Portugal está a escolher os dois finalistas da eleição presidencial

Portugal candidatos eleições presidenciais

Os quatro candidatos mais bem pontuados nas sondagens para a eleição do fim de semana em Portugal: João Cotrim (IL), António José Seguro (PS) acima, e Gouveia e Melo (independente) e André Ventura (Chega), abaixo.

Tem-se como certa uma finalíssima em 8 de fevereiro entre os dois mais votados nesta primeira volta. Os portugueses vão decidir se dão seguimento ao sistema político que emergiu da Revolução dos Cravos, em abril de 1974, ou se abrem as portas a alguém que o queira desmantelar.


Neste domingo, 18 de janeiro, os portugueses votam em algo mais do que começar a eleger um novo chefe de Estado, o sexto a ser eleito em 52 anos de democracia. Todos os anteriores - Eanes, Soares, Sampaio, Cavaco e Marcelo - cumpriram dois mandatos de 5 anos cada, e só uma vez, em 86, no duelo eleitoral entre Mário Soares e Freitas do Amaral houve recurso a segunda volta.

Desta vez, tem-se como certa uma finalíssima, em 8 de fevereiro, entre os dois mais votados nesta primeira volta.

Os portugueses vão decidir se dão seguimento ao sistema político que emergiu da Revolução dos Cravos, em Abril de 1974, ou se abrem as portas a alguém que o queira desmantelar. Nunca antes um candidato de fora dos dois grandes partidos tradicionais (o Partido Socialista e o Partido Social Democrata) esteve tão perto da decisão final de uma eleição presidencial. É a questão colocada por André Ventura, líder da extrema-direita, que reivindica Portugal para os portugueses, hostiliza os estrangeiros.

Este Ventura pode ser o mais votado nesta primeira volta, mas tem anunciada a derrota na finalíssima, com uma taxa de rejeição de acima de 50% do eleitorado.

Assim, os portugueses enfrentam a eleição presidencial mais importante da sua história, com um grupo de candidatos que não vai alem dos 25% nas sondagens para avançarem para a segunda volta das urnas, a 8 de fevereiro. Entre eles encontram-se representantes da velha guarda (Luís Marques Mendes e António José Seguro) e dois aspirantes que afirmam rejeitá-la: André Ventura e Henrique Gouveia e Melo.

Ventura lidera um partido ultraconservador, o Chega, que ganha terreno em cada eleição, desde 2019, capitalizando-se nos repetidos colapsos do governo (três vezes nos últimos quatro anos). Gouveia e Melo é um oficial militar reformado que passou metade da sua vida em submarinos e destaca a sua independência dos partidos políticos como uma das suas principais qualidades. Os quatro disputam um cargo que não é meramente institucional, pois confere o poder de vetar leis e dissolver o Parlamento — uma prerrogativa que o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, já utilizou por três vezes desde 2021.

Estes dois candidatos fora do sistema representam um sinal de alerta. Portugal está perante a encruzilhada politica mais importante dos últimos 50 anos. Ao contrário de outras eleições, está aqui em causa a própria natureza do sistema político democrático, com dois candidatos que podem representar um risco.

A preocupação com André Ventura é comum a todos os democratas. Utiliza o catecismo da extrema-direita internacional, ao qual acrescentou as fobias locais (os tribunais obrigaram-no a retirar cartazes desta campanha que diziam: “Os ciganos devem obedecer à lei”). Evoca o ditador Salazar, ataca “o regime de Abril”. É provocador, inteligente e um explorador eficaz dos ressentimentos e da nostalgia imperialista. Ele é também o fenómeno político de maior sucesso da democracia: em apenas seis anos, rompeu com o tradicional sistema bipartidário e tornou-se o segundo maior partido no Parlamento, à frente dos socialistas. Um marco histórico.

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É, Fernando e ouvintes da SBS, este domingo é dia de eleição presidencial em

Portugal. Primeira rodada desta, é, eleição. Neste domingo, 18 de janeiro, os

portugueses votam em algo mais do que começar a eleger um novo chefe de Estado,

o sexto a ser escolhido em cinquenta e dois anos da democracia. Todos os

anteriores, Ramalho Eanes, Mário Soares, Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo

Rebelo de Sousa, cumpriram dois mandatos de cinco anos cada. E só uma vez, em 86,

no duelo eleitoral entre Mário Soares e Frates do Amaral, um clássico duelo

esquerda-direita, houve recurso à segunda volta, ganha por Soares. Desta vez, tem-se

como certa uma finalíssima, em 8 de fevereiro, entre os dois mais votados

desta primeira volta. Os portugueses vão decidir se dão seguimento ao sistema

político que emergiu da Revolução dos Cravos, em abril de 74, ou se abrem portas

a alguém que queira desmantelar esse modelo de democracia social. Nunca antes

um candidato de fora dos dois grandes partidos tradicionais, o Partido

Socialista, PS, e o Partido Social-Democrata, PSD, esteve tão perto da

decisão final de uma eleição presidencial em Portugal. É a questão colocada por

André Ventura, líder da extrema-direita, que reivindica Portugal para os

portugueses, hostiliza os estrangeiros. Este André Ventura pode ser o mais votado

nesta primeira volta, mas tem anunciada a derrota na finalíssima, com uma taxa de

rejeição

de acima de cinquenta por cento, talvez mesmo sessenta por cento do eleitorado.

Assim, os portugueses enfrentam a eleição presidencial mais importante da história,

com um grupo de candidatos que, no entanto, não vai além dos vinte e cinco

por cento nas intenções de voto, pra avançarem pra segunda volta das urnas, a 8

de fevereiro. Entre eles, estão representantes da velha guarda partidária,

Luís Marques Mendes, do PSD, António José Seguro, do PS, e dois aspirantes que

afirmam rejeitar o sistema: André Ventura e Henrique Gouveia e Melo. Ventura lidera

um partido ultraconservador, o Chega, que ganha terreno em cada eleição desde 2019.

Capitaliza nos repetidos colapsos de governo, três vezes nos últimos quatro

anos. Gouveia e Melo é um oficial da Marinha, reformado, passou metade da vida

em submarinos e destaca a sua independência dos partidos políticos como

uma das principais qualidades. Os quatro disputam um cargo que não é meramente

institucional, pois o cargo de presidente confere o poder de vetar leis e dissolver

o Parlamento, uma prerrogativa que o atual presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, já

utilizou por três vezes desde 2021. Estes dois candidatos fora do sistema

representam um sinal de alerta. Portugal está perante a encruzilhada política mais

importante deste último meio século. Ao contrário de outras eleições, está em

causa a própria natureza do sistema político, com dois candidatos que podem

representar um risco para este modelo democrático. A preocupação com André

Ventura é comum a todos os democratas. Ele utiliza o catecismo da extrema-direita

internacional, ao qual acrescentou as fobias locais, sendo que os tribunais

obrigaram-no a retirar cartazes de campanha que diziam, por exemplo: "Os

ciganos devem obedecer à lei". Ele evoca o ditador Salazar, ataca o regime do

25 de Abril, é provocador, inteligente, muito, e um explorador eficaz dos

ressentimentos e da nostalgia imperialista. Ele é também o fenômeno

político de maior sucesso nestes cinquenta anos de democracia. Em apenas seis anos,

rompeu com o tradicional sistema bipartidário e tornou-se o segundo maior

partido no Parlamento, à frente dos socialistas. É um marco histórico.

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