Não temos, provavelmente nunca teremos, nunca alguém terá modo independente para confirmar o número de mortos nos três meses e meio de barbárie cometida por Israel em retaliação pela barbárie cometida pelo Hamas em 7 de outubro.
Uma das partes, o Hamas, concretiza números desta calamidade: nestes três meses e meio de guerra, 25 mil mortos. Não temos como confirmar esses números insuportáveis, mas as imagens de devastação que a cada dia nos chegam, apesar das limitações de acesso impostas pelo poder das autoridades de Israel, leva-nos a conjeturar que o numero de vitimas tem de ser nessa ordem – que já está em julgamento preliminar – como genocídio.
Pedaço a pedaço de território – a devastação total -a umenta a cada dia. Agora mesmo, e desde há 2 dias, é em Khan Younis (segunda maior das cidades na Faixa de Gaza), onde a destruição total está a chegar ao limite.
Todos os dias, mais mulheres, mais crianças, mais velhos, mais homens, mais gente a quem é cortada a vida..
O futuro há de lembrar esta barbárie que consentimos no nosso tempo. Já se nota que o protesto contra esta violência, já se levanta também em cidades dentro de Israel.
Está crescente a pressão sobre Netanyahou – por parte, designadamente, de familiares dos ainda mais de 100 reféns em mãos de gente do Hamas.
A opção do primeiro-ministro de Israel – de destruição geral – não funciona ,não permite solução do conflito. Pelo contrario, agrava ódios e dificulta que os reféns algum dia votem para casa.
É com este cenário que o chefe da diplomacia europeia, o catalao Josep Borel, acaba de apresentar uma proposta de plano de paz em 10 pontos a conseguir em tempo breve.
É uma proposta que tem o apoio de Portugal.
Prevê – cessar de fogo imediato, chegada de ajuda humanitária, alibertação dos anda reféns, a realização a curtíssimo prazo de uma conferência de paz que dê lugar a criação do estado palestiniano ao lado do estado de Israel. Com autoridade palestiniana reformada, segurança para todos garantida por força militar europeia e dos países da região.
É um ambicioso plano de esperança por parte da União Europeia, que assume o dever moral de parar a matança e encontrar solução estável.
Mas enfrenta várias questões - primeira, a do empenho dos proponentes, a saber se é possível a coesão entre os 27 divididos parceiros da União Europeia. E saber como respondem os Estados Unidos a esta iniciativa da Europa.
Finalmente, saber como reage Israel. Netanyahou rejeita qualquer forma de soberania palestiniana, mas dentro de Israel já começa a ser reconhecido que Netanyahou é mais um problema do que uma solução.
Promover uma solução é um dever moral – desta vez – a Europa aparece na frente.
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