A empresária e mãe Renata Reis cujos três filhos nasceram na Austrália e com surdez congênita fala da jornada em direção à audição e à fala. Os três meninos têm um implante coclear, o dispositivo eletrônico criado na Austrália, e implantado cirurgicamente. A família também ganhou apoio do The Shepherd Centre, organização sem fins lucrativos em Sydney.
Após exames e testes a família pôde optar pelo implante coclear, um dispositivo eletrônico colocado cirurgicamente que estimula o nervo auditivo, substituindo a função da cóclea, que é a parte do ouvido interno responsável por converter sons em sinais nervosos. A invenção que já tem 40 anos é australiana.
Vivendo em Sydney a família também participou do programa de intervenção precoce oferecido pela organização sem fins lucrativos The Shepherd Centre.

Renata Reis, mãe de Rafael, conta que seu primogênito tinha seis meses quando recebeu a tecnologia. Ela tem aquela primeira celebração gravada. Isso foi há 12 anos.
Rafael, agora com 13 anos, e seus irmãos mais novos, Gabriel, de 10 anos, e Luca, de seis anos foram todos diagnosticado com surdez logo após o nascimento.
Os irmãos, que moram em Sydney, tiveram o dispositivo implantado por volta dos seis meses de idade, mas foi apenas o começo de sua jornada rumo à audição e à fala.
Embora um implante coclear possa mudar vidas, a tecnologia por si só não é suficiente, afirma a Dra. Aleisha Davis, CEO do Shepherd Centre, organização sem fins lucrativos que ajuda crianças com perda auditiva a aprenderem a ouvir e falar.

"Aparelhos auditivos ou implantes cocleares ajudam uma criança a ouvir, mas sozinhos, não ajudam. A tecnologia as ajuda a ouvir sons, mas o cérebro não está programado para entender o som em idades tão precoces. Por isso, oferecemos a terapia que permite que as crianças entendam o que são esses sinais e aprendam a usá-los em seus ambientes cotidianos," diz Alesha.
Não vejo a surdez deles como barreira, mas como desafio. A vida está aí para mostrar para gente que a gente vai aprender lidar com esses desafios, e vamos vencendo esses obstáculos, porque isso no fim das contas só nos fortalece.Renata Reis
As crianças estão prosperando, também na língua portuguesa, diz a orgulhosa mãe, Renata, que migrou de Brasília para a Austrália há 17 anos.
Segundo ela, o bilingualismo adicionou uma camada extra na vida da família. "Além de aprender a falar e ouvir, nós queremos que nossos filhos falem as duas línguas, isso é possível sim.
"É muito interessante, por que uma das coisas que você aprende com a fonoaudióloga que a criança com uma perda auditiva e com implante coclear precisa de uma exposição muito maior ao vocabulário e aos diferentes sons do que uma criança com uma audição típica. Então assim você tem que praticar muito, e como somos bilíngues todos os livros que líamos para eles líamos também em Português," recorda.

Segundo Renata, idiomas são fortes estímulos sonoros para a criança sem audição. "Hoje a gente tenta falar mais o português em casa," diz.
Mas além da língua portuguesa a música também é presente na vida dos meninos.
"O Rafael e o Gabriel, estão fazendo parte de uma banda na escola e a questão musical foi sempre muito importante para gente. No início nossas dúvidas eram sobre se eles vão conseguir escutar e entender a música e som, ao longo do tempo a gente viu que sim. Eles adoram música.
Rafael começou no saxofone o Gabriel no trumpete. Hoje Gabriel de 10 anos diz que quer ser rapper e está escrevendo música. Aí também entra a nossa cultura a identidade. Eles gostam da música brasileira, é uma coisa que a gente tá trazendo mais. Estivemos no Brasil recentemente fomos à Bahia e eles adoraram a música e se encantaram com a capoeira.
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