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Na Bienal de Coimbra 2026, a arte a sarar as feridas do mundo

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A Bienal de Arte Contemporânea em Coimbra está a ganhar dimensão internacional. A Manifesta, uma das grandes mostras europeias de arte contemporânea, decidiu que a edição de 2028 vai ser em Coimbra, juntando-se nesse ano as duas bienais.

'Segurar, Dar, Receber' é o lema da sexta edição da cada vez mais internacionamente respeitada mostra artística portuguesa, que tem início este fim de semana na Cidade dos Estudantes.


A arte contemporânea a mostrar as feridas do mundo – é o que a partir deste fim de semana e por três meses é mostrado na Bienal de Arte Contemporânea, em Coimbra e neste 2026 em 6ª edição.

A Bienal de Arte Contemporânea em Coimbra é já um dos grande acontecimentos artísticos em Portugal e a ganhar dimensão internacional, tanto que a Manifesta, uma das grandes mostras europeias de arte contemporânea, decidiu que a edição de 2028 vai ser em Coimbra, juntando-se nesse ano as duas bienais.

Os arquitetos Desiree Pedro e Carlos Antunes são os organizadores da Bienal de Coimbra, tem este ano por lema três palavras: Segurar, Dar, Receber.

A intenção é a de apelar à solidariedade e reciprocidade.

A Bienal tem ampla criação editorial e abre com um fim de semana de festa intensa a percorrer os oito lugares de Coimbra por onde a Bienal se distribui – o principal é o Mosteiro de Santa Clara com 2 longos corredores com 200 metros de extensão, especie de coluna vertebral a partir da qual se desenvolve a mostra.

Carlos Antunes, criador desta Bienal abre-nos aqui o programa do intenso fim de semana de abertura.

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É Fernando, e ouvintes de SBS, a arte contemporânea a mostrar as feridas do

mundo. É o que a partir deste fim de semana e por três meses é mostrado na

Bienal de Arte Contemporânea em Coimbra, no centro de Portugal, e neste ano de

2026, em sexta edição. A Bienal de Arte Contemporânea em Coimbra é já um dos

grandes acontecimentos artísticos em Portugal

e a ganhar dimensão internacional, tanto que a Manifesta, uma das grandes mostras

europeias de arte contemporânea, decidiu que a edição de 2028 vai ser

precisamente em Coimbra, juntando nesse ano as duas bienais, a de Coimbra e a

Manifesta. Os arquitetos Desiré Pedro e Carlos Antunes são os organizadores da

Bienal de Coimbra.

Tem este ano por tema três palavras: segurar, dar, receber. A intenção é de

apelar à solidariedade e à reciprocidade. A Bienal tem ampla criação editorial e

abre com um fim de semana de festa intensa a percorrer os oito lugares de Coimbra

por onde a Bienal se distribui. O principal é o vetusto Mosteiro de Santa

Clara, com dois longos corredores, cada um com duzentos metros de extensão. É uma

espécie de coluna vertebral a partir do qual se abre, é, o corpo da mostra que é a

Bienal. Carlos Antunes, criador desta Bienal de Arte Contemporânea,

abre-nos aqui o programa do intenso fim de semana de abertura.

Eu creio que vai ser uma, uma ina-início de Bienal bastante,

-bastante intenso, bastante ambicioso. -Costuma ser sempre.

É... Costuma ser sempre, mas eu este, este ano, por razões evidentes, porque vivemos

num momento de grande convulsão internacional,

é, e não podemos estar neutros. A neutralidade é uma posição

discutível nesta, nestas alturas do mundo e esta Bienal é tudo menos neutra sob o

ponto de vista político. Portanto, isto é, ela inicia

como um grito de reclamação de um mundo mais justo,

é, a partir de três núcleos, eu diria, fundamentais, ainda antes do mosteiro, que

é ele mesmo o núcleo central. O núcleo da Sereia, onde inicia,

é, esta exposição em torno das questões ligadas à Palestina.

