falta de documentação atempada impede reagrupamento Familiar e deixa crianças e cônjuges retidos nos países de origem por tempo indeterminado.

Também limita o acesso à Saúde pela dificuldade em obter o número de utente do SNS.

Nos direitos Laborais, apesar de muitos imigrantes descontarem para a Segurança Social, a falta do título de residência físico limita a progressão na carreira e o acesso a apoios sociais.

Por isso, por não resolver a situação de migrantes o estado português é processado no tribunal europeu dos direitos do homem. Iniciativa liderada pela brasileira Amanda Abreu.

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Um assunto que envolve imigração em Portugal. Uma brasileira processa o Estado

português no Tribunal Europeu por não resolver os direitos de imigrantes no

país. A acusação é que o governo empurra com a barriga os pedidos que estão com

atrasos crônicos, protelando decisões que afetam profundamente a vida de quem está a

requerer.

Quem traz as informações é o correspondente da SBS em português, em

Lisboa, Francisco Sena Santos.

É, Fernando e ouvintes da SBS. O Estado português vai enfrentar uma ação judicial

no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Em causa está o incumprimento, por parte

do Estado português, incumprimento sistemático das próprias leis de imigração

e a alegada inércia, ineficácia das instituições do Estado que, hã, mantêm

milhares de cidadãos estrangeiros num limbo jurídico com consequências

sociais severas. Esse limbo jurídico por não resolver os processos de legalização.

Esta iniciativa, o processo no Tribunal Europeu de Direitos do Homem, é

impulsionado pela ativista brasileira Amanda Abreu, nascida em Minas Gerais e há

nove anos em Portugal, à espera de obter do Estado português os documentos que

estão na lei. A queixa baseia-se em mais de duzentos testemunhos, outros tantos

casos de gente de diferentes nacionalidades. O processo foca-se naquilo

que os promotores classificam como obstrução da Justiça e violação dos

direitos fundamentais previstos na Convenção Europeia de Direitos Humanos. O

principal alvo das críticas é a AIMA, Agência para a Integração, Migrações e

Asilo, criada há dois anos. Desde a extinção então do SEF, o Serviço de

Estrangeiros e Fronteiras, a transição administrativa tem sido atribulada,

marcada por atrasos crônicos. Segundo os dados mais recentes, recolhidos para esta

ação judicial, a Agência AIMA herdou um passivo de mais de trezentos e

cinquenta mil processos que estão pendentes e a falta de critérios na

triagem tem colocado no mesmo pacote renovações urgentes e novos pedidos de

residência. Nada é despachado. "O que exigimos é que o Estado cumpra a sua

própria lei interna. A ausência de documento está a significar, na prática,

invisibilidade social. Sem médico, sem carta de condução, famílias separadas",

como sublinha a brasileira Amanda Abreu. A situação não é apenas burocrática, é

humanitária. A falta de documentação atempada impede, por exemplo,

reagrupamento familiar. Crianças e cônjuges ficam retidos nos países de

origem por tempo indeterminado, porque a situação não é resolvida em Portugal.

Também problemas no acesso à saúde, dificuldade em obter o número de

utilizador do Serviço Nacional de Saúde. Direitos laborais também são prejudicados.

Apesar de muitos imigrantes descontarem pra Segurança Social, a falta de título de

residência físico limita a progressão na carreira e o acesso a apoios sociais. Por

isso, por não resolver a situação de migrantes, o Estado português vai ser

processado no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, iniciativa liderada

pela brasileira de Minas Gerais, Amanda Abreu.

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