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Semana de incêndios em Portugal expõe fragilidades no paraíso natural da ilha da Madeira

Satellite Imagery Of Wildfires On Madeira In Portugal

FUNCHAL, MADEIRA, PORTUGAL - 17 DE AGOSTO DE 2024: Vista de satélite de incêndios florestais sobre a Madeira, Portugal. O incêndio florestal, ativo desde quarta-feira, levou a evacuações das áreas afetadas. Atualmente, está afetando Curral das Freiras, Fajã das Galinhas e Serra de Água. Foto tirada em 17 de agosto de 2024. (Foto de Gallo Images/USGS/dados Landsat da NASA processados pela Orbital Horizon) Credit: Gallo Images/Gallo Images via Getty Images

A ilha da Madeira é um muito turístico paraíso natural português no meio do Atlântico. Aproximadamente 250 mil pessoas vivem nesta ilha, com 750km2 e cujo maior comprimento é de 57km.


O turismo e o vinho que tem o nome da ilha, o vinho Madeira, são – a par da natureza -, com o mar, as montanhas e a belíssima floresta Laurissilva, classificada pela UNESCO como patrimônio mundial, são riquezas da Madeira.

Um incêndio florestal que já se prolonga há uma semana está a colocar a Madeira no topo de todos os noticiários em Portugal – pelo dano do fogo, mas também pelas fragilidades, incompetências e até ligeireza na condução política que o incêndio está a revelar.

O fogo começou numa encosta verde na tarde de quarta-feira, 14 de agosto. Os primeiros bombeiros a chegar para combater atestam que seria um fogo fácil de apagar.

Seria, mas não foi.

A Madeira arde há uma semana e a devastação já vai em 8 mil hectares de rica paisagem natural.

Faltou determinação no combate inicial ao fogo. Faltaram bombeiros, faltaram meios e faltou liderança.

As chamas avançaram pelos bosques, montanhas acima, muitas pessoas tiveram de abandonar as casas da sua vida, por estarem ameaçadas pelo fogo. Enquanto estas pessoas encontravam abrigo em igrejas, escolas e pavilhões desportivos, uma onda de indignação crescia entre a população porque, ao sétimo dia de incêndio, o responsável pela proteção civil madeirense foi de férias para outra ilha, a de Porto Santo, com extensos areais, onde também está o presidente do governo regional.

As férias são um direito de todos, mas em tempo de emergência, há que corresponder à urgência.

Porque há decisões necessárias que estão por tomar.

Questão principal: a falta de meios. A Madeira tem um único meio aéreo para combate a incêndios. É um helicóptero que, perante o fumo e o vento intenso, não consegue intervir. Fazem falta os aviões como os Canadair que abundam no continente português, mas que ninguém ativou para a Madeira.

Nos últimos anos, depois dos trágicos incêndios de 2017, então 108 mortos, Portugal continental tem vivido livre dos grandes incêndios, esse suplício sazonal, com o seu rasto de destruição de patrimônio natural, de bens e de perda de vidas humanas. No Portugal continental, a lição foi aprendida. A Madeira continuou a viver no passado, com o turismo, com o vinho, com fartura de hotéis, túneis e outras obras públicas, com um célebre fogo de artifício no fim de ano, mas também com muita pobreza de muita gente e muita pobreza de meios para responder a emergências.

A paisagem natural da Madeira arde há uma semana, 8 mil hectares queimados, muita gente em aflição – ainda que não haja casas atingidas - e continua a faltar combate determinado ao incêndio e outras respostas eficazes.

Devido ao fogo, o aeroporto do Funchal, com a pista mesmo em cima do mar, tem estado quase sempre fechado ao movimento aéreo. Há muita gente que está no aeroporto há pelo menos 5 dias à espera de poder viajar. Muitos desses passageiros viajam em companhias low-cost que não asseguram alojamento nem sequer alimentação.

É assim que as salas do aeroporto do Funchal, batizado com o nome de Cristiano Ronaldo, estão, vão para uma semana, transformadas em dormitórios, para crianças e adultos, homens e mulheres que dormem no chão e há quem tenha esgotado o dinheiro para comprar comido.

Esta é a indignação de turistas. Fora do aeroporto, há o desespero e a fúria das pessoas que estão a ver o fogo avançar sem combate eficaz para o dominar e apagar.

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