Resumo
- Rede atuava no Brasil para aliciar mulheres para serem exploradas sexualmente na Austrália e em outros países.
- 'Lucas', na Austrália, e o irmão 'Thomas' no Brasil, estariam envolvidos na operação desmotanda pela Polícia Federal brasileira
- Advogado Valmor Gomes Morais, obteve acesso aos processo e explica como a operação funcionava
Lucas, que não é seu nome verdadeiro, seria o líder da rede internacional de tráfico de mulheres brasileiras que teria como destino as maiores capitais australianas, Melbourne, Sydney , Brisbane, Perth.
A rede internacional de prostituição de mulheres descoberta pela polícia brasileira, teria inclusive conseguido burlar o esquema de imigração australiano para contrabandear as brasileiras para a Austrália.
A polícia brasileira denunciou que o cidadão conhecido como 'Lucas' — a SBS em Português entende que esse não é seu nome verdadeiro — seria o líder dessa operação, apoiado por seu irmão que usa o pseudônimo de 'Thomas' e que está no Brasil.
Os autos do processo que corre no Tribunal Regional Federal, 1a Vara Federal da cidade de Sorocaba, interior do estado de São Paulo no Brasil, alegam que "Lucas atua na Austrália, local de onde é responsável pelo gerenciamento do esquema de tráfico de pessoas para exploração sexual”, além de “obtenção de vistos de turista para vítimas brasileiras de exploração sexual”.

As mulheres ligadas ao esquema receberam inclusive um roteiro escrito, sobre o que dizer às autoridades de segurança de fronteira caso fossem questionadas sobre o motivo da viagem para a Austrália.
Os documentos sugerem que as autoridades australianas não tinham ideia do que estava acontecendo até que a polícia brasileira fez uma série de prisões em abril de 2021, na operação conhecida como Nascostos de clonagem de cartãos falsos.

"A operação invetigava o crime de clonagem de cartões quando descobriram esse esquema de prostituição internacional," explica o advogado Valmor Gomes Morais, ex-cônsul do Brasil em Queensland, que teve acesso aos autos do processo.
Uma investigação de um pool de canais da imprensa australiana, formada pelos jornais The Age, The Sydney Morning Herald e o jornal 60 minutos, obteve transcrições de mensagens e conversas do WhatsApp, os telefones celulares foram apreendidos pela polícia brasileira.
Lucas teria sido responsável por “organizar os detalhes logísticos da operação, como recepção das vítimas de exploração sexual, acomodação, transporte e captação de clientes”.

Lucas é alvo de um Aviso Azul da Interpol, ou seja, deve ser vigiado e monitorado pelas polícias de ambos os países, e também é acusado de transferir dinheiro obtido com o esquema na Austrália de volta aos comparsas no Brasil.
Confira a entrevista completa com o o advogado Valmor Gomes Morais, ex-cônsul do Brasil em Queensland, sobe como a operação era feita.
"O sindicato teria conseguido os vistos usando documentação falsa, como comprovante de renda e vínculos empregatícios fictícios, explica Valmor.
De acordo com as transcrições de conversas entre Lucas e os chefes do sindicato brasileiro, obtidas pela imprensa australiana, o braço australiano do sindicato exigia que as brasileiras pagassem uma taxa inicial de US$ 2mil para entrar na Austrália.
Os traficantes brasileiros supostamente receberiam US$500 por semana dos ganhos das mulheres, que também pagariam metade de cada dólar que ganhassem aos gerentes do esquema australiano.

O Departamento de Assuntos Internos, procurado pela imprensa, não quis se pronunciar.
Fonte das duas imagens de transcrição das mensagens de whatspp: The Age.
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