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Do Capão Redondo para Hollywood, via Austrália: Will Santana está no elenco da comédia 'Balls Up'

Will Santana e Sacha Baron Cohen

Will Santana e Sacha Baron Cohen nos bastidores das gravações de 'Balls Up': o brasileiro faz o papel de Benício, ajudante de ordens do líder da gangue interpretado pelo comediante famoso pelo personagem 'Borat'.

O brasileiro que chegou como estudante internacional a Down Under e trabalhou em obra e entregas aos poucos conseguiu cavar seu espaço no audiovisual do país, com participações em duas séries e inúmeros comerciais de tevê. Agora, Will Santana fez parte do elenco de apoio da comédia americana gravada em Gold Coast, trabalhando com Mark Wahlberg, Sacha Baron Cohen e o diretor Peter Farrelly. Ele nos conta como foi a experiência.


A comédia hollywoodiana Balls Up estreou na quarta-feira no streaming da Prime Video. No Brasil, o filme ficou com o nome de "Bola Pra Cima", e é justamente o Brasil o palco do enredo.

Will Santana
Will Santana interpreta Benício, ajudante de ordens do líder de gangue Pavio Curto, interpretado por Sacha Baron Cohen. O filme se passa no Brasil, mas foi em grande parte filmado na região de Gold Coast (QLD).

Os personagens de Mark Wahlberg e Paul Walter Hauser são dois executivos de marketing de uma empresa de camisinhas que patrocinam uma hipotética copa do mundo de futebol no Brasil. Mas algo dá muito errado e eles passam a ser perseguidos, em especial por um líder de gangue interpretado pelo comediante inglês Sacha Baron Cohen, famoso pelo personagem Borat. No elenco principal há também a atriz portuguesa Daniela Melchior.

Balls Up é dirigido por Peter Farrelly, que produziu comédias populares do cinema americano como "Debi e Loide" e "Quem vai ficar com Mary".

Balls Up
'Balls Up', ou 'Bola pra Cima' no nome brasileiro, é dirigido por Peter Farrell, conhecido por 'Débi & Lóide' e 'Quem Vai Ficar com Mary', entre outras comédias. Paul Walter Hauser e Mark Wahlberg são os atores principais.

Apesar de a trama se passar no Brasil, o filme foi quase inteiramente gravado em Queensland, palco de dezenas de filmes de Hollywood nos últimos anos. E, no elenco de apoio, contou com o ator brasileiro Will Santana, paulistano que mora na Sunshine Coast. Conversamos com o Will.

As gravações eram muito engraçadas. Quando o Sacha (Baron Cohen) começa a improvisar, não para. O diretor deixava continuar e ele ficou uns 25 minutos improvisando, e a gente querendo rachar o bico com a produção do fundo dando risada. Quando o Peter (Farrely) falou: "corta", meu Deus, todo mundo caiu no chão pra rir. É a cena na qual a gente captura o personagem do Mark Wahlberg.
Will Santana, sobre as gravações.

De estudante internacional às séries e comerciais da tevê.

Nascido e criado no Capão Redondo, periferia de São Paulo, Will tinha uma carreira low profile como ator de teatro no Brasil. Em 2013, arrumou as malas pra tentar a sorte na Austrália, onde fez um pouco de tudo: trabalhou em restaurante, obras, dirigiu carro de aplicativo, e pensava que os tempos de atuação tinham ficado para trás.

(No início) trabalhei em obra, restaurante, delivery, de Uber... hoje tenho um restaurante em Sunshine Coast e uma academia de artes marciais, que terá agora capoeira, porque eu quis muito trazer algo da nossa cultura. Dou aula de jiu-jitsu e fico no restaurante. Quando tem 'auditions', graças a Deus consigo organizar o meu tempo.
Will Santana.

Porém, uma oportunidade surgiu e ele agarrou, com uma ponta na série australiana "The Other Guy". E aí as portas começaram a se abrir.

De lá pra cá, fez o papel de um imigrante ilegal brasileiro na série "The Twelve", e dezenas de comerciais para marcas famosas. "Balls Up" é sua primeira participação em uma produção de Hollywood.

