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Milena Pires: da ONU para o debate presidencial em Timor Leste

Eleitores timorenses na fila para votar nas eleições parlamentares de 2018. Em 2022 a população do Timor Leste vai escolher o(a) novo(a) presidente. Source: EPA/ANTONIO DASIPARU

Depois do anúncio da candidatura de Milena Pires à presidência do Timor Leste, agora há duas mulheres na linha de partida para a corrida presidencial timorense.

Timor-Leste vai ter eleições presidenciais necessariamente no primeiro trimestre do ano que vai entrar. Vai ser eleita a sétima personalidade a assumir o cargo de presidente da República democrática de Timor Leste em 20 anos de independência – árdua e heroicamente conquistada.

Esta campanha presidencial timorense promete ser plural e as novidades sobre candidaturas fazem crer que há condições para bom debate, com argumentação rica, na campanha que aí vem. Já se sabia de duas candidaturas.

Uma estava anunciada há seis meses, é a de Armanda Berta dos Santos, atual vice primeira-ministra. Este anúncio no começo de julho, valeu a Berta dos Santos a crítica de vários setores políticos que a acusam de falta de ética por, apesar de candidata presidencial, manter o cargo de vice primeira-ministra e os privilégios que esta função lhe concede.

Também já estava anunciada a candidatura de Virgilio Guterres, um veterano da Resistência, membro da RENETIL, tem no percurso 3 anos de prisão política em Cipinang.

Agora, é conhecida uma terceira candidatura presidencial: Milena Pires. É mulher, 55 anos, diplomata, embaixadora de Timor na ONU cargo de que pede escusa de funções, precisamente por coerência, por ser candidata presidencial.

Milena Pires tem percurso político foi deputada pelo PSD timorense, exerceu funções de assessoria técnica no governo de Timor. Mas é como independente, sem aparelho partidário a enquadrá-la que (sabe a SBS) vai candidatar-se a Presidente da República de Timor Leste, numa candidatura que assume suprapartidária.

Milena Pires candidata-se em resposta a um apelo de jovens timorenses. Assume que a decisão de candidatar-se “nasce também da preocupação (que tem) em contribuir para que a população em Timor-Leste consiga uma vida digna numa sociedade inclusiva, equitativa e mais justa e solidária.” Pretende conduzir “a mudança e a transformação que [os jovens e as outras gerações] aspiram na política e na vida social e económica de Timor-Leste”. Milena Pires insiste que “é necessário levar a presidência para o povo, para que se sinta acarinhado e não abandonado”

Formada em direito, Milena Pires faz parte da geração seguinte em Timor, a geração dos filhos dos combatentes na luta pela libertação de Timor.

É uma das caraterísticas que marcam a diferença em relação aos seis homens que nestas duas décadas assumiram a chefia do Estado timorense.

O primeiro foi Xanana Gusmão. Depois Ramos Horta, Taur Matan Ruak, Lu Olo (atual presidente), também Vicente Guterres e Fernando “Lasama” Araújo.

Milena Pires parte para esta candidatura com desvantagens: para além de não ter uma máquina partidária a puxar por ela, é pouco conhecida pela população do interior, embora com vasto percurso como ativista, sobretudo pelos direitos humanos, também pelos direitos das mulheres, portanto, combatente pela igualdade de género.

Advogada por formação, Milena Pires integrou equipas de vários ministérios, designadamente Comércio, Indústria e Ambiente. Agora, cessa funções como representante de Timor nas Nações Unidas para se candidatar à presidência da República de Timor Leste.

O processo eleitoral terá de ser lançado nos próximos dias, porque está previsto que a nova presidência tome posse em 20 de maio, aniversário (o dia dos 20 anos) da independência da República de Timor Leste.

No Estado português onde está viva a raiz da ligação a Timor, tão exaltante nos tempos da independencia, este processo eleitoral é seguido com carinho, o presidente de Portugal vai estar em Timor em 20 de maio, e uma alta fonte diplomática comentou com declaração de esperança, uma afirmação de Zacarias da Costa que, sendo ex-ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste e actual secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, também é marido de de Milena Pires. Zacarias da Costa disse em entrevista ao jornal Público que Timor “precisa de uma regeneração política, o mais depressa possível”.

Salvaguardando sempre o princípio da não ingerência nas escolhas do povo de um estado soberano como é Timor, há o reconhecimento entre especialistas na análise de Timor entre a diplomacia portuguesa de que esse novo começo é uma grande oportunidade para Timor.

Falta ainda conhecer quem serão outros candidatos a esta próxima eleição presidencial timorense. Também falta saber se Xanana Gusmão vai apoiar alguma candidatura.

Por agora, três nomes na grelha de partida prometem pluralidade nas escolhas, com candidaturas assentes nos aparelhos partidários, mas também com programa suprapartidário  como a agora anunciada candidatura de Milena Pires.

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