"A nova ordem mundial na captura de Maduro e intenção de controlo da Venezuela": opinião

Donald Trump Returns to White House

Donald Trump de regresso à Casa Branca, em Washington (EUA, 4 de janeiro de 2026). Source: ABACA / Pool/ABACA/PA

É uma história onde não há os bons e os maus. Todos aparecem como maus. Há fortes e fracos. Os fortes impõem-se aos fracos. No caso, o forte pertence ao clube das grandes potências e considera possuir um quintal continental, no qual dita as leis e entende poder retirar recursos a bel-prazer. A história incita a que as grandes potências se assumam nesse quadro. Para além dos Estados Unidos da América, obviamente a China e a Rússia, um clube onde a estes participantes será permitida a expansão sem regras, exceto a de não poderem interferir umas com as outras.


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Na atualidade mais intensa, a América de Trump toma a Venezuela como propriedade, atribui a exploração do petróleo venezuelano a empresas americanas, a tutela militar e civil do país fica com sede na casa branca de Trump, até que uma transição que este considere segura e adequada seja possível.

O Concilio de Trento (vai para 5 séculos) foi uma assembleia magna da igreja católica, convocada para analisar e dar resposta à reforma protestante.

O recurso hoje ao Conselho de Segurança da ONU tem, na prática, o mesmo efeito que levar o caso ao extinto Conselho de Trento, porque há uma regra antiga que permite a cada um dos chamados cinco grandes vetar qualquer resolução prática.

Portanto, não pode haver condenação da cinematográfica operação especial, a incursão em Caracas, em que invasores às ordens de Trump entraram no quarto do bunker onde dormiam o presidente da Venezuela e a mulher, capturaram-nos e, em ação tipo rapto, levaram-nos para Nova Iorque.

Sobrou uma fotografia do capturado vendado e algemado para que o troféu seja exibido.

É facto, está dito que nesta história não há comandantes de bem – nem os do invasor, pelos métodos usados, nem os do raptado cuja história é a de 13 anos de abusos, repressão da dissidência que luta pla liberdade e democracia, também falsificação de resultados eleitorais para se manter na presidência num regime em que, no país rico, abunda a gente pobre e a crise social.

Está em causa o país com as maiores reservas mundiais de petróleo, cujo uso é tão nefasto para o clima – mas que vale fartura em biliões de dólares.

Esta operação militar especial, apresentada como de combate ao narcotráfico, apesar de a droga que a motiva ser obviamente o petróleo, aconteceu na madrugada seguinte ao dia em que Trump ameaçou os aiatolas da ditadura do fundamentalismo religioso do Irão – de intervenção no país em caso de repressão dos manifestantes contra o regime.

Já são 11 dias de protestos que se propagaram do grande bazar de Teerão a várias outras cidades.

Desta vez, o protesto é diferente do “mulher vida e liberdade”, que há três anos abalou o regime na sequência da morte de Masha Amini.

Desta vez, tudo começou com os comerciantes do bazar de Teerão, eles costumavam ser apoios do regime – mas estão revoltados – com o insuportável custo de vida, a hiperinflação vai nos 62% e, assim, o negócio não aguenta.

Tanto os estudantes das universidades, como o movimento “mulher vida e liberdade”, juntaram-se ao protesto – e o guia supremo do regime o Aiatolah Khamenei, deu ordens para reprimir a contestação.

Os manifestantes têm mostrado que não querem que Trump se meta na vida do Irão. Teerão está a 10 mil kms de Washington, fica longe da lógica que mete Taiwan nas mãos de Pequim e a Ucrânia na área de influência do Kremlin.

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