Paul Walter Hauser, Mark Walhberg e Will Santana
Paul Walter Hauser, Mark Walhberg e Will Santana nos bastidores da gravação de 'Balls Up', em Gold Coast.

Também passou a ser requisitado em comerciais da televisão e internet em inúmeras marcas relevantes no país - talvez você já tenha visto o rosto dele por aí.

Neste papo com a SBS em Português, Will Santana conta como é trabalhar com gente do tamanho de Mark Wahlberg e Sacha Baron Cohen. Também contextualiza como aquele estudante internacional vindo de uma quebrada latino-americana consegue cavar o seu espaço na indústria audiovisual de ponta do outro lado do planeta.

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What is happening here? What do we- I don't know, but I can't look away.

-Is Steve from HR here? -I didn't invite him. Ugh, the fun police.

Uh,

actually, I'm here.

Oh.

Este som que estamos ouvindo é o trailer da comédia de Hollywood Balls Up, que

estreou nesta quarta-feira no streaming da Prime Video. There's no better designer

than you, Elisha, but there's no better salesman than Brad.

No Brasil, o filme ficou com o nome de Bola Pra Cima e é justamente o Brasil

palco do enredo.

Os personagens de Mark Wahlberg e Paul Walter Hauser são dois executivos de

marketing de uma empresa de camisinhas que patrocinam uma hipotética Copa do Mundo

de futebol no Brasil. Mas algo dá muito errado e eles passam a ser perseguidos, em

especial por um líder de gangue interpretado pelo comediante inglês Sacha

Baron Cohen, famoso pelo personagem Borat.

Had to be our mascot, not some hot dog.

No elenco principal, também a atriz portuguesa Daniela Melchior.

Balls Up é dirigido por Peter Farrelly, que produziu comédias populares do cinema

americano como Debbie Lloyd e Quem Vai Ficar com Mary.

Apesar de a trama se passar no Brasil, o filme foi quase inteiramente gravado em

Queensland, palco de dezenas de filmes de Hollywood nos últimos anos, por conta,

entre outras coisas, de benefícios fiscais.

E no elenco de apoio, Balls Up contou com o ator brasileiro Will Santana, paulistano

que mora na Sunshine Coast. É dele que vamos falar agora.

This is madness.

-We're gonna die out here, aren't we? -Nascido e criado no Capão Redondo,

periferia de São Paulo, Will tinha uma carreira como ator de teatro no Brasil. Em

2013, ele arrumou as malas pra tentar a sorte na Austrália, onde fez um pouco de

tudo. Trabalhou em restaurante, obras, dirigiu carro de aplicativo e pensava que

os tempos de atuação tinham ficado para trás. Mas uma oportunidade surgiu e ele a

agarrou com uma ponta na série australiana The Other Guy. E aí as portas começaram a

se abrir.

De lá pra cá, Will fez o papel de um imigrante ilegal brasileiro na série The

Twelve e dezenas de comerciais para marcas famosas. Balls Up, ou Bola Pra Cima, é a

sua primeira participação em uma produção de Hollywood.

Conversamos com Will Santana e aqui ele conta como é trabalhar com gente do

tamanho de Mark Wahlberg e Sacha Baron Cohen. Ele também contextualiza como

aquele estudante internacional vindo de uma quebrada latino-americana conseguiu

cavar o seu espaço na indústria de audiovisual de ponta aqui do outro lado do

planeta. Com vocês, Will Santana.

Will Santana, é um prazer ter você conosco da SBS mais uma vez. A gente vem

conversando contigo desde 2019. Obrigado por sua participação aqui conosco.

Obrigado você, Fernando, mais uma vez pelo convite. É sempre uma honra falar com

vocês da SBS Português.

Tô muito feliz com esse novo projeto aí pra gente bater um papo.

Conta pra gente, você

participou do Balls Up, que no Brasil será chamado de Bola Pra Cima.

Conta resumidamente pra gente qual é a proposta da trama e conta um pouco do teu

personagem, o Benício.

É uma comédia no qual a gente já tá sentindo falta há muito tempo, uma comédia

bem engraçada, bem escrachada mesmo. Pra ser sincero, a última comédia boa mesmo de

dar risada

que eu assisti foi o Hangover, né? E essa agora, não é porque eu faço parte do

projeto, mas veio pra

surpreender ainda mais. E se passa numa Copa do Mundo, que acontece no Brasil.

