Tudo começou com um telefonema banal e anónimo, que a avó de Rita atendeu e que serviu, mais uma vez, para burlar um cidadão desprevenido. Uma história que viria a cruzar-se com tecnologia, na criação de uma aplicação de segurança com um objetivo maior: proteger quem já não tem força para o fazer sozinho.
Aos 24 anos, Rita Barbosa é um dos novos rostos da inovação tecnológica europeia. Licenciada em Engenharia Informática pela Universidade Nova de Lisboa e a frequentar um mestrado em Inteligência Artificial na Universidade Técnica de Hamburgo, acaba de conquistar o primeiro lugar no maior hackathon de IA da Alemanha.
Num evento que contou com mais de 400 participantes e mais de 100 projetos em competição, Rita, em apenas dois dias, criou uma aplicação - Guardião - capaz de bloquear chamadas e mensagens fraudulentas antes de chegarem ao telemóvel. Um protótipo construído à pressa, mas que nasce de uma história profundamente pessoal.
“Eu sempre quis ajudar pessoas. Mas esta ideia surgiu quando a minha avó foi burlada. Eu não tinha ferramentas para a proteger. Agora tenho”, conta. Este episódio familiar, que resultou de uma chamada anónima, resultou numa perda financeira inesperada e tornou-se na motivação para desenvolver uma solução que pretende evitar que o mesmo aconteça a milhares de outras pessoas.
Mais do que o currículo que a precede, foi o ato ilegal que estorquia a avó que a motivou a avançar: “A minha avó foi burlada. E eu, que sempre fui aquela neta que passava lá todos os dias, não consegui evitar. Eu, uma engenheira informática, senti-me impotente”.
(RTP)
Polícia Judiciária portuguesa abriu quase 1400 inquéritos por extorsão sexual nos últomos dois anos.
Um homem, de 60 e poucos anos, respondeu ao que julgou ser uma jovem adulta. Mal enviou fotos e vídeos, foi contactado por alguém que dizia ser comandante da polícia em Angola, argumentando que a rapariga era menor de idade e que a mãe dela apresentara queixa. A denúncia contra ele avançaria se não pagasse 1500 euros.
As tentativas de extorquir dinheiro de homens, mulheres e crianças, sob ameaça de divulgar imagens íntimas, estão a multiplicar-se: a chamada "sextortion" já representa mais de metade dos casos de extorsão investigados pela Polícia Judiciária (PJ).
A inspetora-chefe na Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica, da Polícia Judiciária, Carla Costa, aconselha a desconfiar da abordagem de desconhecidos e a evitar partilhar conteúdos íntimos. Se o fizerem, correm o risco de se tornarem vítimas de extorsão sexual.
PJ abriu quase 1400 inquéritos por extorsão sexual em dois anos. Maioria das é vítimas são homens
Em 2024, a PJ portuguesa abriu 665 processos de investigação de extorsão de tipo sexual. Em 2025, 732.
O crime tem vindo não só a intensificar-se, mas também a diversificar-se. A inspectora-chefe na Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e Criminalidade Tecnológica, Carla Costa, traça uma linha entre o antes e o depois da pandemia de covid-19.
Nos anos que antecederam a crise de saúde pública, havia muito phishing, isto é, disparo de emails indiscriminados. A vítima recebia uma mensagem a afirmar que no seu computador fora instalado malware e que, usando esse software malicioso, tinham tido acesso aos conteúdos armazenados e, através da câmara, captado “práticas marotas”. Para não divulgar tais imagens, teria de pagar um montante em criptoactivos.
A inspetora Carla Costa conta que muitos nem sabiam como efetuar tais paga, no seu computador, fora instalado malware e que, usando esse software malicioso, tinham tido acesso aos conteúdos armazenados e, por meiomentos. Outros até sabiam, mas não tinham câmara no computador e percebiam logo que estavam a ser alvo de um golpe digital. Quantos terão caído? Presume-se que muita gente esconde a armadilha em que caiu.
A inspetora-chefe Carla Costa observa uma diferença de género. Os processos que envolvem vítimas do sexo masculino tendem a desenrolar-se muito rapidamente. Com as mulheres, pelo contrário, costuma haver um romance prévio.
A responsabilização criminal tem sido difícil. Os autores, salienta Carla Costa, tendem a estar fora do território nacional. Os depósitos feitos pelas vítimas passam por várias contas até ao beneficiário final. Por vezes, existem várias jurisdições implicadas, o que obriga a recorrer à cooperação internacional."
Tudo se complica quando, como ocorre muitas vezes, as pessoas criam perfis falsos.
(Francisco Sena Santos)
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