Quando o Presidente da República anunciou, há já 2 meses, que iria convocar eleições antecipadas, após recusar à maioria absoluta do PS a possibilidade de apresentar um nome alternativo ao do demissionário António Costa, os comentadores políticos especularam que a direita, encabeçada pelo PSD de Luís Montenegro, teria forte possibilidade de conseguir maioria para governar.
Mas, passados 2 meses e a outros 2 das eleições, as sondagens mostram que a direita não se destaca como alternativa e, ao mesmo tempo, na esquerda o PS não só resiste como continua a aparecer como o partido mais votado.
Há indícios de que as direitas teriam vantagem, se os diferentes partidos se unissem. Mas estão desunidos.
Há a questão chave do partido Chega, na direita da direita. É o partido mais ruidoso, com discurso populista. Pode valer 15%, votação determinante para proporcionar maioria. Mas o PSD, com medo de perder eleitores ao centro, declara recusar entendimentos com o Chega.
O PSD recuperou sim, a aliança com o antigo parceiro CDS e o partido monárquico. Mas não há sinais de que a coligação dê crescimento expressivo a este bloco liderado pelo PSD. Não vai além dos 30% no melhor cenário. A direita pode crescer para 37 ou 38% com os votos dos Liberais IL. Não chega ara governar.
À esquerda, o PS, agora liderado por Pedro Nuno Santos mantem o primeiro lugar nas intenções de voto, entre os 30 e os 32%. Também à esquerda, o Bloco, o PCP e o Livre podem levar a esquerda para os 40 a 42%.
Assim, direitas e esquerdas ombro a ombro, com o Chega a ter a chave que ninguém quer para formar maioria.
Há quem esteja a falar de impasse que pode implicar novas eleições, eventualmente com novos rostos.
Há a perceção de que a Luís Montenegro, líder do PSD, falta carisma. As sondagens mostram que o ex-lider Pedro Passos Coelho vale 3 ou 4 vezes mais. Passos é o líder que a as direitas desejam, mas está fora destas eleições.
Na esquerda, Pedro Nuno Santos, novo líder socialista, agrada muito ao eleitorado de esquerda, é desqualificado pelas direitas. Resta saber se consegue convencer o centro.
É a outra das questões que podem desbloquear estas eleições: entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, quem consegue captar o centro.
É o grande desafio para os próximos 2 meses de campanha. Tal como há muita expectativa sobre o resultado do confronto entre o discurso fora da caixa do Chega, na direita extrema, e os partidos tradicionais,
Neste momento, domina a impressão de governabilidade difícil.
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