-Hipotética, né? -Hipotética, é.

E dois amigos, empresários, investidores querem desenvolver um produto

e acabam entrando em enrascada e acontece muita coisa engraçada. E eu espero que

todo mundo se divirta muito, porque eu me diverti à beça gravando. Foi muito bom

mesmo.

E sobre o meu personagem, o Benício, eu não posso dar muito spoiler, mas eu faço

parte de um, de uma gangue, que quem é o, o chefe da gangue é o, o Sacha Baron

Cohen, pra quem aí deve conhecer como o Borat. Foi um prazer enorme trabalhar com,

com essas pessoas, o Mark Wahlberg, o Sacha, o Paul Walter, sendo dirigido pelo

Peter Farrell. Foi, assim, muito gratificante e vou dizer que foi

fácil, porque eu entrei num time já de alto nível, foi simplesmente jogar a bola,

matar no peito e sair jogando. Foi muito, muito, muito bom mesmo. E, e é risada

-garantida. -O elenco tem Mark Wahlberg e o Paul Walter

Hauser nos papéis principais, tem o Sacha Baron Cohen e a portuguesa Daniela

Melchior também, né? Eu quero saber com você como é trabalhar com esse povo,

assim, como era a relação com eles, como funcionava a dinâmica.

De início, como que eu vou lidar quando eu ver o Mark Wahlberg? Será que eu vou

gravar com o Mark Wahlberg? Será que eu vou falar com o Sacha? E cê fica meio

apreensivo, né? Como é que ele-- eles vão me tratar e tudo. E quando chegamos lá,

toda a produção nos trataram muito bem, como deveria ser mesmo.

O próprio Mark, ele,

assim que soube das cenas que iríamos contracenar juntos,

ele veio, conversou, perguntou: "E aí, como é que cê tá? Tudo bem?" Então ele já,

logo de início, já deixou tanto eu como os outros rapazes que fizeram parte do

grupo de filmagem dessa gangue, né, dos Henchmens,

já foi deixando mais tranquilo, já foi deixando bem mais calmo. E o Peter

Farrell, é inacreditável

como esse cara consegue dirigir fácil e entregar exatamente o melhor do ator.

Então,

a gente só precisava estar lá preparados, concentrados e dar o nosso melhor. Tava um

clima tranquilo, tava um clima bom, tanto entre os atores como com a produção. A

gente gravou muito com o Mark e com o Paul, né?

E aí chegou o momento de gravar com o Sacha, e aí todo mundo: "Caramba, o Sacha

Baron vai chegar, vai chegar, é o homem, é o homem."E aí

ele chega

e ele na hora de gravar assim, ele se transforma de um jeito e faz muitas,

muitas piadas engraçadas.

E aí na hora que ele sai de cena, ele já parece que é outra pessoa assim, aí cê

fica meio: "pô, será que ele é, é muito sério? Será que ele é muito bravo?" E aí

quando pensou que não, o cara tá chamando você pra ensinar samba, pra ensinar o

português, pra ensinar coisas do Brasil. Então ficou um clima muito, muito legal.

Até hoje, é, eu agradeço que a gente tem contato com o Sacha, com, com o Paul

Walter pelo WhatsApp, é algo que eu nunca imaginei na minha vida ter.

Tô muito ansioso pra ver o f-o filme, espero que todos vocês se divirtam e eu

não tenho dúvida que será algo muito, muito, muito legal mesmo.

O filme ele foi gravado em Queensland, ao menos parcialmente, né? Conta pra gente

exatamente onde foi gravado, em qual estúdio aí, em qual região e quanto tempo

-demorou. -A produção toda demorou por três meses. Eu

gravei por um mês

e foi na região de Gold Coast, algumas coisas em Brisbane, uma cena ou outra em

Ipswich, se eu não me engano, mas eu não fiz parte dessa cena. Mas a maioria foi

Gold Coast, nos estúdios de Gold Coast e na região. E assim que eles terminaram o,

o filme, algumas cenas, poucas, foram gravadas lá no Brasil mesmo. Eles pegaram

algumas imagens do estádio, algumas cenas assim reais mesmo do Brasil. Mas o cenário

que eles fizeram aqui, que tudo, to-todo pra produção pra fazer realmente parecer o

Brasil foi algo incrível, foi muito bom.

