O magnate armênio Calouste Sarkis Gulbenkian nasceu há século e meio. Ficou conhecido como o senhor 5%. Era dono de 5% do crude mundial. No tempo da II Guerra Mundial, refugiou-se em Portugal, onde foi acarinhado. Homem de negócios, colecionador de arte e filantropo, quando morreu em Lisboa, em 1955, era o homem mais rico do mundo graças ao petróleo.
Legou a maior fortuna estrangeira alguma vez recebida em Portugal para criar “uma instituição particular, portuguesa e perpétua, com fins caritativos, artísticos, educativos e científicos.
Definiu no testamento que deveria ser construída em Lisboa a sede de uma fundação internacional com o seu nome, em benefício de toda a humanidade.
Esse desejo concretizou-se na Fundação Gulbenkian que desde os anos 60 do século XX se tornou o suporte fulcral das atividades culturais e artísticas centradas em Lisboa, além da intensa atividade de apoio a múltiplas ações por todo o país.
Concertos e festivais de música, ciclos de cinema, desempenho da companhia de ballet própria, atribuição de bolsas culturais, grandes exposições — tudo contribui para fazer brilhar a vida e intervenção institucional da “Fundação” (não é necessário acrescentar palavras, esta bastava para a identificar).
Diz-se vamos à Gulbenkian – para ver um espetáculo, uma exposição ou uma conferência.
A sede da Gulbenkian, no coração de Lisboa, envolta por sumptuosos jardins frequentados ao longo das 24 horas de cada dia, tem um complexo de edifícios de belo recorte arquitetônico que acolhem museus, auditórios, bibliotecas, salas várias, espaços muito acolhedores.
A Gulbenkian possui uma excepcional coleção de arte. Nas salas do museu convivem telas de Turner ou Rembrandt, tapetes persas e criações artísticas vindas de todo o mundo.
Para além do museu clássico, tem, iniciativa vanguardista e inovadora, o Centro de Arte Moderna, agora reaberto após 4 anos de renovação. Amplia o edifício-sede do maior parque cultural em Portugal.
Estão presentes todas as portentosas artistas que fizeram do século XX português um caso especial de pujança artística no feminino: Vieira da Silva, Helena Almeida, Paula Rego, Aurélia de Sousa, Lourdes Castro, Ana Vieira.
Também os imensos Amadeo Souza Cardozo, Almada Negreiros, também Batarda, Fernando Lemos, Julião Sarmento, de facto todos os principais.
Num edifício com arquitetura renovada e que também por isso é visitado.
Nesta remodelação do Centro de Arte Moderna, desenvolvida pelo arquiteto japonês Kengo Kuma encontramos uma reinterpretação dos espaços e formas existentes, com a criação de uma nova frente ou fachada, arquitetônica e paisagística, numa área com delicado tratamento paisagístico, permitindo inovadora articulação urbana com as avenidas em volta e há uma original concepção arquitetural.
Com a “compressão” plástica e formal do espaço da frente sul, por uma expressiva consola, sanca ou pala em madeira (feita de sucessivos e sofisticados layers aplicados em várias “folhas tecnológicas” sobrepostas de madeira tratada) revestida a telha, que, em longa forma curvilínea, descende gradualmente a partir da frontaria. Constitui uma forma fina e elegante que assim coloca a arquitetura como complemento dos espaços expositivos.
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