Pontos princiais
- Cientista política e professora Deborah Barros Leal Farias, avalia que a intervenção na Venezuela sinaliza a normalização do uso direto da força militar como instrumento de política externa.
- Na análise da professora, a queda de Maduro não representa uma mudança de regime, já que o chavismo e o aparato do Estado permanecem intactos.
- Deborah considera plausível a hipótese de colaboração ou consentimento interno dentro da elite de poder venezuelana, diante da forma como a operação foi executada.
- Para ela, a ação cria um precedente perigoso ao legitimar intervenções motivadas por interesses em recursos naturais, com impactos globais.
Para entender o que realmente está em jogo conversamos com Deborah Barros Leal Farias, professora titular da Escola de Ciências Sociais da UNSW Sydney, sobre uma das ações mais intervencionistas da política externa americana nas últimas décadas e seus efeitos duradouros para a América do Sul e a ordem global.
O início de 2026 é marcado por um cenário internacional cada vez mais tenso, em que o uso da força militar volta a ocupar um lugar central na disputa por poder, muitas vezes em detrimento de valores democráticos e do direito internacional.
A ação dos Estados Unidos na Venezuela, sob a administração Trump, levanta questões profundas sobre os limites da democracia na América do Sul, o papel do poderio bélico americano e as razões que levaram à remoção de Nicolás Maduro do poder.
Conversamos com Deborah Barros Leal Farias, professora titular da Escola de Ciências Sociais da UNSW Sydney, sobre como a ação bélica americana mostra um novo tipo de política externa, onde o objetivo não é a democracia.

"Eu acho que essa questão do uso da força militar para estar exercendo poder, como o Trump tem visto, eu acho que fala menos sobre limite e fragilidade de democracia na América do Sul do que fala de fato, de verdade, da visão do governo Trump, "diz Deborah Source: Supplied
"Porque se você for pensar assim, de fato, as condições políticas e materiais na América Latina, na América do Sul principalmente, ela não tem mudado, ela não mudou de forma dramática, vamos dizer, nos últimos dez anos.
"O que mudou de forma dramática, a única variável aí que mudou mesmo é o governo Trump e não só o governo Trump, mas com uma iniciativa de política externa que é nova até para os Estados Unidos, no sentido em que ela é tão aberta e tão clara de quais são os objetivos, que está muito claro, o objetivo não é democracia, o objetivo é petróleo, o próprio Trump tem sido bastante claro sobre isso," disse.
Para ouvir, clique no botão 'play' desta página.
Ouça os nossos podcasts. Escute o programa ao vivo da SBS em Português às quartas-feiras e domingos ao meio-dia.
Assine a 'SBS Portuguese' no Spotify, Apple Podcasts, iHeart Podcasts, PocketCasts ou na sua plataforma de áudio favorita.