Perfeito. Tem alguma história engraçada, alguma situação pitoresca que tenha

acontecido aí que, que você possa compartilhar?

Pô, história engraçada, pitoresca.

As gravações todas eram muito, muito engraçadas, né, cara. Uma das cenas que eu

agora acho que eu não posso falar, é com o Sacha, que ele quando começa a

improvisar, ele não para. E aí o diretor falava pra todo mundo: "deixa ele ir,

deixa ele continuar". E aí ele ficou pelo menos por uns 25 minutos improvisando e a

gente querendo rachar o bico. A gente escutava a produção lá do fundo dando

risada, e todo mundo: "psh, fica quieto, fica quieto.

Deixa o homem soltar as piadas". E aí quando o Peter falou: "corta, meu Deus",

todo mundo caiu no chão assim de dar risada, de chorar. Então eu tô muito

curioso pra ver a cena no qual a gente

-captura o Mark. Meu, é muito engraçado. -Ele é famoso por isso, né, o Sacha Baron

Cohen, é, de, de ser um cara com uma capacidade de improvisação. O Borat e o

Bruno são dois filmes que muito se fiam nisso, né? Eu imagino que seja um

aprendizado enorme pra você ver isso acontecer na sua frente.

Sim, sim. Foi muito bom porque eu consegui ver vários tipos de atuação. Tanto o

Sacha fazendo improvisação de todas as cenas dele, como o Mark. O Mark ele é

al-alguém muito concentrado. Todos são muito profissionais, mas o Mark ele vai na

linha assim, na risca. Ele-- se você falar pra ele: "corta, Mark, a gente vai

voltar exatamente naquele ponto que cortamos", ele sabe exatamente onde que

tava o dedo mindinho dele. Então ele tem um controle do corpo dele, das falas, do

movimento, de tudo, que é impressionante. Então pra mim foi muito bom. Eu aprendi

muito e agradeço muito pela oportunidade, porque, é, vou levar pra sempre, cara.

Will, você já atuava no Brasil, né?

Conta pra gente um pouco do que você fez lá antes de migrar pra Austrália.

Trabalho como ator desde o ano 2000, como profissional.

E eu tinha 23, 24, por aí. E aí, no

Brasil eu trabalhei muito com teatro. Eu viajei o Brasil, viajei São Paulo e

região, interior, tudo fazendo muito teatro escola, teatro empresa,

teatro educacional.

E eu não tinha muito o foco da, da TV e cinema no Brasil, apesar de ter feito

alguns trabalhos lá,

porque o teatro me deixava muito ocupado, era o que me dava o dinheiro no Brasil,

né? Graças a Deus, amo teatro

e peguei uma paixão muito grande pelo cinema,

mais quando eu vim aqui pra Austrália, porque pra fazer o teatro eu tinha um

bloqueio, até porque eu vim pra cá sem o inglês.

No começo, quando eu fazia as auditions, né,

era um, um problema por causa da, do meu accent. E eles sempre pedem pra você fazer

o American accent ou o Australian accent. E eu

sempre vou ter um, um South American accent. Por mais que eu tente, por mais

que eu fa-- eu faço accent reduction, eu estudo, ainda tento fazer a minha evolução

com a língua inglesa, mas ainda continuo tendo.

E eu, e eu acho que eu quero continuar tendo o meu, meu accent, porque isso é um

diferencial pra mim. E no teatro, acabou que aqui na Austrália

eu tive um pouco mais de dificuldade pra conseguir entrar. Mas em outra mão, não é

que foi fácil, mas eu tive um pouco mais de abertura pra poder entrar no cinema, em

fazer comerciais, fotografia, outras coisas que no Brasil eu não tive muito

tempo pra fazer.

-Você migrou pra Austrália em que ano? -Em 2013.

Então você tá aqui há 13 anos agora.

-Imagino que você fez de tudo, né? -Nossa, eu já tive várias profissões aqui.

