Unida em torno do jesuíta Miguel Pedro Melo, que faz parte da rede mundial de orações do Papa, o grupo tem 25 rapazes e raparigas cultiva a reflexão e o debate no projeto Livro Arbítrio, que convida o ouvinte a procurar por Homero, Cervantes e Dostoiévski, entre outros.
Sentia-se entusiasmo entre os músicos, os cantores, os produtores, todos no último ensaio geral em palco duas horas antes do primeiro concerto em público destes Zipoli, que fazem música com gosto e uma intenção que ecoa por todas as 12 musicas do primeiro álbum, Livro Arbítrio: a vontade de nos estimular para a leitura de livros.
Os livros com personagens, com narrativas que podem ser corrimão que nos dê mais que amparo, que somados nos ajudam a descobrir mais sobre nós – e aqui estou a usar a expressão de Miguel Pedro Melo.
Ele estudou música no conservatório antes de se formar em filosofia e se tornar padre. É um sacerdote que integra a rede mundial de oração do papa.

Sendo um jesuíta, Miguel Pedro Melo cultiva a reflexão, a arte, a leitura, o debate – sempre com humor, sempre com afeto e um sorriso. Empatia.
A carta que o então Papa Francisco distribuiu em julho do ano passado, sobre a importância da literatura na formação humana, foi o impulso que fez nascer o que há muito estava nas trocas de ideias entre ele, o padre Miguel – que os amigos tratam por missé – e umas duas dúzias de jovens com quem a ideia já tinha marinado. Criaram um grupo, rapazes e raparigas, gente que sabe de música, guitarra, sopros – trompete, percussão, teclado e canto. Formaram os Zipoli – nome escolhido pla admiração por um músico do seculo 17 que se tornou jesuíta.
E os Zipoli escolheram como projeto inicial, o "livro arbítrio, que junta a música e as palavras, um convite à leitura através dos clássicos como Homero, Dostoievski e Cervantes. Somos todos puxados a viajar neste barco, com um open book. E o livro arbítrio que nos conduz a profundidade das realidades da vida de cada um de nós.
Agora, no auditório Camões, em Lisboa, com lotação esgotada e entusiasmo imenso na casa, aconteceu a apresentação em público dos Zipoli.
Padre Miguel, ou Misse, é um líder da mestria afável no palco. Parece fazer isto há muito tempo. Fala, canta, toca guitarra, brinca e convida o público para uma viagem que é ao mesmo tempo musical e literária.
O espetáculo com 12 músicas – o líder do grupo é um padre mas o concerto nada de tem de musica litúrgica – é pop, é rock, até uma amostra de fado – mas sente-se sempre a espiritualidade – noite de estreia dozipoli em pouco mais de uma hora.
A vibração ligou sempre o palco e a plateia. No final, antes do encore pedido com insistência, Misse confessou que o desejo dele que se saísse daquele concerto com vontade de ir ler um livro. De mergulhar na leitura dos clássicos literários.
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