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Paixão pela música brasileira impressa na obra da cantora e compositora australiana Diana Clark, que inclui versão de canção do Chico César

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São mais de 20 anos de interesse, estudos e pesquisas sobre a música brasileira, além de algumas visitas ao Brasil e contato com músicos locais. Dessa longa relação, Diana Clark traz uma composição com letra em português, melodias e arranjos inspirados na música brasileira, além da versão em inglês do sucesso "Mama África", do cantor e compositor paraibano Chico César

A cantora e compositora australiana Diana Clark é a responsável pela versão em inglês da canção “Mama África”, do músico, cantor e compositor brasileiro Chico César.

Diana conheceu a música brasileira através do seu parceiro de trabalho e de vida, Doug de Vries, e após algumas visitas ao Brasil e um contato mais próximo com a nossa cultura, se apaixonou pela música brasileira.

Diana teve a oportunidade de conhecer pessoalmente o artista paraibano e sua obra, e assim nasceu a versão de uma das músicas mais famosas de Chico Cesar.

Se pensarmos que a arte é uma linguagem universal e nos desperta os sentimentos mais profundos, talvez seja possível entender o que leva uma pessoa a se apaixonar pela cultura de um outro país, completamente diferente daquele em que nasceu e distante geograficamente.

Diana diz que recentemente foi apresentada a uma pessoa que a reconheceu e falou: “você é aquela cantora de música brasileira?”, sendo que ela tem mais de 25 anos de carreira como cantora de Jazz, compositora, professora de canto, regente de coral, arranjadora, e já fez várias turnês musicais com bandas diferentes.

Diana e banda
Diana Clark (à frente) já participou de várias formações e cantou diversos estilos musicais, mas é conhecida como "aquela cantora de música brasileira".
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Perguntada sobre a que ela atribui o fato de as pessoas a relacionarem mais ao seu trabalho com a música brasileira do que a suas outras facetas musicais, Diana diz: “Não há muitas pessoas na Austrália que tem uma relação tão profunda com a música brasileira.  Eu e o Doug de Vries, que primeiro foi meu parceiro musical e depois se tornou meu parceiro de vida, temos uma longa relação com o Brasil. Eu estive lá quatro vezes e o Doug, sete. A filha do Doug se casou com um brasileiro. Então nós temos um pouco de sangue brasileiro correndo em nossas veias. E isso foi se tornando cada vez mais profundo.”

Não há muitas pessoas na Austrália que tem uma relação tão profunda com a música brasileira. Eu estive no Brasil quatro vezes e o Doug (de Vries, parceiro musical e de vida de Diana), sete. A filha do Doug se casou com um brasileiro. Então nós temos um pouco de sangue brasileiro correndo em nossas veias. E isso foi se tornando cada vez mais profundo.

Diana também destaca que quando compartilha música de coro com corais ao redor da Austrália, a maior especialidade dela é a música brasileira, e isso acaba atingindo muito mais pessoas do que as suas composições de pop, jazz e folk, já que ela nunca teve uma gravadora que a promovesse. “Eu sou uma artista independente, o que é bom. Vendi cerca de 15 mil álbuns por conta própria, o que é ótimo, mas hoje em dia não se vendem mais cds”, destaca Diana.

No último cd que gravou, Diana incluiu a versão dela em inglês de “Mama África”. “Eu fiz contato com o Chico César pra pedir permissão e ele gostou bastante da versão. A letra não é um a tradução literal da letra dele, mas eu mantenho a essência e a paixão da música original nessa minha homenagem à Mama África”, explica Diana, que diz que tem uma boa amizade com o músico brasileiro.

Contato com Chico César

Diana conta que conheceu Chico César pessoalmente numa vinda dele à Austrália, no festival de música favorito dela no país, o WOMADelaide, de world music, segundo ela uma deliciosa combinação de música, arte, dança e natureza, por ser realizado no jardim botânico da capital da Austrália do Sul, SA.

“Eu ia com frequência para Adelaide na época do festival. Naquele ano, o Chico tocou no evento junto com a Simone Sou, uma percussionista incrível. O show dos dois nos impressionou. Por sorte, antes do festival começar, nós estávamos à beira do rio em um evento informal e eu avistei o Chico Cesar. Eu me aproximei dele com um português não muito bom, ele sabia pouco inglês mas dali nasceu uma amizade”, lembra Diana.

Anos mais tarde, o marido dela, Doug de Vries, visitou o Chico em São Paulo, cidade natal do genro de Doug. “E depois, em 2013, quando eu estava produzindo meu álbum ‘Other side of the girl’, que contém minha versão de 'Mama Africa', eu fui sozinha até João Pessoa, na Paraíba, para visitar o Chico. Foi o período mais longo que eu passei praticando o português”, destaca Diana.

Em 2013, quando eu estava produzindo meu álbum ‘The other side of the girl’, que contém minha versão de 'Mama Africa', eu fui sozinha até João Pessoa, na Paraíba, para visitar o Chico César. Foi o período mais longo que eu passei praticando o português.

Diana diz que quando esteve em João Pessoa, pode conhecer bastante da cidade, e descreve: “O Chico me buscou no aeroporto e me levou até a sede do governo, pois na época ele era secretário de cultura da Paraíba. Eu o acompanhei em algumas reuniões enquanto ainda estava de jetlag. Almocei com ele e sua namorada Barbara, que depois se tornou sua esposa. Provei o ‘prato do dia’. Ele me levou a estações de rádio para dar entrevistas, falou para as pessoas sobre a minha versão de ‘Mama Africa’, e me levou ao estúdio, onde gravou uma participação na minha música ‘Hang On’.”

