Um terraço na cobertura de um prédio na maior favela do Brasil, com mais de 72 mil habitantes, tornou-se ponto de parada para visitantes estrangeiros. Nas imagens, turistas caminham pela laje enquanto drones capturam vistas panorâmicas da comunidade.
O local ganhou projeção nas redes sociais a partir de 2025 e, desde então, passou a figurar entre as atrações mais comentadas da cidade.
O movimento é visível no dia a dia. Filas se formam à espera de acesso ao terraço, num fluxo crescente que acompanha a expansão do turismo na Rocinha. Em fevereiro de 2026, a comunidade recebeu cerca de 41 mil visitantes, consolidando-se como um dos principais destinos de turismo comunitário no país.
Ao mesmo tempo, a popularidade dos vídeos reacendeu críticas. Para alguns, a prática transforma a desigualdade social em espetáculo, criando um “contraste exótico” pensado para consumo nas redes. As imagens de turistas posando em lajes, muitas vezes com drones sobrevoando, alimentam o questionamento sobre os limites entre visibilidade e exploração.
Do outro lado, guias e moradores defendem a atividade. Organizadores de passeios rejeitam a ideia de romantização da pobreza e afirmam que o turismo gera renda, emprego e novas narrativas sobre a comunidade, para além dos estereótipos associados à violência.
Renan Monteiro, fundador da companhia Na Favela Turismo, diz que a experiência vai muito além da gravação de vídeos.
"É todo o contexto: o passeio com o guia, o guia acompanhando os visitantes pelo trajeto e mostrando o que há de bom em nossa comunidade. Quando você vende a experiência com drone, não se trata apenas do drone.
Quando dizem que estamos romantizando a pobreza, não estamos. Estamos trabalhando aqui com dignidade. Dezenas de pessoas estão envolvidas neste trabalho. E o principal objetivo de tudo isso é mostrar o lado positivo da favela. Todos querem crescer e talvez sair daqui um dia também.Renan Monteiro, Fundador da companhia Na Favela Turismo
"É todo o contexto que o envolve: o passeio com o guia, o guia acompanhando os visitantes pelo trajeto e mostrando o que há de bom em nossa comunidade, e quando eles chegam aqui, o dono do terraço também faz parte disso. Estamos criando empregos para essas pessoas, então é toda uma cadeia. Não é apenas o vídeo com drone, há muito por trás disso," disse.
O crescimento do turismo liderado pela própria Rocinha reflete um esforço de empreendedores locais para mostrar uma imagem mais ampla do território, ao mesmo tempo que respondem ao interesse crescente de visitantes por experiências fora dos roteiros tradicionais do Rio.
Há também histórias que ajudam a alimentar o fascínio em torno do local. Monteiro menciona um relato sobre o antigo morador que costumava receber turistas no terraço e que morreu pouco antes dos vídeos viralizarem, acrescentando uma camada simbólica à popularidade recente do espaço.
"Não sei como aconteceu, mas existe uma história muito intrigante que diz que o 'senhor Raimundo' costumava sentar naquela cadeira e receber os turistas aqui, e ele faleceu pouco antes do vídeo viralizar, então há algo um pouco místico nisso," diz Renan.
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