Em um marco inédito em Queensland, segundo o Camões Instituto da Cooperação e da Língua Portuguesa, a escola de português LAR comemora mais de um ano de operações, com ampliação de sedes e atendimentos a alunos jovens e adultos. O objetivo é promover a língua através de um ambiente propício para a imersão na cultura de países como Portugal, Brasil e Angola.
Entre os Censos de 2016 e 2021, o número de pessoas que falam português na Austrália cresceu de 43.436 para 67.327, representando um aumento de aproximadamente 55%. Mas além da chegada de novos imigrantes, há também a oferta de ensino da língua que contribuí para que a comunidade mantenha o idioma vivo, mesmo longe de terras portuguesas, brasileiras, angolanas e timorenses.
E é neste contexto que a mais de um ano atrás foi criada a LAR Portuguese College. A escola possui apoio do Camões Instituto da Cooperação e da Língua Portuguesa, que fornece os materiais de estudo e tablets para que os alunos tenham uma grade de aprendizado preparada para a fluência e o entendimento do idioma.
Christina Terita é a fundadora do espaço, que hoje conta com duas unidades operando em Gold Coast e Sunshine Coast. Além de um terceiro espaço que vai começar a funcionar em outubro em Brisbane.
Eu sempre tive a preocupação de poder criar um espaço onde todos nós possamos falar a nossa língua e conviver um com os outros, contar as histórias que nós passamos. O LAR existe para que novas gerações possam aprender a falar a nossa língua, possam entender os seus familiares, as suas raízes, a sua cultura.Christina Terita é a fundadora do LAR Portuguese College
"O LAR tem 18 meses. Começamos o ano passado e trabalhamos por trimestres de 10 semanas com crianças e adultos”.
Atualmente a instituição possui professores brasileiros e portugueses. Sara Araci Godinho Carrasquinho leciona para as crianças. Ela destaca que as famílias buscam esse contato com a língua para poder manter as conexões com as gerações passadas, como avós e familiares que estão fora da Austrália ou que não conseguem se comunicar usando o inglês.
“Estou ligada ao ensino português na Austrália desde 2025 através do projeto do LAR em parceria com Instituto Camões. Temos, sobretudo, crianças de famílias multiculturais em que um dos pais é português ou fala português. E existe uma preocupação em manter a língua portuguesa presente na família.
O português é uma língua oficial de nove países, em diferentes partes do mundo e carrega consigo uma enorme diversidade cultural. Por isso, acho importante que as crianças tenham oportunidade de conhecer a língua e também toda a riqueza cultural que ela representa”.
A maior realização deste trabalho, para ela, está em ver a conexão criada com o idioma.
Para mim o mais bonito é perceber que estamos a contribuir para que as crianças cresçam ligadas à língua portuguesa e à cultura e que possam levar essa ligação consigo no futuro. Porque acredito que ensinar uma língua é também partilhar histórias, identidade e um sentimento de pertença.Sara Araci Godinho Carrasquinho, professora de português
Com dezenas de alunos, a iniciativa busca trazer acesso ao português que conecta países que estão a milhares de quilômetros de distância. Esther Larkin é australiana e foi por meio da comunidade brasileira que conheceu a língua. Para ela, aprender português tem sido um desafio, com o propósito de levá-la ao Brasil em breve.
Part of why I started learning Portuguese formally was because I've had exposure to Brazilian culture, music, food, and the language itself. So, Brazil is definitely on the list [to visit].Esther Larkin, estudante de português
A estudante conta que aprender uma nova língua é um processo repleto de desafios. Mas com a orientação e o apoio de professores é possível ultrapassar limites e desenvolver a confiança necessária para se expressar. Uma realidade vivida por muitos imigrantes que entendem o idioma, mas têm dificuldade em falar com segurança.
“I really wanted to build on what I already knew, become more confident speaking, and ultimately become more fluent. It's been really helpful and sort of solidifying what I do know and highlighting the areas that I need to work on. And I see it as a great tool for being out to now better connect with my Brazilian friends and use it at work as well”.
A fundadora da escola destaca que a língua portuguesa tem o poder de unir as pessoas e esse é o objetivo do espaço.
“É a união que nos traz porque nós podemos falar. É o facto que nós mesmo sejamos de outros países e não de língua portuguesa, mas a nossa língua une-se.Carrega as nossas memórias, a tradição, as histórias das famílias, a identidade e o convívio com familiares que nós não teríamos se a gente não tem a possibilidade de falar [o mesmo idioma]”.
Os próximos passos, segundo Christina, são buscar parcerias, como a do Instituto Guimarães Rosa, órgão do Ministério das Relações Exteriores do Brasil responsável por promover a cultura brasileira e a língua portuguesa no exterior.
“Agradecer ao Instituto Camões que tem sido o nosso suporte em termos de material, em termos do currículo, por acreditar na nossa visão”.
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