Três participantes do Drag Race Brasil chegam à Austrália em setembro para apresentações em Adelaide, Melbourne e Sydney. Produzida pela drag queen Donatella Valentino, a turnê Come to Australia reúne Poseidon Drag, Ruby Nox e Paola Hoffmann em uma celebração da arte drag brasileira. Em entrevista ao podcast, elas falam sobre suas trajetórias, a projeção da arte drag do Brasil pelo mundo, resistência e a importância da ocupação de espaços.
Para quem vive longe do país de origem, o contato com a própria cultura pode ganhar um significado ainda maior. A música, a língua, as celebrações e outras referências que remetem ao Brasil ajudam imigrantes a manter os laços com o país e também criam oportunidades de encontro entre brasileiros que construíram uma vida no exterior.
E para a comunidade LGBTQIA+ brasileira, a chegada dessas artistas traz um sentimento de orgulho e representatividade, além da oportunidade de acompanhar de perto participantes que ganharam projeção em um programa que colocou a cena drag do país diante de uma audiência internacional.
Leia abaixo trechos das entrevistas com Rubi Nox, Poseidon Drag, Paola Hoffmann e Donatella Valentino.

Em conversa com o podcast, Rubi Nox, 33 anos, disse que está ansiosa para finalmente conhecer a Austrália depois de se apresentar pela América Latina, Estados Unidos e Europa.
"Venho de uma área que é da Caatinga, sertão pernambucano, uma cidade muito pequena chamada Carnaíba, com pouco mais de 18 mil habitantes."
Eu comecei a imaginar a possibilidade de uma profissão como drag por conta do programa. E vencer o Drag Race Brasil é algo que marcou de fato a minha carreira. Isso veio para levar meu nome e a minha arte para o Brasil e para o mundo, de formas que eu nem conseguia dimensionar.Rubi Nox
"Eu fui a primeira pessoa da minha família a entrar em uma universidade pública, me formei em biologia. Então, eu agradeço muito e sempre ressalto a importância da gente valorizar a educação no Brasil."

Segundo Poseidon Drag, 32 anos, participar do Drag Race Brasil e ser uma das finalistas foi uma das experiências mais intensas de sua vida.
"Foi muita pressão, mas muitos aprendizados também. Eu precisei me colocar à prova de várias áreas diferentes, quando não existia mais a minha zona de conforto. E claro, profissionalmente abriu inúmeras portas, que talvez eu demorasse muitos anos pra alcançar."
O que me marcou mais, sendo o maior significado disso tudo, é ocupar espaços que durante muito tempo pareciam distantes da minha realidade. Subir em um palco, colocar uma peruca, uma roupa, maquiagem e fazer uma plateia inteira se divertir é também uma forma de resistência. E claro, a arte drag é política. Isso a gente não pode esquecer nuncaPoseidon Drag
"Eu acho que justamente por ainda existir muito preconceito e a tentativa de censura, a arte drag continua sendo tão necessária e tão viva hoje em dia. A drag sempre teve o papel de provocar, de questionar e de brincar com aquilo que a sociedade considera como regra."

Paola Hoffmann, 36 anos, tem mais de vinte anos de carreira na arte drag e transformista e já conquistou inúmeros títulos nacionais e internacionais. Como participante do Drag Race Brasil, ela foi eleita a favorita do público de sua temporada - a fan favourite.
"Infelizmente a gente vive uma onda de conservadorismo em todo o mundo e muitas das vezes querem barrar a nossa arte. Então, acho que a resistência da arte drag vem de toda uma construção, de uma quebra de barreiras, de enfrentar a sociedade de cara e não ter medo de fazer o que viemos pra fazer."
Drag é alegria, é festa, é diversão, mas também é resistência, é luta. É um pouco de tudo. E pra quem nunca foi num show, gente, vocês têm que conhecer, porque é a melhor coisa. Vocês vão se apaixonar e vão querer ir semprePaola Hoffmann
Donatella Valentino, 29 anos, além de drag queen, também é produtora de eventos e idealizadora da turnê Come to Australia.
Quando perguntada no podcast por que decidiu trazer três drag queens da franquia Drag Race Brasil para se apresentarem em três cidades australianas, ela explicou a motivação:
"Cadê a nossa representatividade latina? Cadê o Brasil? Porque a drag brasileira tem uma energia, tem um diferencial, uma estética, uma maneira de performar muito nossa. E eu queria apresentar isso não só para os brasileiros e latinos que vivem aqui, mas também para o público australiano. É muito mais do que entretenimento. É uma troca cultural entre Brasil e Austrália. Elas vêm para cá trazendo um pouco da nossa cultura, mas também vão voltar levando um pouco da Austrália com elas."
Ser uma drag brasileira na Austrália tem o lado bom e o lado difícil, assim como tudo na vida. Na maioria das vezes, as portas não estão simplesmente abertas para mim. Eu preciso bater, insistir e muitas vezes construir a minha própria porta. Eu precisei criar meus próprios eventos, minhas próprias oportunidades para conseguir me inserir na cena artística australiana.Donatella Valentino
Ainda segundo ela, "Quando você mora do outro lado do mundo, às vezes você sente muita falta de se enxergar nas coisas, de ouvir uma música, ver sua cultura sendo celebrada, sentir aquela energia de casa, sabe? Então, fica aí o convite. Venham para a Come to Australia. E claro, eu estarei lá recebendo todo mundo."
A turnê Come to Australia traz Poseidon Drag, Ruby Nox e Paola Hoffmann, com apresentações em Adelaide no dia 17 de setembro, em Melbourne no dia 18 e Sydney no dia 26.
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