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Repatriada da Austrália: “Feliz de voltar ao Brasil, mas com medo do coronavírus”

Aline Cristina e Ana Paula Marques estão no voo humanitário da LATAM que parte de Sydney: “Feliz de voltar para o Brasil” Source: Supplied/AAP Image/James Ross

"É inevitável não comparar com os números da Áustralia - você vê, que loucura, esse é meu maior receio. Mas vamos manter o pensamento positivo, vai dar tudo certo,” disse Ana Paula, uma das brasileiras a ser repatriada da Austrália para o Brasil.

Nota de esclarecimento: até a publicação deste podcast a saída do avião da LATAM de Sydney para São Paulo estava marcada para o domingo, 19 de abril e agora confirmada para a terça-feira, 21 de abril.

Nos próximos dias brasileiros de várias partes da Austrália se dirigem ao aeroporto de Sydney para pegar o voo de repatriamento que deverá partir de Sydney com destino a São Paulo. 

Ana Paula Marques, de 31 anos, que veio para Melbourne estudar inglês, é uma das passageiras do voo fretado com cerca de 280 brasileiros, que fará a viagem Sydney-São Paulo nos próximo dias.

Ana Paula e o marido, ambos de São Paulo, estavam com o visto de estudante para expirar, com a passagem Qantas/LATAM na mão, quando ouviram da agência de intercâmbio que todos os voos estavam cancelados até maio. “Foi desesperador, não tínhamos dinheiro para comprar outra passagem,” recorda.

O casal fez o registro para repatriamento na Embaixada do Brasil em Camberra e foi avisado que atendia às condições de repatriamento. A confirmação do voo humanitário da LATAM veio em seguida. “Foi um alívio," disse Ana. 

Aline Cristina Araujo, de 34 anos, também estará no mesmo voo que Ana Paula. Ela estava com o visto de turista para expirar quando conseguiu entrar no voo para o Brasil. “Vim passear aqui, e aconteceu toda essa pandemia, todos os voos cancelados. Muito complicado ficar em um país que não é o seu, é uma situação desesperadora. Estou muito feliz de voltar para casa,” diz Aline.

Retorno ao Brasil: “Bom voltar para minha casa mas impossível não comparar com a Austrália”

Apesar de aliviada e ansiosa para voltar para sua casa em São Paulo, Ana Paula diz que está preocupada com as notícias do coronavírus que vêm do Brasil.

“Estou preocupada, lemos as notícias, no Brasil está bem pior, lá tem muito mais casos, estou com medo de voltar. É uma vontade de querer voltar para minha casa mas com medo de tudo o que está acontecendo. Aqui já entendi como funciona a quarentena, e agora vou entender o que está contecendo na minha cidade [de São Paulo], vou ficar em quarentena quando eu chegar.”

“Eu quero ir embora, é meu país minha casa, mas a gente lê as notícias o número de casos, mortos e recuperados no Brasil, e você compara, porque é inevitável não comparar com os números da Áustralia você vê que loucura, esse é meu maior receio. Mas vamos manter o pensamento positivo vai dar tudo certo,” diz Ana Paula.

Aline também disse ter a mesma preocupação. “É uma preocupação enorme porque agora que vai entrar no pico no Brasil dessa pandemia, e eu vou seguir todo o processo de isolamento. É uma situação difícil mas acho que se todos lutarmos juntos, todos fazendo a sua parte acho que é a melhor maneira que podemos agir agora com todo esse caos.”

A viagem Melbourne-Sydney: “Vou levá-los até o aeroporto e desejar uma boa viagem que voltem em paz para o Brasil”

Com as viagens interestaduais limitadas por causa das restrições do coronavírus, pouquíssimos voos disponíveis, fechamento de fronteira entre os estados, o problema dos brasileiros de Melbourne, confirmados para o repatriamento, como Ana Paula e Aline, é chegar ao aeroporto de Sydney para pegar o avião.   

Foi quando um grupo de brasileiros voluntários em Melbourne, coordenados pelo CCBV (Conselho  de Cidadão Brasileiros de Victoria) montou uma operação de resgate: Ana Paula e Aline vão viajar em uma das duas vans organizadas pelo CCBV que vão levar 16 brasileiros em uma viagem bate-volta de Melbourne até o aeroporto de Sydney.

São quatro motoristas voluntários que cobrirão quase 1800km (ida e volta) com poucas paradas, munidos de documentos que autorizam a viagem para repatriação.

“Além de toda documentação necessária, todos os passageiros das vans estão com a passagem impressa na mão, estou até imprimindo a passagem para quem não tem impressora. É uma operação de logística muito complexa mas acho que conseguimos organizar tudo. As pessoas estão muito desesperadas,’ conta Luana Jones, coordenadora geral do CCBV, e uma das organizadoras voluntárias da operação ‘resgate’.

Luana Jones
Luana Jones, do CCBV e o embaixador do Brasil na Austrália, Sérgio Moreira Lima: “As pessoas estão muito desesperadas,” disse Luana que organizou transporte de Melbourne para Sydney
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Para Ana Paula, a van veio em ótima hora. “Essa van foi a melhor solução a melhor coisa que aconteceu depois da notícia do voo. Ter uma ajuda de brasileiros para te levar para outra cidade é muito bom”.

A viagem da van não seria possível sem os quatro motoristas voluntários que se propuseram a viajar por 20 horas e fazer o bate volta de 1800 km entre Melbourne e Sydney.

“Como eu tenho uma empresa de turismo e minha empresa está fechada, eu resolvi me voluntariar para ajudar as pessoas que precisam de transporte até Sydney,' diz a motorista volunária Deborah Peluso. “Meu clientes, quando eu operava, eram na sua maioria, brasileiros, isso é meu agradecimento a eles,” completou.

Deborah Peluso
Deborah Peluso, uma das quatro motoristas que vai levar os brasileiros de Melbourne para Sydney: “Vou levá-los até o aeroporto e desejar uma boa viagem que voltem em paz para o Brasil”
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As pessoas na Austrália devem ficar pelo menos a um metro e meio de distância dos outros e encontros estão limitados a duas pessoas, a não ser que esteja com a sua família ou em casa.

Se você acredita que pode ter contraído o vírus, ligue para o seu médico, não o visite, ou ligue para a Linha Direta Nacional do Coronavírus no número 1800 020 080.

Se você estiver com dificuldades para respirar ou sofrer uma emergência médica, ligue para 000.

A SBS traz as últimas informações sobre o coronavírus para as diversas comunidades na Austrália.

Notícias e informações estão disponíveis em 63 línguas no sbs.com.au/coronavirus

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