A operação policial realizada contra o tráfico de drogas nos complexos da Penha e do Alemão, zona norte da cidade do Rio de Janeiro, foi marcada por violência, relatos de execuções, torturas e classificadas como carnificina por moradores e parentes dos mortos. Até agora são 120 mortos. A jornalista e moradora do Rio de Janeiro, Rosa Bittencourt falou à SBS em Português.
Nos últimos dias, o Rio de Janeiro foi cenário de uma grande operação policial que reacendeu o debate sobre segurança pública no Brasil.
A ação, considerada uma das maiores já realizadas no estado, resultou em 120 mortes, incluindo pessoas que não estavam envolvidas no confronto.
Com 2.500 policiais mobilizados, a operação foi conduzida sem comunicação prévia com o governo federal, o que levantou questionamentos sobre a coordenação e a responsabilidade institucional das ações policiais.
Um dia após a operação questões sobre o uso de câmeras corporais, comunicação com o governo federal, e a identidade dos mortos tomam o centro do debate sobre violência policial.
Segundo a jornalista e moradora do Bairro Laranjeiras do Rio de Janeiro, Rosa Bittencourt, a cidade está em choque.

"Hoje a gente tem uma cidade que está respirando em suspenso, que está vivendo em suspenso. Por exemplo, eu vou sair na rua, vão levar meu celular, ou vão levar o carro do vizinho. A partir de hoje, de amanhã, depois de amanhã, não tem mais violência na Zona Sul ou em qualquer bairro do Rio? Claro que a violência vai continuar. Quando eles focam nos traficantes, não vai mais ter consumo de drogas na Zona Sul ou em qualquer outro lugar? Claro que vai ter, " diz.
Segundo relatos da imprensa local, os líderes do Comando Vermelho teriam fugido, relata a jornalista. "Porque os grandes, que eles queriam atingir, esses já fugiram. Ninguém dos grandes que eles queriam prender foram presos. E quando o governo diz, 'pegamos 150 fuzis, mais de 100 fuzis,' isso não é nada. Isso não é nada perto do que o tráfico tem em mãos.
"São 120 corpos. Isso sim a gente lamenta, porque mesmo que fosse um bandido, um traficante, primeiro deveria ser preso, depois julgado e tudo mais. Você não pode chegar em alguém, amarrar as mãos e dar um tiro na nuca. Isso é execução. A violência acabou no Rio de Janeiro? Não, não acabou," diz.

Vamos esperar os próximos dias ainda muita coisa pode vir à tona,' completa Rosa.
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