Os australianos e residentes com acesso ao Medicare poderão em breve pagar menos pelo Wegovy, um dos populares medicamentos para perda de peso.
O governo federal está prestes a acatar a recomendação de incluir a chamada "caneta emagrecedora", semelhante ao Ozempic, no Pharmaceutical Benefits Scheme, o PBS, Programa de Benefícios Farmacêuticos.
No entanto, não está claro em quanto o preço será reduzido, já que o Ministro da Saúde, Mark Butler, afirmou estar em processo de negociação com a farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk.
É provável que isso também custe uma quantia considerável ao contribuinte do país.
Butler confirmou ter recebido a recomendação de um comitê consultivo para incluir o medicamento no PBS, e que em breve tomaria uma atitude sobre o assunto.
"Esta é uma classe de medicamentos extraordinária, os GLP-1, não apenas para perda de peso, mas também para uma série de outros benefícios", disse o ministro da Saúde.
Atualmente, o Ozempic — que também é uma injeção de semaglutida — está listado no PBS para pessoas com diabetes tipo 2 sob critérios rigorosos. Quem se enquadra no benefício, em vez de pagar 134 dólares por unidade, paga 25 dólares.
Australianos gastam milhares de dólares do próprio bolso com a medicação
Quase 500 mil australianos — por volta de 2% da população adulta — usam medicamentos GLP-1, ou similares ao Ozempic, para perda de peso ou por outros motivos médicos.
Atualmente, mais de 400 mil australianos pagam o preço de mercado por um desses medicamentos GLP-1, o que chega a custar entre 4 mil e 5 mil dólares por ano, um valor obviamente inacessível para muitos australianosMark Butler, ministro da Saúde.
"Para nós, isso não é apenas uma questão de saúde. É também uma questão de equidade", disse o ministro.
Ele também ressaltou que o acordo com a Novo Nordisk provavelmente será uma conta muito alta aos contribuintes do país, e que por isso cabe ao governo negociar um bom preço.
O que médicos e outros profissionais têm dito sobre a inclusão na lista de espera?
A entidade que representa os médicos de clínica geral — o Royal Australian College of General Practitioners (RACGP) — saudou a medida, mas alerta que o financiamento para medidas preventivas de saúde não deve ser negligenciado.
Michael Tam, membro do comitê de especialistas da organização, afirmou que esta não é uma questão simples. Ele diz que esses tratamentos são eficazes para alguns indivíduos, mas, idealmente, "é necessário primeiramente reduzir a incidência da obesidade."
A Dietitians Australia manifestou preocupação com o fato de que, sem o devido suporte nutricional, as pessoas que utilizam esses medicamentos podem correr o risco de desnutrição, perda de massa muscular e óssea e desenvolvimento de transtornos alimentares.
"Melhorias duradouras na saúde são alcançadas por meio de cuidados abrangentes e multidisciplinares que incluem acesso financiado a suporte nutricional baseado em evidências antes, durante e após o tratamento", diz a entidade.
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