Trabalhei em obra, trabalhei em restaurante, trabalhei

em delivery, trabalhei de Uber. [riso] Trabalhei de tudo que cê pode imagina--

posso imaginar. E hoje em dia eu tenho um restaurante chamado La Casa Beach Bar, em

Mooloolaba Beach, aqui em Sunshine Coast.

E além do restaurante, eu tenho também uma academia de artes marciais, boxe, MMA e

jiu-jitsu. E vai começar agora a capoeira, porque isso foi algo que eu quis muito

trazer a nossa cultura, capoeira. Consegui achar um pessoal legal pra introduzir a

capoeira pra galera.

E eu dou aula de jiu e fico no restaurante e fa-- quando tem as minhas auditions,

quando tem os meus trabalhos, graças a Deus eu consigo organizar o meu tempo.

Aqui na Austrália, enquanto você fazia todas essas profissões pra pagar suas

contas,

você perseguiu a sua paixão, que é atuar.

Você chegou a atuar numa série chamada The Other Guy e depois na The Twelve, na qual

você interpretava o imigrante ilegal brasileiro que passava por um acidente de

trabalho e era sacaneado pelos patrões, que resumidamente é isso, né?

-Exatamente. -Como você conseguiu entrar nesse mercado?

Existe um bloqueio enorme, aí, uma dificuldade enorme. Conta pra gente como

foi esse processo de conseguir romper essa barreira.

Interessante. Eu não sei muitas pessoas quais são os caminhos delas, mas eu tinha

meio que desistido de seguir a carreira de ator aqui na Austrália

e eu já tinha decidido que eu ia ficar. Eu tenho uma filha aqui, agora tô com a

minha outra filha e eu falei: "meu, tô com a minha família aqui e eu vou fazer de

tudo pra poder ficar por aqui e dar certo".

E aí, como eu não estava conseguindo entrar no audiovisual, no teatro, eu

falei: "vai ser muito difícil, porque o meu accent vai ser uma pedra pra eu poder

furar". E então

eu comecei a fazer vários outros tipos de trabalho e um dia, um amigo meu, o

Morganti, nunca vou esquecer isso, sempre vou citá-lo, mandou pra mim no, no, no

WhatsApp, falou: "Will, agora chegou sua vez, cara.

Olha aqui, ó, tão precisando de sul-americanos".

Aí eu li,

eu já tinha cadastro em todo-- no, na onde eles tavam pedindo pra mandar o material.

Mandei

meio que desacreditado, assim. Já tava conformado comigo mesmo que eu

não, não iria correr tanto pra fazer arte aqui na, na Austrália, até porque eu já

tinha percorrido muito tempo no Brasil e foi muito difícil conseguir conquistar

alguma coisa lá. Eu tava até bem lá.

Quando eu vim pra Austrália começar do zero, eu pensei: "vai ser muita, muita

coisa".

E aí quando eu fiz esse teste, foi pra um personagem já com falas

e grande, o personagem grande, devia participar de uma série chamada The Other

Guy, participando de seis episódios

e eu peguei o personagem. E a partir desse momento que eu peguei esse personagem, eu

fiz muitos contatos com a produção. O autor e o, o ator principal, que é o, o

Matt Okine,

ele é meu amigo pessoal hoje. Então quando surgiu algumas outras oportunidades que

ele sabia que era o meu perfil, ele falava: "pô, eu conheço o Will. Pessoal,

dá a chance pro Will, ele é muito bom".

E aí teve a, a Gracie Otto, que era a diretora também, que ela além de fazer a

série, ela fazia vários comerciais e em um dos comerciais ela me mandou mensagem,

falou: "Will, tô com seu material aqui, já vou falar pra eles que eu quero você".

Então começou a me abrir portas, né? As pessoas começaram a conhecer o Will. E aí

depois disso, meu agente também começou a acreditar no meu potencial. Então ele

começou a me encaminhar pra mais trabalhos. Ele começou a ver que eu

comecei a pegar vários comerciais, peguei uma série, ele falou: "não,

vou começar a mandar o Will pra

praticamente tudo que eu receber aqui". E eu comecei a pegar muito trabalho.