Para participar da gravação dessa canção, Diana diz que Chico Cesar ouviu a música algumas vezes e fez um grande improviso no final. Para compor a letra, Diana se inspirou em pessoas importantes que passaram pela sua vida e que foram marcantes, como uma professora de canto inglesa que teve na escola, quando tinha cerca de 10 anos e morava com a família na região central da Austrália, numa cidadezinha pequena chamada Tennant Creek, no Território do Norte, onde, segundo Diana, o clima é semelhante ao de Brasília, com terra vermelha, poucas árvores, pouca sombra e horizontes sem fim. A professora de canto a que Diana se refere em 'Hang On' foi quem a fez acreditar no próprio potencial para se tornar cantora.

Pandemia x trabalho

Ao falar sobre como a pandemia afetou seu trabalho e de muitos músicos ao redor do mundo, pela impossibilidade de shows e viagens, Diana disse que muitas pessoas ficaram ansiosas e confusas pois tiveram que diminuir o ritmo, parar e refletir. Ela mesma estava dando aulas de canto para alunos do ensino médio quando a pandemia começou, e desistiu desse trabalho por não achar seguro estar dentro de uma sala fechada ensinando canto. Mas tinha outros trabalhos que manteve de forma remota, e se deparou com o que ela considerou uma boa coincidência.

Diana conta que uma pessoa que ela tinha visto uma ou duas vezes disse que havia um coral online de música brasileira voltado para pessoas nos Estados Unidos. Então ela resolveu participar por um período, pra ver como era. A iniciativa é da Mila Música, que fica no Rio de Janeiro, e os estudantes dos Estados Unidos e da Europa. Ela disse que amou, por ser uma bela cooperação com músicos muito experientes.

Diana Clark
Apesar de não saber quando vai poder voltar ao Brasil, Diana mantém contato com a música brasileira através de um projeto de coral virtual com Mila Schiavo.
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Para Diana, “é muito bom ter essa experiência de conexão online já que não podemos fazer turnês. Eu fiz uma conexão profunda com a Mila Schiavo e o Vicente Costa Nucci. Eles são pessoas maravilhosas. Eu fiz uma parceria com eles e trouxe o primeiro coral virtual brasileiro para a Austrália. Nós temos integrantes de Melbourne, do interior de Victoria, de Perth, de Adelaide. É muito bom ter encontrado pessoas que querem cantar juntas as músicas pelas quais eu sou apaixonada”.

Ela diz que fazia muito tempo que não se sentia tão feliz com o trabalho dela como agora, que se sente como uma ponte musical entre as culturas brasileira e australiana, e completa: “eu não sei quando vou poder ir ao Brasil de novo mas tenho muita sorte pois fiz essas novas amizades, vivi experiências profundas. É muito bom poder compartilhar isso com as pessoas sem elas terem que ir ao Brasil. Eu também ensino à Mila, ao Vicente e os amigos deles sobre a Austrália. É uma boa forma de viajar, explorar e fazer uma imersão cultural mesmo estando presos em casa”.

Eu não sei quando vou poder ir ao Brasil de novo. É muito bom poder compartilhar isso (o conhecimento sobre música brasileira) com as pessoas, sem elas terem que ir ao Brasil. Eu também ensino à Mila (Schiavo, com quem divide a condução de um coral online de música brasileira) sobre a Austrália. É uma boa forma de viajar, explorar e fazer uma imersão cultural mesmo estando presos em casa.

Paixão pela música brasileira

Sobre a sua paixão e relação com a música, Diana conta que vem de família. A avó e mãe cantavam, e ela diz seer contralto por herança das duas. O pai tocava piano. Ela cresceu em um ambiente musical e por isso nunca teve dificuldade de fazer testes e cantar em público. Pelo contrário, gostava de cantar num tom bem alto e teve que aprender a cantar de forma mais suave para não perder a voz. Sobre a paixão pela música brasileira, ela diz que o primeiro contato foi por influência do seu parcerio musical e de vida, Doug de Vries, que já flertava com a música Brasileira há muitos anos e que a levou pela primeira vez ao Brasil no ano 2000, quando passaram seis meses no Rio de Janeiro, onde ficaram imersos na língua e na cultura. Conheceram muitos músicos, participaram de shows e mergulharam na música e na atmosfera brasileira. Diana relata que “a riqueza  das harmonias, a poesia das letras e os grooves eram muito estimulantes para mim. Eram combustível para minha imaginação e me ajudaram como compositora”.      

Uma das composições do álbum mais recente de Diana Clark, 'The other side of the girl', se chama 'Com coração' e tem na letra uma mistura de inglês e português. Segundo Diana, a inspiração veio do fato de o ritmo da música ser leve e lúdico como uma ciranda, uma música infantil, e explica: “isso me deu confiança para misturar as duas línguas, inglês e português, de forma divertida. E é o que eu faço. Eu tenho muito orgulho dessa música. O Doug fez um belo arranjo com flauta que tem um estilo jobiniano. A gente se divertiu muito tocando essa música ao vivo na época do lançamento do álbum. Eu espero que as pessoas gostem e que possam ouvir essa canção”.

Para ouvir as músicas da Diana Clark e saber mais sobre seu trabalho musical, basta acessar este site

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