Maria Cida Olsen vive na Austrália há 29 anos.
Chegou a Sydney, construiu sua carreira e acabou encontrando o grande companheiro da sua vida: o jornalista e apresentador Les Murray.
Hoje, quase nove anos após a morte dele, em 31 de julho de 2017, ela mantém vivas as memórias de uma história marcada por alegria e muito amor.
“O Les foi a paixão da minha vida. Continuo aqui muito feliz. Adotei Sydney como minha casa”, conta.
Quando Cida conheceu Les Murray, ele já frequentava os encontros de domingo no Centennial Park.
“Para ele era quase uma religião. Domingo era dia de ir pro parque bater bola com os Canarinhos”, recorda.
Depois dos jogos, vinham o churrasco, a cerbeja gelada, as conversas e as gargalhadas. “O Les adorava passar tempo com eles. Ficava no meio dos Canarinhos trocando ideias, dando risada. Era muito especial.”
Cida diz que não acompanhou o início da ligação entre Les e o clube, mas testemunhou a força desse vínculo.
“Ele era muito querido ali. E o Gel organizava tudo com tanto carinho.”
Em 2010, nasceu a Les Murray Cup, torneio criado em homenagem ao jornalista ainda em vida. “Durante nove anos foi um evento lindo. Vinham vários times amadores, às vezes 20 times. Era muito bem organizado, com troféus, famílias, amigos da SBS. Era gratificante celebrar o nome do Les.”
A competição foi interrompida após a pandemia de Covid-19, mas as memórias permanecem. “Foram anos dourados que vão ficar marcados na história.”
Embora húngaro de origem, Les absorveu traços da cultura brasileira. “Ele falava algumas palavrinhas em português, mas aprendia principalmente as palavras feias [palavrões] que os Canarinhos ensinavam”, brinca. “Eu dizia para ele não repetir em público.”
Mais do que a paixão pelo jogo, Cida destaca o papel social do clube. “Quando a pessoa emigra, às vezes tem barreira da língua, se sente isolada. Os Canarinhos ajudam muito. Trazem a pessoa pro grupo, ajudam com direção, com trabalho, com cursos. Fazem a pessoa se sentir em família.”
Para ela, usar o esporte como ferramenta de acolhimento é um diferencial. “É um ponto muito positivo. Eles levam alegria e ajudam as pessoas de forma concreta.”
Ao celebrar os 54 anos do clube, Cida deixa uma mensagem emocionada. “Que vocês continuem levando esse trabalho lindo, trazendo alegria e vivendo a vida de forma positiva.”
Dirige-se especialmente a Gel Freire: “Você era como um filho pro Les. Ele tinha um carinho muito especial por você.”
Ao falar da própria história com Murray, a emoção transparece. Foram quase 15 anos juntos.
Ela relembra viagens, risadas e cumplicidade. Conta que, certa vez, num aeroporto em Singapura, após horas de conversa e gargalhadas, um taxista perguntou se eram amantes.
“O Les respondeu: ‘Yes, we are eternal lovers. We are lovers for life.’ A gente sempre lembrava disso e dava risada.”
Cida também trabalhou na SBS como maquiadora freelancer, acompanhando o parceiro em viagens e transmissões. “Acho que isso deixou nossa união ainda mais forte. Trabalhávamos juntos, viajávamos juntos.”
Hoje, guarda as memórias com carinho. “O Les era uma pessoa de muita luz. Onde ele entrava, tudo brilhava.” Ao falar do aniversário do Canarinhos, resume com gratidão: “Muito obrigada por manterem vivo o nome dele. É uma data muito especial.”
Entre futebol, amizade e amor, o legado permanece.
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