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Portugal em campanha eleitoral tensa com resultado muito incerto

Andre Ventura

Direitas e esquerdas ombro a ombro, com o Chega a ter a chave que ninguém quer para formar maioria. Source: AFP / MIGUEL RIOPA/AFP via Getty Images

Faltam 2 meses para as eleições gerais antecipadas, no próximo dia 10 de março, em Portugal, e poucas vezes a esta distância do voto terá havido tanta incerteza sobre o resultado das eleições e sobre a maioria possível para formar o próximo governo de Portugal.


Quando o Presidente da República anunciou, há já 2 meses, que iria convocar eleições antecipadas, após recusar à maioria absoluta do PS a possibilidade de apresentar um nome alternativo ao do demissionário António Costa, os comentadores políticos especularam que a direita, encabeçada pelo PSD de Luís Montenegro, teria forte possibilidade de conseguir maioria para governar.

Mas, passados 2 meses e a outros 2 das eleições, as sondagens mostram que a direita não se destaca como alternativa e, ao mesmo tempo, na esquerda o PS não só resiste como continua a aparecer como o partido mais votado.

Há indícios de que as direitas teriam vantagem, se os diferentes partidos se unissem. Mas estão desunidos.

Há a questão chave do partido Chega, na direita da direita. É o partido mais ruidoso, com discurso populista. Pode valer 15%, votação determinante para proporcionar maioria. Mas o PSD, com medo de perder eleitores ao centro, declara recusar entendimentos com o Chega.

O PSD recuperou sim, a aliança com o antigo parceiro CDS e o partido monárquico. Mas não há sinais de que a coligação dê crescimento expressivo a este bloco liderado pelo PSD. Não vai além dos 30% no melhor cenário. A direita pode crescer para 37 ou 38% com os votos dos Liberais IL. Não chega ara governar.

À esquerda, o PS, agora liderado por Pedro Nuno Santos mantem o primeiro lugar nas intenções de voto, entre os 30 e os 32%. Também à esquerda, o Bloco, o PCP e o Livre podem levar a esquerda para os 40 a 42%.

Assim, direitas e esquerdas ombro a ombro, com o Chega a ter a chave que ninguém quer para formar maioria.

Há quem esteja a falar de impasse que pode implicar novas eleições, eventualmente com novos rostos.

Há a perceção de que a Luís Montenegro, líder do PSD, falta carisma. As sondagens mostram que o ex-lider Pedro Passos Coelho vale 3 ou 4 vezes mais. Passos é o líder que a as direitas desejam, mas está fora destas eleições.

Na esquerda, Pedro Nuno Santos, novo líder socialista, agrada muito ao eleitorado de esquerda, é desqualificado pelas direitas. Resta saber se consegue convencer o centro.

É a outra das questões que podem desbloquear estas eleições: entre Luís Montenegro e Pedro Nuno Santos, quem consegue captar o centro.

É o grande desafio para os próximos 2 meses de campanha. Tal como há muita expectativa sobre o resultado do confronto entre o discurso fora da caixa do Chega, na direita extrema, e os partidos tradicionais,

Neste momento, domina a impressão de governabilidade difícil.

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