Tanto é que eu mudei de agente faz uns dois anos, mais ou menos. E esse meu novo

agente, que é o Frank Hansen, ele pediu pra gente ter uma estratégia. E ele falou:

"Will, você já fez muito comercial.

Você precisa parar um pouco com o comercial. Sua imagem precisa ficar um

pouco desvinculada de algumas marcas, até pra daqui algum tempo você poder voltar a

fazer mais comerciais, fazer mais dinheiro, porque realmente

é uma grana boa, mas você já tem muito contrato, pode dar conflito de interesse,

outras coisas, então

dá um break". E aí foi nesse break que eu comprei o restaurante

e eu comecei a trabalhar muito, muito, muito. Isso eles me mandando pra vários

testes de filmes ainda. O ano passado eu mandei mensagem pra eles e falei: "ó, faz

pelo menos uns dois anos aí que eu não tô fazendo comerciais,

bora continuar fazendo?" E eles falaram: "agora pode continuar". Então a partir do

ano passado até agora, voltei a fazer vários comerciais e fui pegando filme,

peguei duas séries, o The Twelve, que passou na Foxtel and Binge, do imigrante

ilegal,

que também teve uma visibilidade muito boa, era um personagem um pouco menor do

que o, o da primeira série,

mas que teve uma visibilidade enorme, assim, até por causa do elenco. A Foxtel

and Binge ganhou premiação no AACTA Awards. E aí depois desse filme, um short

filme com o Carlos Sansoni, que foi pra Cannes, que foi pra vários lugares aí, foi

premiado. E aí surgiu, graças a Deus, a oportunidade de um filme de Hollywood.

E tamo aí. Falo sempre, né?

A gente tem que tá preparado, porque a gente nunca sabe quando vai chegar essa

-oportunidade. -Will, o The Other Guy,

-resume pra gente um pouco do enredo. -O The Other Guy, ele passa na Eastern

Australia.

É uma série de relacionamento, um cara que vai ter um filho e, e tá desempregado e

briga com a mulher. Conta a história mais ou menos real da vida do autor. O Matt

Okine é um comediante muito famoso aqui na Austrália

e ao mesmo tempo que tem esse drama familiar, esse drama de relacionamento,

ele também tem a parte de comédia. Então é mais uma comédia que eu faço aqui na

-Austrália. -Maravilha. E quais empresas cê já fez

comercial? Eu sei que é um monte, porque eu te sigo no, no Instagram, mas meu, só

pra você dar um resumo aí pra, pra, pras pessoas tentarem associar: "ah, já vi esse

comercial".

Cara, agora, no, nesse exato momento, tem um da Toyota que tá no ar,

mas eu já fiz do Commonwealth, eu já fiz do Qantas, da Rebel,

American Express. O que mais que eu fiz? Ah, meu Deus do céu, são muitas.

Já tá bom, já. Você tomou no macabou, já tá, tá maravilhoso

-já. [riso] -É.

-[riso] -Por último,

imagine uma pessoa que agora é tipo o Will de 2013, que tá chegando agora na

Austrália, mas que ou teve um, uma carreira já no Brasil, um princípio de

carreira, ou que sonha entrar aqui. Que dica você dá pra essa pessoa, pra essa

pessoa tentar entrar na área de atuação na Austrália?

Ah, a dica que eu gostaria de ter escutado naquela época, cara: estuda, continua

buscando o seu sonho,

tenta fazer parte de pessoas que estão com o mesmo sonho pra vocês compartilharem

das mesmas informações.

Por mais que você tenha que trabalhar em outras coisas, tenta tá es-- aperfeiçoando

o seu inglês.

O inglês é primordial, seja pra atuação, pra qualquer carreira. A partir do momento

que você tá com o inglês legal, as, as portas vão se abrindo. Qualquer carreira

que for, continua estudando, não para.

Essa é uma coisa acho que do brasileiro, né, cara, de estar sempre bem preparado,

mas o principal é estar rodeado de pessoas que tenham o mesmo mindset, cara.

Will, que maravilha.

Desejo muito sucesso pra você, muito feliz de ter um brasileiro fazendo as coisas e

ralando bastante e conseguindo. Um grande abraço pra você, até a próxima entrevista.

Meu, muito obrigado. Obrigado a todos

vocês aí da SPS e até a próxima.

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