-Na parte alta de Coimbra? -Na parte alta da, de Coimbra, na, na Casa

Municipal da Cultura,

com o, com o Thomas Demand, é um dos mais extraordinários artistas contemporâneos,

Forensic Architecture, um grupo que tem tratado as questões das desigualdades a

partir dum processo analítico com base na arquitetura e métodos de, de investigação

científica,

é, tentando escalpelizar os, as razões pelo qual nós vivemos situações de tamanha

desigualdade.

Tahir Batnirji, um, um artista palestino com uma peça notável que recolhe, na

verdade,

fotografa uma série infinita de chaves de casas que já não existem, casas da

-Palestina que foram destruídas. -Em Gaza, na Faixa de Gaza.

Em Gaza.

É uma peça, é uma peça muito comovente porque, de facto, a partir daquelas chaves

nós podemos imaginar a tragédia da destruição de um território, de uma

-cultura e de um povo. -Fica desde já a ideia forte de, é,

-celebração da, da Palestina nesta Bienal. -Absolutamente, absolutamente,

absolutamente. Diria que esta Bienal é um grito contundente contra as desigualdades

do mundo. Ou seja, não é possível ser neutros neste-- nunca é possível, em

alturas de grande conflitualidade, é absolutamente indesejável.

Um eco do, um eco do clamor do Papa no, no dia de Páscoa.

Absolutamente. É alinhado com esse sentido de reclamar para nós a dignidade que, que

uma Bienal se deve fazer também.

Este é o núcleo inicial. Descemos às-- à uma e meia da tarde, portanto começa, de

facto, muito cedo, porque é tão longo o programa que tinha que ter que começar à

-uma e meia da tarde. -À uma e meia da tarde deste sábado.

Deste sábado. Descemos para a sala da cidade, onde está um vídeo extraordinário

da Nan Goldin,

é, uma das mais respeitadas artistas contemporâneas, ju-judia, mas que também

reclama e tem lutado na sua condição de, de judia contra as desigualdades e contra

as barbaridades nos, nos, nos territórios, enfim, do Médio Oriente. Um vídeo que eu

recomendo vivamente. Eu diria que quase valia a pena vir de qualquer parte do

mundo para ver este vídeo tão potente e tão extraordinário.

-E que horas começou? -Ele é. E depois, um momento que eu acho

que vai ser absolutamente marcante, que é uma performance do Vasco Araújo, que, que

foi feita duas vezes. Foi feita em Lisboa, no Mate,

com um grupo mais ou menos reduzido de pessoas. Foi feita na Bienal de Pontevedra

e vai ser feita em Coimbra, que eu acho que vai ser, de facto, um momento glorioso

e vai ser com muito maior escala,

que é, na verdade, um corso em que se cantará o Va, Pensiero, é, do Nabucco.

-Nabucco, de Verdi. -Nabucco, de Verdi. É, e acho que é, de

facto, um grito contra as desigualdades e contra a opressão dos oprimidos.

-Dezenas de pessoas? -Centenas de pessoas.

-Centenas de pessoas. -Nós contamos pelo menos com duzentas

pessoas, é,

muito feita a partir dos coros da cidade. Coimbra tem um número extraordinário de

coros, mas também todos aqueles que se queiram voluntariamente juntar. Temos na

sala um dos voluntários que farão este percurso desde a Igreja de Santa Cruz até

à, ao Mosteiro de Santa Clara. É uma espécie de recriação laica-

-Uma procissão. Procissão laica. -Da procissão de, de, de, da Rainha Santa.

Portanto, esse, todo esse imaginário nos interessa. E a Bienal também serve para

repensarmos a própria iconografia da cidade,

não, não de uma forma mimética, mas de uma forma inventiva.

É, e nesse momento em que chegarmos ao mosteiro, haverá um brevíssimo momento de

boas-vindas e abre-se as portas do mosteiro e a Bienal, enfim, continuará

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