A decisão se soma a uma série de restrições migratórias e de viagem adotadas pela atual administração, que argumenta que cidadãos dos países afetados teriam maior probabilidade de depender de assistência pública nos Estados Unidos.
A inclusão do Brasil na lista causou surpresa entre especialistas e candidatos a visto, especialmente diante do perfil dos brasileiros que costumam buscar a residência permanente no país.
Um deles é Rodrigo Perenha, executivo de fintech de 44 anos, que se preparava para apresentar um novo pedido após ter tido uma solicitação anterior do visto EB-2 negada. Ele relata o impacto emocional da suspensão depois de meses de preparação.
“Fazer esse processo dá muito trabalho. Você precisa procurar referências, pedir ajuda com as cartas... É um processo muito longo”, afirmou.
“A sensação é de tristeza por tudo o que foi feito e, no final, ter o processo congelado sem saber o que vai acontecer.”Dados de 2023 mostram que 28.050 brasileiros obtiveram residência permanente nos Estados Unidos, o maior número já registrado, colocando o Brasil na décima posição entre os países com mais aprovações.
Para Pedro Zava, do escritório AG Immigration, muitos clientes sentem que pessoas que tentam imigrar de forma legal estão sendo afetadas de maneira desproporcional pelas novas medidas.O advogado de imigração Glaydson Cabral também questiona a lógica da decisão.
Segundo ele, os vistos mais buscados por brasileiros são voltados a profissionais altamente qualificados, com planos de carreira ou negócios ligados a áreas de interesse nacional dos Estados Unidos, como engenharia, tecnologia e saúde.
Cabral afirma ainda que a fiscalização já vinha se tornando mais rigorosa mesmo antes da suspensão oficial.Para o professor de relações internacionais Vinicius Vieira, a motivação da medida é mais política do que migratória.
Ele aponta que países como o Uruguai, que não apresentam histórico de grande fluxo migratório para os Estados Unidos, também foram incluídos na lista, o que indicaria critérios ligados à orientação política de governos estrangeiros.
Paralelamente a esse cenário, o Brasil repatriou mais de três mil pessoas vindas dos Estados Unidos em 2025. São brasileiros detidos por imigração irregular, em operações conduzidas pelo governo norte-americano.
No Brasil, o acolhimento é coordenado pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, evidenciando um momento de endurecimento das políticas migratórias e de impacto direto na vida de milhares de pessoas.
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