A SBS Português conversou com a psicóloga e psicanalista portuguesa Flávia de Carvalho, que vive em Sydney. Ela relata como o alto consumo de notícias negativas afeta nossos cérebros, explica porque somos atraídos por eventos ‘desastrosos’ e a relação disso com o doomscrolling – a ‘rolagem da desgraça’.
A ciência já explica que a exposição constante a notícias ruins pode ter um impacto negativo na saúde mental das pessoas.
Um estudo publicado na revista Psychological Science em 2013 mostrou que a exposição a notícias negativas pode levar ao aumento do estresse e da ansiedade.
Outras pesquisas feitas pela Universidade de Sussex, no Reino Unido, em 2015 já mostravam que a exposição a notícias negativas pode levar a um estado de desesperança e desamparo aprendido, o que pode afetar negativamente a saúde mental das pessoas.

Destaques da conversa:
Porque somos atraídos por notícias negativas
- A identificação com o próximo através da dor é mais poderosa do que por fatores positivos.
- Necessidade, quase que inconsciente, de tentar controlar a situação através de se informar o máximo possível sobre o fato.
- O medo da morte é um dos principais gatilhos de busca excessiva por notícias negativas. Flávia explica que por mais contraditório que possa parecer, o medo gera curiosidade, e o excesso de informação promove uma falsa sensação de controle da situação.
- Pessoas com ansiedade tem mais propensão a busca de notícias ruins de forma elevada.
- Pessoas expostas a situações traumáticas também tentem a consumir em maior quantidade esse tipo de informação.
Dicas de como gerenciar o consumo de notícias negativas e evitar o ‘efeito deprê’
- Reduzir o tempo de exposição: estabeleça um limite de tempo de uso as redes sociais, que é um dos principais canais de acesso à informação.
- Filtrar a informação: em uma época onde as notícias se apresentam de forma tão gráfica, procure fontes seguras de informação.
- Converse sobre o assunto com outras pessoas: compartilhar o que está pensando, sentindo e entendendo sobre os acontecimentos com outras pessoas ajuda no processo de compreensão dos fatos e redução da ansiedade. “Falar sobre o assunto é melhor que se manter numa busca solitária sobre mais informações”, diz Flávia.
- Volte para a sua realidade: “É importante está bem informado, saber o que acontece no mundo, ser empático e até se envolver nessas causas. Mas não esquecer de viver a realidade que não é apenas essas notícias de ruins. A realidade da sua própria vida”, explica a psicologa.
Convidada: Flávia de Carvalho é psicóloga e psicanalista, com mestrado em Psicologia Clínica, Psicopatologia e Psicanálise pela Universidade de Aix-Marseille na região da Provença, no sul da França, e mora em Sydney há quase nove anos.
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