A 48ª edição da Parada do Mardi Gras de
Sydney, ocorre neste sábado, 28 de
fevereiro, na Oxford e Flinders Street,
região central da cidade. A festa, que é
uma das maiores celebrações LGBTQIA+ do
planeta, será centrada no tema
Estática. Entre os destaques da parada,
está o grupo Latines in Australia, que tem
o objetivo de acolher latino-americanos
queer, residentes na Austrália, e também
celebrar a cultura que trazem. Todo ano, o
Latines escolhe um país da América Latina
como tema. Em 2026, é a vez do Brasil.
São por volta de 80 pessoas, inclusive
algumas não latinas, que desfilam
fantasiadas, fazendo coreografias
inspiradas no movimento e na energia do
Rio Amazonas. Anitta, Pedro Sampaio e
outros artistas brasileiros farão parte da
trilha sonora, toda dedicada ao país. O
projeto Latines se baseia em três pilares:
comunidade, família escolhida e cultura
latina, como resposta aos estereótipos e à
exclusão.
O projeto, que culmina no desfile, começa
bem antes, com o desenvolvimento coletivo
do conceito e depois com as fantasias e o
desfile. Conversamos com uma de suas
organizadoras, a designer brasileira
Yasmin Blanco. Nascida em São Paulo, ela
está na Austrália há 10 anos. Yasmin
explica como o Latines começou, há oito
A gente começou esse projeto lááá em 2018.
A gente começou entre um grupo de amigos,
todos imigrantes, longe de casa, num país
novo. Foi um momento meio que da gente
acabar se juntando, se conectando, criando
uma família. A gente criou a comunidade
é, representando os países da América
Latina. A gente começou, na verdade, como
um grupo de Sydney. Nosso nome, inclusive,
era Latinx in Sydney,
mas isso acabou virando algo muito maior.
A gente começou
perceber muitas pessoas querendo se
envolver com nós, mas de todos os lugares
da Austrália. O nosso grupo, hoje, tem
pessoas de vários estados da
Austrália, inclusive de outros países. A
gente tem pessoas que moram na Nova
Zelândia e vêm pra cá, eles vão pra Sydney
só pra participar do nosso float.
Então, isso acabou virando uma comunidade
realmente latina aqui na Austrália, não só
em Sydney. A nossa missão aqui sempre foi
de criar um espaço seguro, de, de
acolhimento, de, de apoio. Eu acho que
nós, todos nós, que a gente vem de outros
países, muitas vezes a gente se joga do
outro lado do mundo, sozinho, sem começar,
sem conhecer ninguém, recomeçando do
zero. Eu acho que foi muito mais criar um
lugar, uma comunidade, onde a gente
pudesse
trazer essa sensação de acolhimento, de
você saber que é um lugar que se você
precisar de ajuda, se você precisar de
alguma coisa, você não tá sozinho, né? E
tem pessoas que tão passando, às vezes,
por coisas que você já passou e você pode,
às vezes, trazer uma, uma palavra de
apoio ou alguma, algum suporte, de alguma
A gente traz muito esse conceito da
família escolhida. Inclusive, o nosso
grupo, que começou o comitê, a gente já se
conhece há anos. A gente já marchou
no Mardi Gras, já em 2019, foi nosso
primeiro ano, 2023,
e esse ano, novamente. A gente já foi
nomeado pelo Mardi Gras Awards como
melhor fantasia, melhor coreografia, em
dois anos diferentes, o que foi um
reconhecimento muito legal, de toda essa
energia, todo esse amor, né, todo esse
trabalho, essa criatividade
que todo esse grupo coloca em cima desse
projeto, né? O meu envolvimento pessoal,
vem muito desse lugar de apoiar a
comunidade, né? Eu não necessariamente
faço parte da comunidade queer, mas eu
sempre estive envolvida em ajudar grupos a
terem uma voz, né? Eu sei como é não ser
ouvida, eu sei como é estar longe de
casa, da família, de tudo que era muito
familiar, o que era muito seguro, né,
daquele porto seguro. Então, eu acho que
quando a gente se junta, a gente é muito
mais forte. Tento me envolver dessa forma,
e eu também amo muito o lado criativo do
projeto. Eu sou designer, eu trabalho já
faz muitos anos com isso, mas eu venho de
uma carreira onde tudo muito-- ficou muito
digital. E pra mim, eu acho muito
importante eu manter essa conexão com, com
o manual, com a criação física, sabe? Com
o-- colaborar com tantas outras
mentes incríveis e criativas que, que
existem nesse projeto. Cada ano que passa,
tem pessoas novas que se juntam, que têm
ideias novas e as coisas só fluem. Quando
você tá envolvido com pessoas que querem
fazer as coisas acontecerem, as coisas
fluem, né? E nosso grupo vira muito esse
espaço de, de troca, de construção, de
arte, né? Onde todo mundo traz uma ideia e
a gente constrói algo junto.
Para a edição deste ano, sob o tema da
Amazônia brasileira, Yasmin explica o
conceito das fantasias e o processo
criativo dos envolvidos.
Todo ano, o Mardi Gras, ele anuncia um
tema, e cada grupo cria o seu próprio
conceito, o seu próprio tema, e apresenta
pro Mardi Gras como ele se relaciona ao
tema anual, new, né, o que cada grupo vai
apresentar. Todo ano, a gente se junta, a
gente senta e faz um brainstorm do
conceito. Cada ano, a gente tenta
representar um país da América Latina. A
gente já teve México, a gente já teve
Colômbia.... Cada país tem muita coisa pra
mostrar. E o tema desse ano do Mardi Gras
é Extática, né? Que fala muito sobre a
alegria, sobre a conexão e esse
pertencimento. E esse ano, a gente queria
tra-- trazer a vez do Brasil, e a gente
queria muito trazer, né, o pulso da
Amazônia pra representar essa energia, o
pulso do ritmo brasileiro, o pulso do
ritmo latino. Esse conceito de que a
Amazônia não é só um lugar, é um símbolo
de vida, tem uma, uma energia muito forte,
tem uma diversidade muito grande, tem uma
ne-- conexão também, e é assim que a
gente também vê a nossa comunidade. O rio
Amazonas também é um rio que carrega mais
água de qualquer outro rio do mundo, então
trazendo, representando esse fluxo, esse
movimento, essa transformação. E a gente
quis trazer todo esse conceito, toda essa
energia, nas fantasias também. A gente tem
duas fantasias esse ano. A gente tem as
fantasias da água, né? A água, a gente tem
uma headpiece, que é um chapéu, que vem
muito dessa ideia do, do fluxo, do
movimento do rio, né? Temos umas franjas
que elas vão se movimentar.
E a gente tem a floresta também, que
representa as raízes, a nossa força, a
nossa história. O próprio posicionamento,
né, da avenida, da coreografia, a gente
em cada lado, como realmente desenhando o
rio
sendo abraçado por essa floresta. E também
a gente tem o carro alegórico, né,
simbolizando todo esse batimento da
Amazônia, esse coração que vai pulsar no
meio do nosso float. E a gente também
carrega essas bandeiras da América Latina
pra representar quem a gente é, toda a
nossa diversidade, com orgulho da onde a
-gente é e mostrar pro mundo.
-Quem quiser saber mais sobre o Latinx in
Australia, consulte o perfil deles no
Instagram, @latinx.au ou
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