Com a proposta de incentivar encontros presenciais e promover experiências além do trabalho e dos estudos, a comunidade Go Outside cresceu organicamente e hoje reúne cerca de 2 mil participantes em Sydney. O idealizador do projeto, Renzo Brito, conta como a ideia surgiu e o que o motivou a reunir e conectar pessoas.
Criada em 2023, a Go Outside nasceu com uma proposta simples: incentivar as pessoas a saírem da rotina, deixarem as telas de lado e criarem conexões reais. O que começou como pequenos encontros entre colegas de intercâmbio se transformou em uma comunidade que hoje reúne quase 2 mil pessoas em torno de atividades como esportes, viagens, trilhas, clubes de leitura e eventos sociais.
Organizada com o apoio de voluntários e mantida majoritariamente por meio de eventos gratuitos, a iniciativa também permite que integrantes coloquem em prática habilidades profissionais e criativas, muitas vezes deixadas de lado durante a jornada migratória.
Fundada por Renzo Brito, pintor brasileiro de 33 anos, a comunidade surgiu a partir da experiência de solidão que ele viveu ao chegar à Austrália.

“Sou formado em Relações Públicas em São Paulo. Não exercia a função lá, mas sempre gostei muito dessa matéria. Então quando eu vim para a Austrália, no meu primeiro ano de inglês, eu percebi que conforme eu fazia ali algumas conexões com as pessoas da minha sala de aula, rolava ali uma troca de follows nas mídias sociais, mas se perdia ali".
E aí eu falei: 'Cara, eu tô sozinho aqui na Austrália e tem 1 ano que eu tô aqui e não tô conseguindo me conectar com as pessoas'.
“Então, eu criei o Go Outside, uma página no Instagram, já pensando nisso criar uma página no qual eu vou organizar o uns encontros, nada muito mirabolante. De repente um café, alguma coisa na minha casa e essa página vai ser um convite para essas pessoas começarem a seguir, esses alunos, meus colegas. Aconteceram alguns encontros bastante multiculturais, pessoas de vários países. A gente chegou a fazer piquenique, um encontro só de comidas brasileiras para eu apresentar para eles”.
Mas depois dessa experiência social, Renzo encontrou uma amiga que mantinha um grupo de vôlei. E foi unindo esporte e lazer que a comunidade cresceu e passou a atrair cada vez mais brasileiros.
“Basicamente, a gente se juntou, e deu a luz ao Go Outside. Os brasileiros começaram a tomar conta e quando eu vi, se formou uma comunidade, diria que 90, 95% brasileira. E aí a gente expandiu a mente, abrimos um “Go Outside Hobbies". E desde então essa comunidade tem crescido de forma muito orgânica, muito natural”.
O fundador da comunidade explica que o que une as pessoas é o sentimento de pertencer, já que muita gente chega sozinha no país e sente essa dificuldade de conseguir manter laços.
“Nosso objetivo maior é quanto mais diversos os eventos, atividades que a gente tiver, mais alcance a gente vai ter. É mais uma porta de entrada para as pessoas que acabaram de chegar, mas também os veteranos. Tem pessoas com 10, 20 anos de Austrália que de repente aparecem nos nossos eventos”.
Ouço muitos depoimentos de pessoas que tiveram depressão aqui e que a comunidade serviu de apoio para essa pessoa vencer isso. Então eu diria que é uma comunidade bastante plural.
Um dos maiores eventos realizados pela Go Outside reuniu cerca de 70 pessoas em uma noite de karaokê com músicas brasileiras na Green Square.
Hoje o grupo se reúne utilizando o WhatsApp e Instagram como pontos de conexão. A programação inclui caminhadas, clube do livro, vôlei, escalada, churrascos e acampamentos. Para participar basta acessar a página da comunidade no Instagram e entrar em contato com os organizadores.
A minha intenção é que a gente consolide esse formato aqui em Sydney para que posteriormente a gente consiga levar essa comunidade para outras cidades da Austrália.diz Renzo Brito, fundador do Go Outside




